A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 6 de agosto de 2017

Fechos & Desfechos



As chaves, você viu? Essa atmosfera do fim que está sobre nossas cabeças não vai dissipar até um de nós se mover, você sabe disso, não sabe? Nesse caso, me ajuda a procurar. As chaves. Tem duas malas na porta e eu não acho as chaves e nem a razão pra fazer esse ponteiro pequeno girar mais uma vez. Acabou. Você pode notar isso seja pelo sentimento inexistente, os móveis jogados contra a parede ou a bagunça no apartamento e na nossa vida. Olha ao redor, tem palavras jogadas por todos os lados, arrependimentos futuros impregnados nas paredes e ainda que você não veja o amor é essa poeira acumulada nos cantos. Esquece, a imobilidade dos seus passos não farão de você a mais racional de nós dois. Embora você sempre tenha jogado com paixão. Somos um conjunto de peças quebradas em um jogo de tabuleiro sem vencedor. 

Eu não quero tentar consertar, reparar, restaurar, remendar. Já fizemos isso inúmeras vezes. Cansativas vezes. Exaustivas vezes. Devíamos ter ido embora no primeiro desencontro desse enredo embriagado e não ficarmos insistindo em sermos distrações um do outro. As chaves? Onde está? Eu preciso ir. Não sou eu quem vai absolver os erros, os erros também fazem parte de mim, espero que com o fechar desse ciclo eu consiga me perdoar por amar você como um louco. Porque só um amor sendo louco pra destroçar alguém que se esforçou infinitas vezes pra fazer dar certo. Não deu. Não demos. E não há mais o que lamentar aqui, nem os planos, nem os anéis. O sumiço das marcas sejam nos dedos ou no coração precisam de tempo e partir pra outro lugar me faz acreditar que o improviso do destino existe pra virar a página de um capítulo o qual a gente insiste em dizer que não acabou.

Você pode permanecer imóvel se quiser, a escolha é sua. Mas também é escolha minha deixar vazio o espaço que preenchemos de projetos, vida e vinhos. Finais são tristes, só não tanto quanto ver a indiferença por você ganhando força. Essa é consequência da história que você decidiu escrever sozinha. Da história que você viveu com alguém que eu deixei de conhecer. Por falha minha, é o que você diz. Mas a estúpida ironia dos fatos é que o sangue que queima quando você me olha não é o meu. É o seu. Sorte maldita você ser a encarregada do final quando foi a única que me fez começar a aventura corajosa que é se entregar sem medo ou insegurança. Curiosamente a garota de sorriso angelical era quem eu deveria temer. Sensação estranha ir embora sabendo que o descanso dos seus braços já não é meu lar. Você tem que soltar. As chaves. Não vou tirar de você, mas se essa é sua forma de impedir que eu vá, eu declino, eu rejeito, me recuso a entender e faço uma última coisa por nós: Chamo um táxi.




segunda-feira, 24 de julho de 2017

Why is Everything so Heavy?


Quando menos se espera você descobre que o fundo do poço não fica tão longe quanto imagina. Os seus desejos já não parecem tão cheios de vida. E pra ser sincera, nem você. Concentrar-se na realização dos planos passa a ser uma luta diária contra você mesmo. Uma luta consciente. O que é importante pra você deixa de ser. A alegria já não te faz sorrir. Você perde. Se perde. "Está tudo errado" essa é a frase que você tanto repete no espelho quando encara os próprios olhos vermelhos. As emoções estão em descontrole. Já não representa nenhum significado se você consegue levantar da cama pra tentar escalar as paredes desse poço que só te puxa pra baixo. Não é tão fácil escapar da gravidade quando o pânico é o seu conforto anestésico. As sombras são sempre aconchegantes e você quer tanto permanecer ali, mas a fresta de luz que toca seu rosto te obriga a abrir os olhos e continuar andando. Por que não, não é? O brilho do sol nunca se desfaz desse tom convidativo de tente outra vez.

Você sai. Conversa. Interage. Fraquezas não devem ser expostas. Você faz piadas. Sorrir. Você finge. Sua dor não se vai. Sua dor te arrasta, te consome internamente, te segura e tudo fica pesado demais. Por que é tudo tão pesado? A indiferença e o desinteresse não são escolhas, eles não entendem como é angustiante e atormentador sentir-se sozinho em meio a uma multidão com um grito mudo de me salve preso na garganta. Não dá pra saber se são as preocupações, o desgosto das inúmeras derrotas, as discussões, a irritabilidade sem motivo ou a ideia fixa de que nada importa. É só o nada. E aí surge a vontade insana de apertar um botão que acelerasse o presente e você acordasse em um futuro onde a dor tivesse sido apenas um acidente. Um incidente. Cortes. Morte. Fim. Atrativas formas de esquecer que a dor é menor do que parece. Que esse vazio, esse oco, esse buraco no seu coração não são resultados da sua covardia. Da sua entrega. Da sua mente amedrontada que insiste em acreditar que a falta de tempo vai engolir você. Sua mente é uma pilha de problemas desnecessários que você quer deixar pra lá, mas não consegue. E você só não quer mais sentir. E busca razões pra não sentir.

Seu fracasso é admitido e então você desiste. Fica aí parado como uma ampulheta imóvel, fitando as marcas dos seus próprios machucados e continua tudo tão errado, só porque não consegue ver, não significa que a fé e a esperança não estejam lá. Não há como fugir, sentimos dores demais durante nossa vida, algumas mais fortes, outras nem tanto, mas dor é dor. Dor física, dor emocional, dor inexplicável. Quando a dor transborda não há raciocínio, só há apenas pensamentos desordenados procurando uma única razão pra não se reconhecer mais e se você não consegue lidar com isso de forma racional, você precisa assumir. Mesmo que não queira, você precisa falar sobre depressão. Eu sei, você não quer ser o paranoico e desacreditado, e quem quer ser afinal? Mas a dor que você não consegue definir está te consumindo tanto a ponto de fazer você esquecer permanentemente que o único que pode salvar você dos seus próprios cortes... É você mesmo. Lave o veneno pra fora da sua pele. Liberte-se. Ainda que pergunte mentalmente quem irá se importar se mais uma luz se apagar? Quem  irá se importar se o tempo de alguém acabar? Eu respondo. Eu te abraço. Eu te digo: Bem, eu me importo.


O primeiro passo pra cura da depressão precisa ser dado pelo paciente. Mãos de ajuda, força e companheirismo são precisos pra apoiá-lo nessa caminhada. Use sua audição e língua para o bem. Como li ontem, uma boa conversa, uma palavra amiga, um "como vai você?" custa zero, eu disse Zero reais. Faça por quem ama o máximo que faria se ele já tivesse partido e uma segunda chance fosse lhe dada. Não ignore os sinais. Ajude. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Comédia Romântica


Ei moço cê tá vendo a dificuldade de desatar o nó? Esse emaranhado de meia conversa de quem sabe que tem cartas suficientes pra jogar até que meus pontinhos de confiança sejam reduzido a zero. Po-pa-rá. Eu já dei a bendita voltinha mágica no carrossel e não foi nada divertido. Além do que, veja só, tô quebrando a cara uma segunda vez, acreditando nesses convites sem pé nem cabeça onde eu deposito vida e esperança pra ver se qualquer hora eles se realizam. Você só aparece com esse interesse bonitinho quando quer alimentar o próprio ego ainda que tua turma de amigos adorem defender você como o mó cara legal, aquele que não precisa se esforçar pra ser engraçado, divertido e charmoso. Fique sabendo, você nem é tudo isso. Droga. Você é. Eles tem razão. Você é o típico carinha encantador, com esse sorriso, esse maldito sorriso que você carrega e esbanja por aí. Onde é mesmo que eu tava com a cabeça quando fui enfeitiçada?

Não lembro. Odiosamente não lembro do momento "impriting" platônico. Platônico uma ova porque você se jogou e jogou em cima de mim todos esses seus dons admiráveis, esse jeitinho torto de puxar conversa, se exibindo com essa guitarra e essa voz. Não, não basta ser tudo o que uma garota quer, de brinde ainda por cima é rockstar e dono de um timbre rouco, sexy e gostoso. A voz. Assim é fácil se impregnar na mente dos outros. Outras. Abençoada seja a oportunidade que nunca tive de encarar você. Em você tudo parece ser tão verdadeiro. Falso. Quis dizer falso. Porque isso não passa de invenção. Minha melhor invenção. Mesmo assim uma invenção. Essa coisa toda, essa atmosfera cor de rosa - odeio rosa - essa emoçãozinha barata que você causa quando você se faz presente. E depois ausente. Toma chá de sumiço e eu só me dou conta no sétimo dia de silêncio. Mania chata de ser sempre a última a saber que eu não preciso de você.

Porque desse lado meu braço se recusa a torcer. Se você me da gelo eu brinco na neve. Ignoro minha intuição. Faço gesto de silêncio pro coração com uma ameaça covarde de vendê-lo pro lado negro da força caso ele queira comandar a coisa por aqui. Deixo a razão ser a dona da porra toda e que se dane o fim da sua tentativa secundária em um único ano. Se der na telha de vir, já vou avisando, não vem, da meia volta, metades combinam bem com esse meio papo que nunca termina. O desencontro já passou da hora e pra sua informação seu filme tá bem queimado. Desacreditado. E por ordem minha totalmente censurado. Viu? Então não vem, se vier eu chamo a polícia, meu telefone apaga da tua lista. Contato comigo nem por intermédio de um ovni. Ets amigos só os que te abduzirem pra outro planeta. Já vai tarde. Se isso não funcionar aproveita pra tomar o sumiço como chá.  Entre te esperar e ver você me perder. Já foi, valeu. Nunca vi de paixão alguém morrer, então eu prefiro chamar um uber, aproveitar a noitada e beber.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Você Me Achou


Você me achou. E insiste dizer que foi o contrário. Não foi. Você me achou. Entre todas, você me escolheu. Eu vi. Sei que vi e o que vi. O sentimento, a sensação e o sentido que as coisas ganharam desde que entendi o que havia nos seus olhos quando me via. Eu sabia que só haviam medo e insegurança de que o que vi pudesse me atravessar e arrebentar em partes incontáveis porque o amor, o amor nunca vem em linha reta, o amor vem em curvas com subidas extraordinárias e descidas demasiadamente íngremes. Confia em mim, já despenquei de lá. Redenção ao que vi estava fora de consideração mesmo sendo tão brilhante, tão quente, calorosamente convidativo e com prometimentos tão sinceros quanto o que havia em seu coração. Mas não nas minhas escolhas. Ainda que eu quisesse tocar o que vi, minhas mãos jamais alcançaria a felicidade que você oferecia. Essa abertura, essa exposição, essa esperança e essa vulnerabilidade não viriam à tona com a mesma facilidade que veio pra você quando me permitiu ver o que inevitavelmente eu vi.

Então. Eu as deixei lá em um vaso na janela. A luz do sol se arrastava e as estrelas já não me faziam adormecer. As rosas. Tinham um vermelho tão intenso, não conseguia parar de observar. Assisti morrerem dia após dia, o mesmo tempo que esperava ser capaz de tomar uma decisão. De me desfazer dos assombros. Eu esperava pela coragem de correr, correr e correr. De voltar. Mas o meus pés não se moviam, embora eu tivesse certeza do caminho, o que me impedia era a total falta de convicção no meu estar pronta. E o que vi? Ainda estaria lá aguardando o tempo das belas rosas morrerem? Acreditava que a insônia me faria abandonar a hesitação, respirava fundo, mas comigo nada acontecia. Diferente do meu tempo. Meu tempo estava acabando. Se havia libertação das prisões do passado eu jamais iria saber se não tivesse me arriscado. Se não tivesse me jogado em seus braços quando você apareceu e me segurou. Você me achou. Esperou as inúmeras fases da lua porque sabia que a paz do meu coração estaria guardada com você. Eu pude ver.

De tempos em tempos, pessoas importantes cruzam o caminho uma das outras. Almas se reconhecem. Há quem deixe passar por confiar que na vida já amou o suficiente. Raro presente do destino quando permite que você volte antes que sua oportunidade se vá. Toque e alcance a felicidade que lhe oferecem porque o amor, o amor não é o lugar que podemos ir e vir quando quisermos. Não se perca por desamores. Quando a doação do amor que você tiver for insuficiente você deve se permitir ser amada por quem tem nos olhos a espera infinita pelo seu amor. Você saberá quando ver. Apenas almas enxergam a forma plena do que é maior que a esperança e a fé. O amor não é uma luta. Mas quando você o ver saberá que vale a pena lutar por ele e antes que você perceba estará novamente exposta e vulnerável e isso não será mais assustador porque o amor nunca perece. O amor não desiste porque suporta o que vier até o fim. No entanto, você já sabia do sentimento, da sensação e dos sentidos. Você sabia que o que sentia era amor em sua mais verdadeira forma. Porque isso foi tudo o que vi em seus olhos mesmo você insistindo dizer que foi o contrário: Foi tudo que você viu em meus olhos quando me achou.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Boas Vibrações


Outra história. Outra versão. Contada por outros olhos. De um novo jeito. Um jeito otimista de lhe dar com as possibilidades que se tem. Um jeito de abrir a mente e consequentemente abrir caminhos que te provarão que a vida é movimento. Que sair da zona de conforto é desconfortante e doloroso, mas ainda assim é de uma beleza precisa por tão logo o seu redor tornar-se felicidade. Entender o presente quando não tem sido o que você planejou é frustante, nesse caso abandone o que já foi e comece de novo. Uma. Duas. Três. Quantas vezes você já se viu tendo que recomeçar? É por isso que chama-se presente. Deus sempre dá o hoje pra você refazer de uma nova forma, por outro ângulo, sob um novo ponto de vista o seu inadiável recomeço. 

Queira e mentalize, desperte e acredite. Busque a sintonia dos sentidos e refaça sua força através da fé. Alimente sua fé para que seus projetos não sejam pequenos, não deixe o que é grande ser chamado de impossível quando a conquista da realização dos seus sonhos só depende de você. Mude suas vibrações, se nossos pensamentos emitem uma frequência, mentalize sentimentos positivos para que estes retornem pra sua vida. Seja grato por todas as coisas e atraia gratidão. Ame com o coração e deixe essa sensação espalhar-se por todo lugar. O ser humano tem um poder de cura gigantesco se souber desapegar. Os pensamentos são sentidos. Atraímos o que vibramos. Então seja luz. Seja verdadeiro em tudo que fizer. Limpe as energias e busque mudanças. Cuide de você. Quando nos amamos incondicionalmente é quando descobrimos enfim o amor que merecemos. 

Alegre-se com suas conquistas até aqui, não lamente os erros, as falhas, aprenda com os dias tristes e refaça tudo da melhor forma que puder. Pratique boas vibrações. Alcance a serenidade. Conquiste a sua própria felicidade. Pureza, equilíbrio paz, sol, prosperidade, alegria, fertilidade, nascimento, renascimento, energia. Trabalhe as tríades: Coração, corpo e mente/Conhecimento, vontade e ação. Os mistérios das sete flores e seus sete chakras. Oito pétalas. Oito direções. Oito práticas. Sabedoria é buscar discernimento pra alma. Quando se confia na alma é quando se escuta a Deus. Encontre-se e quando isso acontecer conte sua história. Sua outra versão. Veja o mundo por outros olhos. "Onde quer que viva esse é seu templo se o tratar como tal" - Buda..


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Gravidade


Já encontrou? Aquela pessoa que te lê em segundos? Que despe sua alma com o olhar? Que sorrir, não pra você, mas pra algo que por escolha vai acontecer. Um esbarrão e não, nada de amor à primeira vista. Amor seria trágico demais. Tensão, sobrecarga, emoção, eletricidade, infinidades definiriam a sensação única que envolveu o aperto de mãos. Quem diz que intelectualidade não atrai é porque não o conhece. Tão sagaz, tão perspicaz, tão envolvente. Exibe a beleza que deixaria o próprio Adônis desinteressante. Tem a voz que imaginei sussurrar no meu ouvido desejos intensamente mortais. Eu queria mais. E pedi encarando o dono de qualidades que juntas eu jamais vi em uma pessoa só. Seria infame tentar descrever o sabor dos nossos lábios se tocando com urgência e impaciência. Ele é um tipo de narcótico que você não consegue dizer não. Ele tem o dom da manipulação com intuito de proporcionar o melhor que há no prazer, como se aquelas fossem suas últimas horas na terra. Ele da tudo de si. 

Expostos em busca da perda do fôlego, ansiosos, apressados pela realização de nossas vontades e tudo que havíamos imaginado até aqui. Sua pele não conheci, mas reconheci em detalhes quando toquei seu corpo e me contive em não arranhar suas costas, marcas eram nossa única proibição. Então o segurei o mais forte que pude e fechei os olhos pra aproveitar a entrega absoluta. A inocência foi deixada de lado no momento em que nos pertencemos, abraçados, molhados pelo suor, sem respirar, com meus dedos entrelaçados em seus cabelos. Perto. Mais perto. O suficiente pra roçar sua barba no meu rosto, no meu pescoço enquanto procurava sua boca pra beijá-lo mais uma vez. Dessa vez com calma, tranquilidade, sossego e silêncio pra ouvir apenas a diminuição dos nossos batimentos cardíacos. A sobriedade do encaixe perfeito. Não havia mundo porta a fora e ali eu só queria permanecer o máximo de tempo que não tínhamos mais. 

Eu encontrei. A pessoa que me leu em segundos. Que despiu minha alma ao me olhar. Que sorriu sem saber que nossas escolhas nos levariam a uma conexão magnética por vivermos em lados opostos. Se não fossem as diferenças e o encontro interessante por ser tão improvável não haveria curiosidade recíproca. Não há limites ou impossibilidades pra duas pessoas que são atraídas pela epiderme. Ou por uma intimidade intelectual. Espiritual. Uns chamam de loucura, de atitude irracional, mas esses jamais sentirão as veias queimarem pela paixão e acredite, poucas pessoas tem o privilégio de viverem o extremo de um instante quando cada reencontro já é despedida. Por isso não se engane, os presentes da vida tem seu preço e a saudade silenciosa é um deles. Calar o que sente é um valor alto demais quando ao se afastar uma parte é sempre deixada do lado de lá. Contudo, é um preço que me dispus a pagar. A lei da gravidade é absoluta não adianta querer puxar, exige um gigantesco esforço. Mesmo esperando inconscientemente que voluntariamente ele reapareça pra fugir comigo. Só existe uma forma de contrapor essa lei: o empenho próprio de não mais me contentar em permanecer no  mesmo lugar.

Texto de Dheysse Lima e W. Marianelli

segunda-feira, 5 de junho de 2017

E-mails


Datados de 2011. Os e-mails, sabe? Encontrei, certeza de que não são nem 1% de todos as mensagens que trocamos desde 2009. Mas alguns surpreendentemente estavam lá, esquecidos pelo tempo. Quem verifica a pasta "enviados"? Eu pelo menos não. Cinco, dez, quinze, vinte minutos encarando o seu nome no destinatário. Anos se passaram sem que eu pronunciasse seu nome ou falasse em você. Não falo sobre você. Não procuro saber, não questiono o destino e os seus porquês. É só que as palavras, elas eternizam, se escritas não se perdem, é como se o sentimento que existiu naquele momento envolvesse as frases e fincasse em pedra ali. Foi o que senti quando corajosamente abri o primeiro e-mail. Se eu fechasse os olhos poderia até ouvir o som da sua voz. Ser a princesa dos anos com você foi especial demais, foi uma paixão ardente, avassaladora, louca e imatura, imatura sim, nós contra o mundo. O mundo que nos venceu. Triste fim sem despedida o nosso. 

Segundo, terceiro, vigésimo quinto e-mail, o seu último também encontrei, outubro de 2011, você escreveu no final "manda beijo vai". Depois desse dia nunca mais tive notícias de você. Não investiguei, não remexi, não busquei, não pesquisei os motivos. Deixei você ir. Partir. O tempo correu enquanto me mantive ocupada, sempre ocupada, sem espaços pra imaginações ou lágrimas. Não chorei, olhava pro espelho e obrigava o meu corpo a não desmoronar. Obrigava a minha mente a não voltar a todas as memórias que contruí durante quase 1000 dias com você. Se você tinha se permitido seguir por que eu teria desculpas pra não fazer o mesmo? Eu apaguei cada detalhe, eu excluí cada papel, palavra, texto. Eu rasguei fotos. Adormeci os sentimentos e assim sobrevivi. Se sua vida é perfeita eu não sei, se os filhos que você queria ter tornaram sua felicidade maior eu desconheço. Ainda me recuso a ter qualquer informação da vida que você construiu sem mim. 

Pra quem ama o tempo passa, o tempo dissolve as lembranças, se não há memórias gravadas em algo físico que podemos tocar ou ver então o tempo dissipa a realidade e desfaz lentamente a nossa faculdade de guardar e conservar fotografias mentais. Foi o que o tempo fez comigo e o sentimento único raro que eu já senti por outra pessoa. Por você. No entanto, o tempo em seu sábio silêncio quando lhe concedemos algo importante como a escrita de e-mails antigos, tudo vem à tona, o nosso primeiro aperto de mão como se tivesse acontecido ontem, os batimentos acelerados e a sensação de que o dono daquele sorriso se tornaria um amor inviolável. Nós fomos do céu ao inferno juntos. Nós fomos juras e planos futuros. Nós fomos a espera reciproca por cada reencontro. Nós fomos compromisso e discrição dos segredos que levaremos para o túmulo. Nós fomos o desejo e admiração mútua que nos uniu. A distância não suportou a separação imposta por nossas responsabilidades. No fim você fez o que eu disse pra fazer: "Quando você tiver que me deixar, não quero despedidas, só não me mande mais nenhuma notícia". O tempo assentiu e seis anos depois eu finalmente me permitir chorar. 


terça-feira, 30 de maio de 2017

Doze Meses


O que diabos eu tô tentando fazer? Sentada aqui com essa inquietude causada por essa data. Péssima data. Uma última tentativa de não dar atenção pra todas aquelas lembranças enterradas distantes de mim. Quem poderia prever que me sentiria assim? Insegura e perdida. Essa data é a memória do meu mais inquestionável erro. Descuido. Engano. O tempo obscuro e invernal que mergulhei e permaneci imersa até quase enlouquecer. Foi cruel sentir o relacionamento perfeito escorregar pelos dedos através de uma falsidade interminável. Parece dramático, mas garanto a você que as lágrimas definitivamente podem manchar e marcar. É por tantas e outras que não volto lá. É por essas que enfrento esses dias como normais porque natural é o que eles são. E eu, eu continuei. Segui. Fiz escolhas diferentes daquelas que disse que faria quando você ainda insistia em segurar minha mão.

Olha só, pra você ver, eu tinha certeza que você jamais me soltaria. Você tinha brilho nos olhos quando acordava ao meu lado pra ouvir o barulho da chuva no telhado. Esse som deixou de ser a minha música favorita quando a chuva passou a despertar o outro eu que parece não querer esquecer você. Mas há um lugar longínquo em que mantenho meu outro lado que por distração raras vezes consegue aparecer. É essa data que perturba meu equilíbrio, me tornando instável, emotiva, me fazendo oscilar entre o que sinto e o que não quero sentir. Porque não se engane, ainda que eu tente salvar recordações bonitas elas se tornam insuficientes, pequenas, desimportantes perto de todas as falhas e deslizes cometidos por você. Quando as lembranças insistem eu fico inquieta, eu silencio mentalizando toda sua imperfeição como homem, então meu coração acalma e permaneço tranquila em saber que você não passa de um lapso causado por uma data. Por esses doze meses que se passaram desde que você fez o que de melhor sabe fazer na sua vida: Fugir.

Se me questionarem se um coração quebrado ainda pode bater? Eu não sei. Tô juntando devagar o restante dos estilhaços que você espalhou sem pena. Triste, não é? Não. Eu só não me sinto pronta pra entregar abraços e receber corações. Depois do inverno, o verão chegou pelas mãos de duas pessoas incríveis, mas o problema dos erros é que eles não estão estampados na face de ninguém. Eu não me permito permanecer sem estar inteira pra me quebrar uma segunda vez. Não sou ingênua pra acreditar que você é meu último tropeço. Minha última mancada. Virão inúmeros caras errados com intenções de fogo de palha, dispostos a ser o doce e o amargo na vida de alguém, sabe como é, não sabe? Eu sentei na frente dessa página em branco me perguntando o que diabos estava tentando fazer? Agora sei. Eu precisava te agradecer mais uma vez por me tornar tão forte. Forte o suficiente pra quando me senti insegura e perdida olhar pra trás e ter a certeza que essa é uma péssima data. Mas uma data que existe pra eu nunca esquecer de não me envolver com caras como você. 


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Senhorita


Me leva, me coloca em teu sonhos, me transforma em realidade. Abre essa porta e me entrega as chaves. Volta pra mostrar o caminho do qual saí, do qual me perdi, o qual preciso trilhar. Ao seu lado. Com você. O sol meio que escureceu com toda essa ausência, o espaço que pensei precisar só serviu pra ouvir o eco dos meus próprios pensamentos. Nem o café esquentou o frio do lado de cá, nem aquele chá de sabor agridoce foi capaz de animar os dias. Vi através da janela a esperança tardia de estar nas tuas lembranças. Como posso pedir pra me deixar entrar quando partir foi decisão minha? Parte de mim pensava ser completo, mas como alguém pode ser completo quando se é metade? Eu sinto sua falta senhorita e mesmo que ouse duvidar permaneço aqui. Crio raízes apesar de tudo ao redor ser insossego. Não é segredo que quero ficar.

Pressa de vir confessar erros, falhas e arrependimentos. Calma pra esperar o tempo necessário que alcance seu perdão. Permaneço no limite, mas não me assusto com a lei que diz que o amor pode ferir, se há força na dor encontro coragem pra ser cura. Minha e sua. Abraça meu corpo e se aninha em meu peito, afago teus cabelos e me permito finalmente estar em casa. O abrigo do qual não esqueço e o único onde aprendi a me sentir vivo. Vi por detrás do espelho o rosto cansado da desistência e das incertezas. Insuficientes foram os motivos do temporal que causei por medo de pertencer. Mas seria eu feliz se o único lugar onde eu pertenço é com você? Eu sinto saudades senhorita, da tua distração, da tua voz afinada sem saber dedilhar no violão. Não vou a lugar algum sem fazer de você minha serena companheira. Minha melhor companhia.

Outra chance. Pra mim. Pra gente. Se sou o cara errado, assumo. Se sou construído de defeitos, concordo. Entretanto, se há uma única possibilidade de arriscar, se joga. Mais uma vez. Sem promessas. Sem clichês. Sem ansiedade. Me mantenho perto e espero. Sei que me atrasei e peço desculpas, foram necessários estreitos passos pra trás pra finalmente ter o impulso necessário para saltar nessa escolha que é amar. E se todo o amor que nos envolveu é o que você ainda sente, não desiste. Insiste. Me aceita, me devolve a sua crença, sua confiança. Eu ofereço minha mão. Segura. Se esse é o nosso tempo certo, não te solto nunca mais. Pra você estarei presente. Serei o cuidado. Serei a tranquilidade. Você, senhorita vou amar. Se a chance não vier. Continuarei a cuidar. Em segredo. Em silêncio. Mas se o sim for sua decisão aqui permaneço em perfeita entrega. Com suas chaves no bolso e a eterna felicidade dos dias que vou te dar.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Entrelaços


Te vejo e escuto com toda atenção que nem me reconheço. Te empresto ombro, braços e beijos educados no rosto. Difícil inventar disfarces quando a mente prepara mil versões de nós. Juntos. E é tão injusto esse sentimento unilateral silenciado pelas possíveis consequências de uma declaração. Mas não. Não me rendo. Embora seja descuidada em indiretas que você nunca vê. Você nunca vê o quanto me dissolvo em admiração que sem esforço conquistou. De perto é como se conhecesse todas as versões de você e tivesse me apaixonado por cada uma delas. Descuido esse que por instinto me fez abrir mão involuntariamente de pessoas que pareciam importantes. Não são mais. Convenço o coração de que paciência é virtude, mas o meu signo, este discorda claramente, quer tudo pra ontem, pra hoje, pra já. Quer você aqui. Quer você andando pela casa, pelo quarto, quer você me contando seus medos, seus defeitos e todo o passado que te trouxe até mim. 

Se foi por querer me perdi. Se foi planejado não consenti. Quando me vi tinha nervosismo e uma pressa por cada reencontro, cada ponto de um destino que sequer imaginei. Me desculpe, no seu mundo há mais dor do que suponho, há mais insegurança do que transparece, parece que você tem bem mais a oferecer do que me deixa perceber. Então paro e espero por ser vista, reconhecida e aceita pra tentar ser bem mais do que ombros, abraços e beijos no rosto. Quieta e paciente durmo e acordo com a certeza de que todo dia é a oportunidade pra você descobrir que nessa vida nada é por acaso e que a espera é a maior prova de um sentimento bonito que alguém pode ter pelo outro. Então me calo, escondo pensamentos, fantasio a sinceridade e sorrio de mim mesma com a ideia de amizade que já não convence ninguém, talvez nem a você. Se tudo que a mente produz o universo concretiza. Me dou por satisfeita. Você tem nas mãos o tempo que quiser e precisar. 

Com cuidado permaneço. Com cuidado fico. Medo? Tenho, mas em você aposto e acredito. Se no final isso for um erro. Que seja. Quem tanto renasceu da dor não possui medo de recomeçar. Então por que não vem comigo? A gente faz a promessa de uma amizade inquebrável se o querer for recíproco. Acorda ao meu lado e descobre que a manhã pode ser bem mais divertida se não tivermos medo de viver. Se você tiver dúvida, te apresento a certeza. Me deixa ser a certeza. Me descobre. Leva a sério as minhas tantas brincadeiras. Me veja e ouça com a atenção, me refaça inteira ao juntar os pequenos detalhes que entrego nas entrelinhas, nos entrelaços. Te fiz destino para os meus passos. Enquanto você for meu querer não volto atrás. Não corro mais. Eu sei, há um limite pra tudo e nós? Nós somos amigos, mas podemos ser o que quisermos. Você já deveria saber... Não é?




terça-feira, 9 de maio de 2017

O Destino sob Meus Pés



Então, mudei. Não, dessa vez não foi a cor do cabelo, embora eu ainda queira pintar de azul.  Não, também não foi a cor preta do esmalte e nem o insistente vermelho do batom que uso. Mudei e quando fiz isso me surpreendi com o quanto não lamentei a partida. Minha ida dividiu a linha do tempo em antes e depois, devo confessar que o desconhecido tem um charme bem atraente se visto pelos olhos do futuro. Cá estou deslumbrada com as possibilidades que o amanhã trará, cá estou sem muita bagagem, excesso é desnecessário quando o que preciso está sob os pés, a única mala que me acompanhou trouxe apenas a vontade de viver o novo. Um novo cuidadosamente preparado e planejado com todo carinho por uma Força Maior que crê que mais uma vez posso recomeçar. E definitivamente, eu posso. Por isso, mudei.

Mudei e as despedidas? Não dessa vez. Não quis olhos marejados, não busquei abraços demorados, dispensei aquela sensação dolorosa de estar nos braços de quem não vou ver por um longo tempo. O que distribuí por onde passei nos últimos dias foi um sorriso sincero por ter ao meu lado as melhores pessoas que existem no mundo. Aproveitei a companhia, a conversa, as risadas e a boa música de toda aquela gente bonita que carrego no coração. E acredite, se você é alguém de quem não me despedi é porque seria difícil demais olhar pra você e não saber quando vou te rever. A ideia de mudar não é somente entrar no avião e ir, faz parte desse ciclo deixar velhos erros no passado, até porque preciso de um espaço maior pra cometer os novos deslizes, dar as novas escorregadelas e achar graça de tudo depois. Pessoas também são erros. Só pra saber. 

É, eu sei, o tempo é o presente mais bonito que Deus nos dá. Logo ele, esse tic-tac que as vezes é nosso amigo e que em outras vezes não é. Que te consome em ansiedade quando a espera é interminável. O tempo que te dá uma rasteira quando tudo que você quer é mais tempo pra aproveitar as amizades, a família, os momentos especiais acelerados pelo ponteiro do relógio que gira sem parar. O tempo que te entrega o presente com a condição de que você o viva no nível máximo porque ele não permite voltar. Tempo. Tempo. Tempo. Sem planejamento tudo aconteceu. Tão rápido. Então mudei e tenho no coração a coleção de presentes porque vivo o extremo dentro das minhas possibilidades. O tempo, esse que pra mim sempre foi feito de chegadas e também de partidas. Já fui e cheguei tantas vezes que não suporto mais despedidas. Sem olhar pra trás, mudei.

Dizem que quando você muda de cidade você pode ser quem você quiser. Nesse caso, quero ser a garota bem humorada e divertida, vestida de páginas em branco que serão preenchidas da forma mais incrível, maravilhosa, fenomenal, sensacional, fabulosa e fantástica possível. Porque sem dúvida alguma é como me sinto desde que cheguei aqui contemplando aquelas luzes que transmitiam boas vindas ao meu destino. Tem felicidade demais do lado de cá. É liberdade traduzida em desapego, sabe como é? É mágico. Dizem que quando você muda de cidade a memória do que já não faz bem é substituída por tudo que um novo lugar é capaz de proporcionar. Em 48 horas as recordações permutaram e só percebi quando no fim do dia recostei minha cabeça no travesseiro e em paz com o mundo e comigo mesma adormeci. Irrefutavelmente, inegavelmente e indiscutivelmente, sim, eu mudei.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quarto Cavalheiro



Desaparece. Aparece. Reaparece. Quando vem é bagunçando a mente e o corpo. É arrastando escada a baixo o pouco de senso que tenho. Pra ele assumo que sempre estarei aqui, esperando, embora nunca perdida. Esperando ainda que eu não saiba exatamente o quê. As promessas dele levo a sério, mas acho graça do encanto que suas palavras transmitem quando faz de conta que quem o deixou fui eu. Não tivemos partida. Nem despedidas. Mas diversos e cômicos desencontros cheios de raiva momentânea e juras de que finalmente um dos lados havia se cansado. Só que o adeus, esse nunca chegou, assim como a realização daquele desejo escrito e descrito em um verso de um receituário qualquer.

Uma carta manuscrita foi o presente mais lindo que uma amante das palavras já recebeu. No entanto, de incerta me faço, não procuro por respostas e nem faço as perguntas que não quero saber. Ele desaparece e leva o carinho e a preocupação com os quais me acostumo quando ele está aqui. Cuidado que me ganha por uma voz fácil de reconhecer. Fecho os olhos e me deixo ser levada pela imaginação que ele conduz quando questiona se pode me segurar em uma dança até que eu seja sua. Devagar, sem pressa, silêncio, respiração, mãos, gemidos. Reticências. Imaginação. Assim nos divertimos, sorrimos e vamos embora um do outro mais uma vez sem contradições ou confusões.

Nossas confissões ficam guardadas por uma admiração mútua e imperfeita. Tranquilidade nos rodeia e se isso não é amor, há de ser um sentimento que nenhum dos dois saberia dizer. Esqueço, mas o tempo não nos afasta. Se ele vem me tira do conforto, me puxa pra fora, me faz sentir viva. Dou de ombros e admito que dele sinto falta, que da sua voz preciso da calma. O seu sumiço não me desaponta. Ele não me decepciona. Assim como não me desencanta não saber o gosto que tem seu beijo. Ou o seu corpo. Não me agarro ao que não aconteceu, paciência é a arte de quem vê o amor como algo livre. Essa é a lei suprema dos mortais.  Então permito que desapareça, apareça, reapareça e que se longe não se perca e que se perder ache nos textos que escrevo o caminho de volta pra mim porque o equilíbrio que ganho ao seu lado não encontro em mais ninguém.




segunda-feira, 27 de março de 2017

Uma Homenagem de Todas Nós






Uma homenagem de todas nós: Maria Lúcia, Clarisse, Leila, Mônica, Fátima, Natália, Mariane... Raiane e Dheysse.

Me apaixonei por ele muito cedo, foi amor à primeira vista, tempos de escola. Um amigo nos apresentou, me recordo como se fosse hoje. Aos poucos fomos nos aproximando e tudo o que ele dizia parecia fazer tanto sentido, eu como toda adolescente revoltada não tinha uma boa relação familiar e ele sempre me dizia que eu também não entendia meus pais, afinal eles eram apenas crianças como eu. Pela primeira vez comecei a perceber que eles tivessem razão. 

Comecei a compreender naquele momento o porquê nunca gostei de ouvir as músicas que minhas amigas adoravam e que pra mim não representavam nada. Eu estava esperando por ele, meu primeiro amor. Tudo começou a fazer sentido, uma explosão de sentimentos que estavam surgindo e eu nunca entendia nada. Era choro, era alegria, era saudade, era desilusão. Tudo na vida de um adolescente ganha proporções planetares e na minha então, que sempre fui muito emotiva, parecia o final dos tempos, sempre querendo provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém, mas ele estava lá. Tinha uma canção pra cada momento, as letras me entendiam e sua música tocava minha alma. Após uma noite de choro e lamentações, no dia seguinte, quando o sol batia na janela do meu quarto eu então estava bem, pronta pra recomeçar. 

Fui crescendo e amadurecendo e ele sempre presente. Ele me ensinou que todos temos nosso próprio tempo. Alguns falam que é exagero, porém são 16 anos de um amor incondicional, sem cobranças, sem culpas, sem arrependimentos. Anos de aprendizado. Quem me conhece sabe o tanto que amo música, o tanto que é libertador para mim e tenho plena certeza que minha vida não seria a mesma se eu não tivesse conhecido Renato Russo e apesar de não ter conseguido meu equilíbrio - pois insisto em cortejar a insanidade - parte do que sou hoje eu devo a ele, és parte ainda do que me faz forte. Só quero dizer muito obrigada por tudo que me ensinou. EU TE AMO e essa é minha singela homenagem. Parabéns onde quer que você esteja.

Strawberry fields forever...

... E realmente a tempestade é da cor dos teus olhos castanhos.

Texto escrito por Raiane Gomes





segunda-feira, 13 de março de 2017

Persuasão



Ainda que fosse imaginado não seria tão perfeito. Tem graça nos seus modos, distinção do que é certo e errado, posso dizer que há sensatez em suas palavras e racionalidade em tudo o que gira em torno do seu próximo passo, a meu ver não há nele traços de inverdades, ele é real demais, astuto e encantador. Faria mais elogios se me permitisse, é claro que sobretudo há modéstia de que nada mais deva ser acrescentado. No entanto, minha atenção é requisitada quando faz de sua conversa a mais interessante, o tempo não pára o que apenas aumenta a vontade de nos perdermos em horas de curiosidade mútua. Ele me faz querer mais. Mais do momento. Mais do que pensamentos. Mais das reações que os efeitos dos nossos pequenos toques são capazes de nos fazer sentir. Eu decido fazê-lo querer pedir por mais. 

Como se ela usasse linhas de conexão. Não consigo ficar longe, não consigo pensar em mais nada que não seja o jeito despreocupado ou a forma como ela sorrir e encara a vida. Não se importa com olhares alheios, com julgamentos do certo e errado, tem certeza das sensações que deseja, tem uma sede insaciável por tudo que ainda não viveu. Há malícia em suas atitudes, ainda que irracional sabe bem o que fazer e com isso me desperta um interesse inevitável. Não há dúvidas no modo em que se define: é determinada, confiante e fascinante. Ela me deixa sempre com a curiosidade do que esperar no dia seguinte. Eu só posso pedir por mais. Mais do que sinto quando trocamos toques. Mais do instante em que permaneço ao seu lado. Mais dela e de tudo o que sei que podemos ser e fazer juntos. 

Tão transparente e seguro. Ele me faz querer ficar onde eu quase não fico. Não sei construir morada, me faço de areia e escorrego entre os dedos. Minha certeza é nunca permanecer. Sou os passos antes do amanhecer. Mas ele? Ele tem fé que no dia seguinte eu esteja ao seu lado, pois é audacioso pra acreditar que pode me apresentar a vida que ainda não vivi. É difícil raciocinar quando seus olhos não expressam confusão, equívoco, quiçá ambiguidade de intenções. Ele é firme, pelo que constato já se adiantou em pesar os prós da conquista e os contra do passado sobre qual desvio constatemente com bom humor dos seus questionamentos disfarçados de total desinteresse. Isso sempre me faz rir e ponderar a ideia de que a admiração e sem dúvida a paixão que nutro por ele possam ser fortes o suficiente para deixá-lo me fazer feliz. 

Incrível como ás 6 horas do dia errado ela já não está ao meu lado. Leva nos passos todas as memórias. Não restam nenhum dos seus pertences pelo chão. Eu sorrio. Não há nada que me faça desistir de vê-la acordar em meus braços e não tenho pressa alguma. Quando os sentimentos dela se tornarem fortes o suficiente serei eu a lhe apresentar o mundo de sensações que ela nunca conheceu entre o amor, a felicidade e o prazer. Enquanto isso sigo pensando o quanto mais quero desvendá-la, decifrá-la, conhecê-la mesmo que ela se apresente indisposta. Ela não fala sobre o passado. Nunca. Entretanto, não impede minhas perguntas, ouve com bom humor minhas falhas tentativas de saber se sempre foi feliz com tanta tenacidade. Na verdade, não importa que não tenha sido e sim que ela continue sendo o que é menos do que será quando me deixar fazê-la feliz. Indubitavelmente e ardentemente. 




domingo, 5 de fevereiro de 2017

Sexta-Feira Sempre Chove





É sexta-feira. Os últimos dias são sempre sexta-feira. Tenho que vir e perder você entre os dedos que não conseguem mais segurar. Tenho que vir pra assistir silenciosamente você distribuir notas e sorrisos que não são pra mim. Não posso me mover. Não posso abraçar você no lugar dessa saudade. Não posso te pedir pra dormir comigo como tantas vezes fiz. Tenho que vir e ouvir desatenta a sua voz enquanto todos perguntam se ainda estamos juntos. Não. Não estamos. E é sexta-feira. E tenho perdido a conta das noites que sou obrigada a vir até aqui e fingir que está tudo bem. E chove, chove o tempo todo, por que sexta-feira sempre chove? 

Mantenho as mãos livres e o copo vazio, enchê-lo é dar espaço pra trair a mim mesma seja através desse celular que não chama por você, seja através dos meus pés que se recusam a te procurar. Procurar você é abrir caminho pra você dizer o que sei de cor. Sei de cada não. Sei de cada chance que não dei. Sei das vezes que te soltei. Sei das notas que eram pra minha voz e nunca cantei. Sei dos abraços que recusei por querer braços que não eram os seus. Sei dos seus conselhos para os quais nunca dei a mínima. Eu sempre soube me cuidar. Não sei mais. Porque sinto falta dos seus cuidados. Eu sinto uma puta falta de você. 

É só que hoje é sexta-feira como naquela vez em que me mandou embora. E chove como quando fui embora e me molhei inteira. E faz frio, o mesmo frio da madrugada em que senti nos ossos a dor por ter decepcionado cada parte de você ao te fazer de distração, de um lugar temporariamente ocupado enquanto alguém fazia de mim infinitos desencontros. Eu devia ter ficado quando você me mandou voltar pra cama. Era tão cedo pra ir. Tão tarde pra adormecer. E agora tô plantada aqui. E essa chuva não para. E não posso ir porque tá frio pra caramba e tô parada nessa porta contando os pingos e inventando um montão de artifícios pra não te deixar pra trás quando o que mais quero é ir até lá e te pedir pra ficar comigo confessando que tudo deu errado, mas que antes de dar errado eu já tinha voltado e procurado por você. Mas é tarde. Tão tarde e eu tô sempre atrasada com minhas desculpas, minhas esperanças e minha imensa vontade de não mais deixar você.

Tenho sido repetidamente o quinto dia da semana em que tenho que vir e me desacostumar a não te ter. Eu só quero voltar no tempo, deitar no teu peito e aquecer os meus pés com os seus enquanto a gente rir e conversa sobre aqueles inúmeros textos, personagens e histórias que não fazem mais sentido algum desde que você me encontrou sentada nesse bar ouvindo você. Me deixando cantar com você. Mas só chove e eu desisto, eu sempre desisto. Porque continua a ser sexta-feira e essa música não me deixa esconder a vermelhidão nos meus olhos. Não. Não estamos juntos e decido parar de contar os pingos e enfrentá-los de uma vez. A multidão abre pra me passar enquanto tudo que consigo escutar é sua voz cantando aquela parte que eu adorava sussurrar pra vocêÉ só que hoje é sexta-feira. E na verdade os últimos dias são sempre sexta-feira. E sexta-feira sempre chove.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

Serve Outra Dose


Recolhe essa dose. Eu passo em frente. O gosto doce de embriaguez fácil se tornou enjoativo. Dispenso essa bebida que não esquenta, não queima, não possui efeito na mente e nem no corpo.  Na verdade, essa garrafa é daquelas de embalagem bonita, de rótulo perfeitamente comercializado que desperta um interesse inevitável de provar o sabor por ser novidade. Não há curiosidade que resista a um gole que seja. A cor convidativa abre as portas: É pegar ou largar. Pode guardar, sinto muito, esta não atendeu as minhas exigentes expectativas, a porção chega, foi mais que o suficiente. A propaganda foi totalmente ilusória. Falsa. Manipuladora. Mentirosa. Eu já confessei? Odeio mentiras. Elas sempre são acompanhadas de um texto decorado e um rosto tranquilo. Os mocinhos passam confiança intacta,  é quase impossível desconfiar das respostas tão seguras, tão firmes e cheias de convicção. Não há hesitação na historinha ensaiada e contada, mas o que podemos esperar de alguém que as repetiu tantas e tantas vezes? 

Coloca na adega, desse álcool batizado quero distância, não serve nem pra degustação, continuar a beber desse liquido é causar desprazer e uma completa insatisfação a mim mesma. Como poderia eu elogiar tal conteúdo falsificado? Foi desleal me oferecer algo tão descartável e sem qualidade alguma. Por sorte ao descobrir as inverdades que o mocinho pérfido contou pude distinguir o veneno que descia pela minha garganta mascarado pelo sabor adocicado. Mentiras. Sempre tão belas na voz de sedutores impostores. Soam tão reais, tão encantadoras. Como duvidar?  Acreditei que aquele copo facilmente servido me possibilitaria as sensações prometidas, mas no máximo senti aversão e repúdio ao ouvir as delações de quem já havia provado da mesma bebida e ao contrário de mim conseguido se embriagar com êxito. Foram inúmeros convites a diferentes paladares, seria eu a única garota a ter descoberto o objetivo do jogo sem querer? 

Serve outra dose. De outra bebida. Outra qualidade. Pode misturar sabores, usar várias garrafas, Aceito um drink, então capricha. Se não for pedir muito acrescenta tequila. Quero que essa medida faça valer a pena o meu tempo, que destile o meu sangue e que seja forte. Quero sentir a verdade arder. Aproveita que tô no balcão do bar e serve flambado, quero fogo sobre o copo.  Me conceda a chance de virar tudo de uma só vez e esquecer que quase me deixei cair em tentação. Esquecer que desejei o que já passou por tantas mãos. Por isso moço agora quero somente do sabor que já conheço, mais do mesmo, nada que seja excessivamente doce, o amadeirado sempre consumiu mais dos meus poros. Essa sim é a sensação autêntica, nada submerso, nada encoberto, nada omitido, tudo enfim revelado, nomes e tempo. É o prazer da legitima sinceridade. Prazer esse desconhecido por quem tentou me vender caro demais o que não possuía valor algum. 

"Bebe e diverte-te pois nosso tempo na Terra é curto e a morte dura para sempre." (Amphis)


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Me Deixa Falar de Amor...



Nessa loucura de indecisões e futuro desconhecido. Nessa aventura de dias ruins e dias bons. Nessa maluquice que é acordar com a sensação de que a manhã será incrível e ir dormir tentando não se cobrar demais por ter falhado mais uma vez. Em meio a um oceano de pessoas desinteressantes, erradas e sem valor, eis que a vida e a tecnologia me presentearam com alguém incomum. Alguém único em sua forma de me encantar ao dialogar sobre as coisas que desinteressam o mundo, mas que pra mim fazem todo sentido.  Alguém espetacular. Singular em seu jeito de me encontrar, conquistar e não mais soltar.  Alguém que me faz vestir o melhor sorriso. O sorriso distraído e por vezes tão descontraído. Alguém que me faz acompanhar seus passos pela habilidade que desenvolvi de não conseguir parar. Esse laço de beleza estranha me faz ficar pra admirá-lo com o olhar de quem não quer ir embora. Embora ir seja minha última opção.

Ele canta. Mas não é mais um que canta. Ele encanta e pelo som da sua voz eu ficaria com fones de ouvido eternamente só pra ouvi-lo mais perto. Ele compõe. Mas não é mais um que compõe. Suas letras me mostram o meu melhor lado. O melhor caminho. A sua música transmite a paz que desconheço, que há tempos não vejo, mas que agora consigo sentir e tocar. Então eu fecho os olhos, eu me balanço e o mundo se perde sob meus pés com o restante da esperança que não sou boba de declarar. Eu inutilmente me desvio da criação de tantas expectativas. Expectativas são poderosas, incontroláveis, possuem vida própria assim como a energia que ele possui.  Energia que me atrai, que me puxa, que me faz ficar e eu já  não quero ir a lugar algum que não esteja ao alcance do seu coração. Ou de suas mãos.

Esquecido por seus medos. Provo que não há engano. Provo que ele tem mais a oferecer do que imagina. Provo que sua música é incrível e que através dela eu já fui salva de mim mesma. Provo que seu humor transforma tudo. Ele é a luz que renovou minhas memórias. Que me desprendeu das antigas histórias. Que contou e cantou os desejos de ser alguém que vale a pena. Ele vale a pena. Ele dança. Mas não é mais um que dança. Ele dança e envolve. Nos seus braços me consumo em saudade mesmo ele estando ali. Tem sintonia, maestria em sua personalidade, ambos temos fé. Fé de que o passado se foi e o presente é benevolência de uma força maior. Eu só agradeço. Com ele é sempre verão. E o sol não queima, apenas aquece. Ele é o meu farol, ainda que eu perca o caminho, ele me guia, me orienta, me direciona ao seu reencontro. Perto dele acredito no impossível. No seu peito encontro abrigo, morada, descanso, paz. Ele é o meu lugar. O meu final feliz.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Lírios e Delírios



Desvelo, carinho, afeição e até perdão. Há inúmeras formas de demonstrar o amor. Se é assim, então posso afirmar que o amei. Amei pra valer o moço de cabelo bagunçado, jeito errado e sorriso radiante. Amei com energia necessária pra reviver a alma de alguém que parecia está longe demais. Amei com disposição severa que foi quase impossível desistir. Eu só queria enfrentar o que fosse pra me manter perto o suficiente pra não vê-lo perecer por um passado difícil de esquecer. Me mantive de pé escondida através dos óculos escuros pra não deixar transparecer as lágrimas da minha fraqueza em não conseguir ajudá-lo. Cada vez que eu voltava tinha determinação no meu coração, esperava que minha amizade tivesse o poder de fazê-lo mudar de ideia, mas o moço de rosto feliz e olhos tristes não se permitiu ficar. Nem por ele. Nunca por mim

Dor, sofrimento, mágoa. Absolvição. Há inúmeras formas de torturar a si mesmo por algo que está fora do alcance. Fora de controle. Eu segurei a sua decepção. Eu ouvi cada conto sem demonstrar incômodo. Não podia nem expressar minhas verdadeiras feições. Me desculpe, jamais estive no controle e agora me recuso a continuar sendo a ajuda quando sou pequena demais até pra mim. O sentimento uma hora perde a intensidade quando a reciprocidade não é o bastante. Tudo está se transformando e mesmo que ainda o ame não quero atender suas chamadas. Perto de você a sensação que tenho é de que estou sendo puxada pra baixo, sendo consumida por sua aflição, sendo queimada por um desejo que vem e vai fácil. Há outro rosto na sua mente. E outro corpo no seu coração. 

Superação, resistência, vontade. Adeus. Há inúmeras formas de explicar sobre o que me levou a ir embora. Amor próprio porém é a razão mais significativa. Você pode amar, você pode cuidar, você pode perdoar, mas quando resolve pesar a felicidade, se a medida for insatisfatória então pare de lutar. E eu? Eu não quero mais lutar. Não quero mais ser o apoio. Não quero ter esperanças. O moço é incrível, mas irrealizável. Agora entendo que não há mais nada a fazer a não ser abrir mão e desistir. Partir. E finalmente deixar a inevitável chuva nos meus olhos borrar essa maquiagem. É como se finalmente pudesse ser quem sou. Sou fraca. Sou forte. Sou alegria. Sou tristeza. Sou sinônimos e contrários. Sou oposto. Sou inconstância. E nunca fui tão feliz. Um dia, ah, um dia trilho o caminho de volta, te reencontro e conto como foi fácil te amar. Difícil foi permanecer ao seu lado sendo invisível e insuficiente pra você.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O que pensa um coração os gestos raramente confessam


1 
Amor e suas premissas O amor sobrevive a tudo quando existe respeito. Quem não respeita seu relacionamento não valoriza a si próprio e não tem condições de fazê-lo por ninguém. Quando o respeito é o principal indicador de caráter, nem dinheiro, nem amigos de copo, nem redes sociais e/ou circunstancias facilitadoras serão pontes para desconfiança e infidelidade. Amor é vida, o respeito é gêneses, o companheirismo é a força. E a fidelidade? segundo Johann Goethe: “É o esforço de uma alma nobre para igualar-se a outra maior que ela”. Suportar o contrário é falta de amor próprio. 
2 
Das coisas que dessa vida nunca compreendi é a disposição que uma pessoa tem de ser gentil quando machuca o outro. Será medo de que naquele momento a lei do retorno lhe bata a porta? Será uma forma covarde de ter o que quer nas mãos se convencendo que tudo lhe será sempre do mesmo jeito como e quando lhe for conveniente? Ou na mais otimista e romântica das hipóteses: Será sua forma de arrependimento? (...) Ele a teria em sua mais plena beleza se toda essa doçura não fosse para maquiar o amargor de seus maus feitos. De uma coisa tenho certeza: Da mesma forma que você se esforça em ser os melhores motivos que o outro precisa para ficar, este também precisa provar que tem outros milhões de motivos equivalentes para que ali seu coração e alma permaneçam. Daí nasce um paraíso. 
3 
Indagou-me: É só sorrisos com Maria, Pedro, Fátima, Rita, Ana e por que para comigo o mal humor te domina a face? Simples. Não são eles o motivo de minha apatia. E digo mais: Se queres de mim um lindo panorama ofereça-me sua melhor paisagem!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um Milhão de Razões


Não foi o cara que foi embora sem eu ter dito o que sentia. Não foi o cara que me fez de distração por algum tempo. Não foi o cara que nunca me assumiu. Nem aquele por quem me apaixonei por admiração. Também teve aquele por quem pensei estar apaixonada. Depois aquele que terminou por telefone a mais bonita relação. A princípio eu jurava que o penúltimo faria com que acontecesse, mas não. Nenhum deles foi capaz de fazer acontecer. Então você veio. Tecnicamente você já estava aqui. Do meu lado. O tempo todo. Nunca pensei muito na gente. Nunca desenvolvi sentimentos, nem quando começamos a brincar de se beijar por aí sem compromisso e apenas por mera diversão. E tesão. Entretenimento. Meus melhores sorrisos eram com você. As vezes até de você. Pra você. Bom humor não se encontra muito nas pessoas hoje em dia. Me encantei.

Eu desmontei, entre a terceira ou quarta vez, não lembro bem. Me importei com a história que não me envolvia, me importei demais com aquela conversa sobre alguém que adivinha? Mexeu comigo. Os pensamentos sobre você. Sobre não ter você ou sua companhia. De repente me senti tão capaz de me doar e fazer alguém feliz. Fazer você feliz. Senti vontade de segurar sua mão e criar recordações bobas de casais. Estraguei tudo. Tentei mostrar de um jeito tão torto que nem eu compreendi. Desastre define bem. Eu sinto muito. Sinto demais. Sinto as expectativas, a confusão e o teu silêncio que grita mais do que qualquer palavra que você poderia dizer. Não culpo você. É difícil enxergar o que é nítido quando a luz do passado cega a gente. Não culpo você, esquecimento é um processo lento, doloroso, árduo, não, não é fácil desapegar das lembranças de alguém importante. O que mais queremos durante esse tempo é não querer ninguém. Sei como é. 

Todos os últimos caras quando se foram deixaram algum tipo de mágoa ou dor e inúmeros arrependimentos. Meus. Mesmo assim não aprendi nada, nem a desenvolver amor próprio. Repeti os antigos erros. Primeiro com o cara que foi embora sem eu ter dito o que sentia. Segundo com o cara que me fez de distração por algum tempo e assim por diante. Então chegou sua vez. O cara por quem eu não dava sequer a possibilidade de sentir o menor dos sentimentos. Olha só, pra você ver. O maior dos sentimento está aqui sorrindo por tê-lo subestimado. Eu sorrir e de repente tudo aconteceu. O mundo abriu as portas e eu arrumei as malas. Não pra fugir. Pra me aventurar. Na minha despedida eu pensei em escrever a letra daquela nossa música e presentear você junto com a devolução da sua blusa. Disse não pra esse pensamento. Um não satisfatório. Um não ausente de qualquer dúvida. Juntei o um milhão de razões que você me deu pra gente não se envolver mais o um milhão de razões que você me deu pra finalmente desistir. Fui embora.

Quis contar pra você o quanto esses dias estão sendo incríveis. O quanto aquele estudo tem dado certo. O quanto tô empolgada com os ensaios do meu próprio repertório. Optei pelo silêncio.  Te vi de longe pela última vez. Não teve fim. Não tivemos nem começo. Jurava que o penúltimo carinha faria com que acontecesse, mas ele não foi capaz e aí você chegou e fez acontecer. Você me fez amadurecer. Eu aceitei. E precisei repetir algumas vezes pra poder me ouvir. Eu aceitei e essa aceitação foi simples, de uma facilidade, sem esforço, sem arrependimento do que sinto. Sem raiva ou tristeza. Eu aceitei a decisão de não .mais procurar por você. Não mais pedir por você. Não mais ver você. Eu aceitei. Tracei novas metas e mudei. Dois meses depois e ainda não sinto nenhuma vontade de voltar atrás. Você me deu um milhão de razões pra te esquecer enquanto eu só queria uma boa razão pra permanecer. Eu mudei e descobri que depois do amor próprio ocupar o coração não sobra muito espaço pra quem não se faz caber. 


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Deixa Ele Ir



Deixa ele ir. Se não foi capaz de ser a mulher das expectativas do moço, me faz um favor? Deixa ele seguir, ele partir. Para de ficar por aí sumindo e aparecendo toda vez que ele resolve te esquecer. Deixa o moço encontrar alguém que seja o inteiro da metade que você nunca foi. Você nunca foi boa o suficiente, mas ainda assim ele quis fazer de você uma pessoa melhor, porque era assim que ele te via. Ele tinha orgulho danado de você menina. Logo você um arremedo de sentimentos egoístas incapazes de aceitar os defeitos do moço. Defeitos esses quase invisíveis quando ele deixava o orgulho de lado e pedia pra ser feliz com você. E você? Você nunca quis fazer acontecer. 

Deixa ele ir. Guarda pra você as desculpas. Não passa de encenação de quem não se importa. Deixa ele respirar sem pensar nesse falso olhar, nos cumprimentos cordiais, nesses sorrisos superficiais. Guarda seus truques baratos pra usar com outra pessoa, outra moço com o qual você não vai querer futuro algum, mas vai fingir querer. Azar de quem acreditar. Azar dele que acreditou. Quem consegue duvidar de um sim dito com tanta convicção? Bonito papel de trouxa que você o fez passar, não acha? Por que você não deixa ele ir? Deixa ele virar as costas com a certeza de que você é uma grande atriz premiada por ser convincente, persuasiva, suasória. Ilusória. Você não tem nenhum resquício de sinceridade dentro desse buraco oco que você chama de coração. Ele tinha fé em você. E como não ter fé em alguém aparentemente confiável, respeitável e admirável? 

Chega. Não impeça. Não seja uma dessas pessoas espalhadas por aí que só ficam por não aceitarem o abandono. Não vale a pena estampar preocupação. Pra ele, você agora é só a triste e infeliz moça que vive pra ver o mundo girar em torno do próprio ego. O extraordinário ego alimentado por pessoas de boas intenções e de uma sensibilidade imensurável. Nele ainda há gratidão. Sabe que não pode mudar o que já foi. Não pode mudar o que disse. Nem o que fez. Tudo o que fez foi apenas por achar que teu valor era alto o suficiente. Ele só quis te presentear com a vida a qual estava disposto a enfrentar e em reciprocidade você fez dele a distração perfeita pra esquecer aqueles inúmeros “nãos” que você recebia de alguém importante demais. Eu sei. Ele vai sem adeus na partida. Sem cartas longas ou bilhete de despedida. Sabe que a única retribuição digna que pode dar a si é fazer de você um passado distante e invernal. Não pude contestá-lo. Ele vai de qualquer jeito. Vai de malas prontas. Vai de uma forma digna. Você já não pode impedir. Então se permita moça, deixa ele ir.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Foi Preciso Você Chegar



Tá na hora de assumir. De arrumar essa bagunça toda que faço na tua vida, de bater na tua porta sem estar etílica. Tá na hora de acreditar nesse sentimento bonito que faz teu cheiro impregnar no meu corpo, que faz teu beijo ser o melhor de todos, que faz com que o encaixe das suas pernas sob as minhas seja a mais sensata das companhias entre o teu sorriso torto e o teu jeito sério de me provocar. Te contei não moço? Ainda que eu saia cedo demais faço questão de acordar primeiro e ficar te olhando dormir, adoro a sensação de entrelaçar meus dedos nos seus cabelos sem que você veja. É nesse momento que a dúvida de ficar ou fugir me arrebata tristemente porque a vontade que tenho é de não ir. A vontade que tenho é de voltar, tirar os sapatos, me aninhar em seus braços e ser feliz. Mas acho que cê já me conhece, tenho um medo terrível de você não corresponder e não mais me querer ali quando despertar pra sua realidade que envolve aquela ideia maluca de não se entregar.

Não é errado, não é? Desaparecer? É que nunca sei o que fazer quando sinto o auto controle escorregando. Contenho o desejo, minto descaradamente, disfarço por trás de um sorriso idiota, sabe que sou meio blá pra essas coisas, não sei lhe dar com a parte vulnerável da minha mente e do meu coração quando você tá todo aí se espalhando aqui sem se dar conta que a coragem que a bebida me concede é a coragem que me falta pra te encarar no dia seguinte sem parecer inclinada o suficiente pra você me afastar. Eu sei moço, você nunca me diz não, mas como tudo tem sua primeira vez, acho conveniente permanecer quietinha quando estou sóbria sem o teu sorriso torto e tua cara de sono me fazendo lembrar o quanto cê me faz bem ou o quanto gosto de me intrometer nos teus planos da meia-noite aparecendo do nada e te roubando pra mim. Eu jamais vou cansar de te roubar por aí. 

Essas coisas malucas acontecem. Culpa da tequila moço, agora esses pensamentos não vão embora e o silêncio que não incomodava antes está na ponta dos dedos esperando ser quebrado. Daí penso, repenso, invento, dou a volta no mundo. Não há criação ou distração que ocupe o espaço que você tá insistentemente preenchendo e isso é um saco, sabe? Então tô decidida, tá na hora, só não me sinto pronta. Ninguém parece pronto pra saltar sem paraquedas ou sem certeza de que alguém vai nos segurar lá em baixo. E daqui de cima a vista tá ficando meio turva moço. Esquece. Não sei o nome disso não. Não é amor. Nem paixão. Nem mãos dadas. É só uma vontade imensa de permanecer. Não como intrusa, mas como convidada. Não quero ter que juntar minhas coisas e sair cedo. Eu quero ficar. Se pra você é importante e se houver próxima vez me segura. Não me deixa ir. E se eu for, me pede pra voltar? O único risco que corremos é de não dar em nada, mas isso não te assusta, assusta?



domingo, 1 de janeiro de 2017

Vambora 2017




2016 foi tipo uma montanha russa, aquela euforia de subir, subir, subir e no auge da alegria e felicidade despencar lá de cima com aqueles gritos histéricos que a gente solta quando acha que vai morrer, mas incrivelmente não morre. Ao contrário, a sensação é de que estamos mais vivos do que nunca e prontos pra embarcar novamente. Em 2016 testei todos os brinquedos perigosos e me joguei de cabeça nos esportes radicais – figuradamente claro. Minhas emoções oscilaram tanto que cambaleei, desestabilizei, mas descobri um super talento de equilibrista. Agora sei que é preciso bem mais que trapézios ou cordas de aço pra atrapalharem meus malabarismos e despertarem o medo de arriscar. E como arrisquei. E como enlouqueci, no entanto, essa loucura me rendeu inspiração quase que infinita pra escrever textos, textos e mais textos. Alguns deles nunca cheguei a publicar de tão obscuros. Outros expuseram dor e tristeza, assim como os estágios da superação que envolveu a chegada de pessoas surreais de tão especiais que mudaram o meu astral e tudo ao redor. 

Em 2016 fui nutricionista, escritora, cantora, fiz duetos e solos por aí pra muita gente e pra ninguém. Em 2016 não dei a cara a tapa, mas foi o que levei da vida. Os tapas marcaram, doeram, arderam e me ensinaram a ser menos fraca e vulnerável, porém não insensível, aqui dentro teve lágrimas suficientes pra cenas de emoção, takes de medo e um capítulo inteiro de saudades e despedidas. Quantas despedidas. Eu chorei. E vivi. Vivi intensamente. Girei, saltitei, tropecei nas pedras, caí, levantei, me sacudi toda naquela turbulência, mas sabe? Foi assim, desse jeito, com todos esses movimentos bruscos que aprendi a dançar qualquer música, inclusive a que o meu cupido embriagado resolveu tocar quando acertou flechas tortas nos alvos incertos ferrando com meu amor próprio. Então redescobri o amor. O refiz juntando as roupas, os sapatos, a maquiagem, indo compartilhar novas paisagens, respirando novos ares, vendo e sentindo de perto diferentes formas do que pode fazer alguém sorrir. 

No último mês de 2016 limpei a lama dos pés e aproveitei pra me livrar de todo o atraso, não pretendo partir com caneta nas mãos e 365 páginas em branco e escrever sobre as mesmas pessoas dispensáveis. Não. Não mesmo. Tenho planos de independência afetiva. E já comecei. Esse desapego é  motivador. A sensação de liberdade de poder deixar pra trás vícios me torna dona do meu próprio amanhã, de ser mais eu, de adorar o reflexo no espelho seja arrumada com camiseta e calça jeans ou no melhor vestido vermelho. Pra 2017 muita fé. Fé pro que não espero. Fé pro que não planejo. Fé pro total desconhecimento do que quero. Fé pra encarar de peito aberto o que vier pelo caminho e que neste não me falte a crença severa e permanente de que tô pronta pra dar a cara a tapa. Afinal, só damos a cara pro tapa quando aguentamos a dor. 

2017 é o ano da transmutação, do recomeço clichê, de novos rostos, encontro com meu oposto. Dessa vez não vou de chinelos não. Dessa vez vou de salto alto. O melhor penteado. Really Red nos lábios. Coração na mesa receptivo a qualquer surpresa. Nada de tristeza. Tô super disposta. Pronta pra dobrar as apostas. Já não me falta nada pra ser  feliz. Senhoras e Senhores: Vambora 2017!!!!