A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 31 de agosto de 2014

Foi Amor


Cuidado comigo eu não sou nenhum santo.

É tudo para sempre mas só por enquanto
Certas palavras dizendo o oposto.
Vendi a minha alma pra me ver no seu rosto.



Pela milésima vez: Foi amor. Daquele que te puxa, te envolve, te consome, te machuca, te faz feliz e te faz sangrar – tudo ao mesmo tempo. De uma só vez. Foi amor e cada passo em direção a essa felicidade fez da garota altruísta uma pessoa completamente perdida, desequilibrada pelas emoções. Foi amor indeciso, revirado por madrugadas e por noites mal dormidas. Foi amor consumado por ligações carinhosas que a viciaram dia após dia deixando enlouquecer pela abstinência desavisada. Foi amor até o dia 1080. Foi amor até ela tomar a terceira bebida, sufocar mais uma vez, perder a segurança, jogar a esperança na pia de um bar, ir pra casa e desligar o celular por duas razões: 1) Medo da resposta. 2) Fingir que não aconteceu. Três dias seguidos e o amor se enterrou quando por coragem ligou o aparelho, não havia ligações perdidas e nem mensagem recebidas. Certa atitude quando não tomada para atender a expectativa de quem a espera dói mais que uma palavra ofensiva pronunciada. De presente apaixonado ela passou a ser nome não pronunciado. Na insanidade que vivia podia ter ido atrás, mas na hora da escolha achou em garrafas coloridas um caminho melhor a seguir. Ela não é inocente, sabe que a mesma cavou a cova do que costuma dizer que foi amor. Dizem que depois da meia-noite ela enviou despedida, cortou o cabelo e sumiu no mundo pra viver um par de três em dias de verão e noites de inverno sem pensar muito no amanhã que por hora deixava sempre esquecido no dia anterior.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

365

Animado, louco, foram 365 ligações imaginárias, um buquê de tulipas nunca enviado, um cartão daqueles que toca a melodia do filme Titanic ainda guardado, um beijo roubado que não aconteceu e enfim consegui um sim dela via mensagem de texto.  
Minha menina como carinhosamente a chamo sem ela saber paralisa qualquer emoção, sonho com ela a mais tempo do que já contei, tenho fotografias mentais das covinhas do seu sorriso e seu jeito sexy de enrolar os cabelos com um lápis. Cada vez que ela desfila com os ombros a mostra, bermuda desbotada, camiseta branca e sandálias rasteirinhas eu imagino sua mão entrelaçada a minha andando sobre o luar e fazendo confissões para todo o sempre. Do café que fica do outro lado da rua e onde eu trabalho, vejo todos os caras de cabelo modelado com gel e com super carros oferecendo carona a ela, dos trinta e cinco que já contei nenhum conseguiu um sim. Não sei se isso me causa animação ou me desestimula de vez. Se com marcas luxuosas não há interesse imagina se há chance para um moço que limpa mesas e escreve músicas à noite.  
Certo dia, quase nove da noite, enquanto terminava de polir o balcão na companhia de três bom senhores que contavam histórias, ela apareceu – 365 dias a observando como um bobo ainda tenho arritmias descompassadas quando a vejo. Sentou na minha frente, pediu algo quente, me olhou, mas não me viu, murmurou palavras abstratas, limpou as lágrimas com a manga do suéter e silenciou. O que fazer? Colocar ela em meus braços e cuidar até adormecer? – Seria perfeito se eu não fosse um desconhecido, anônimo, inominado. O que dizer? Que ela é linda e com os olhos vermelhos fica ainda mais charmosa, mas que não deve chorar mesmo assim, pois as covinhas do seu sorriso sempre será a minha melhor escolha para o realce da sua beleza natural? – Já falei que seria perfeito se eu não fosse um desconhecido e blá, blá, blá. Coragem homem! – Meu lado romântico desesperado diz.  
Enquanto perdido sem me decidi, ela começou a desabafar e silenciosamente ouvi falar pausadamente sem parar sobre o pouco dinheiro pra continuar pagando a faculdade e suas despesas longe de casa, ouvi ela contar sobre ter andado o dia inteiro atrás de emprego e não conseguir nada, ouvi seu sorriso ao se ironizar sobre a realização dos seus sonhos e ouvi ela lamentar o fato de só conhecer caras idiotas que só querem a levar pra cama quando o que ela quer mesmo é ser levada a sério. Servi cappuccino e pra acalmá-la coloquei Beatles – na esperança que ela conseguisse traduzir a letra ali mesmo e sacar minha indireta – os três senhores levantaram a sobrancelha, mas ela sorriu e pra minha sorte, o que não tenho muita, ela disse, dois pontos “John Lennon era pra ser o homem da minha vida, maldito seja Mark Chapman saca?” Saco, mas saco é você não me dar seu telefone, sou um cara legal, tocaria e cantaria John Lennon a noite inteira só pra você se sentir mais perto dele, então o que acha? – Pensei. 
Ela colocou a nota de cinco em cima do balcão, disse gentilmente que o troco era meu por ter sido um bom ouvinte, enrolou os cabelos em um lápis, vestiu o casaco preto, colocou o cachecol no pescoço e saiu. Meu amigos e cúmplices senhores me olharam como quem dizem “reage meu filho”. E como quem de súbito decide viver fui atrás dela, corri e me posicionei em sua frente, 365 ensaios e consegui dizer: - Me desculpe, desculpe o silêncio, eu queria ter dito tanta coisa, mas não sou muito bom com as palavras, na verdade, é, droga, bom, como, qual... ãm... Ela sorriu – Gabriel, certo? Eu vejo você, sempre chega às 6:30 com sua jaqueta preta, violão no ombro, cabelo bagunçado, nas horas vagas senta em uma mesa e dedilha Wish You Were Here do Pink Floyd – Retirou o lápis do cabelo, anotou o número, sorriu com direitos covinhas e finalizou – Esse é meu número e é uma prazer finalmente dá-lo a você. Se cuida. A gente se vê.  
E nos vemos mesmo. 365 dias depois. Enquanto compro um buquê de tulipas, um cartão que toca a música do Titanic, minha menina me espera do lado de fora com o cabelo preso - do jeito que gosto - apareço, lhe roubo um beijo e confesso em sussurros que irei amá-la mais do que amei durante um ano de silencio e um ano ao seu lado. Ela sorri, diz que já me amava sem saber. Com um lado da mão segura meu violão e a outra entrelaça meus dedos seguimos caminhando em direção ao luar, que descobrimos é o nosso lugar: A nossa casa.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Me Desculpe, Vou Te Deixar


PRA SEMPRE NÃO É O SUFICIENTE




Me desculpe, vou te deixar.

A confusão está grande demais. Não consigo pensar em mim sem antes pensar em você. Meu medo maior era sair daqui e ver você ficar. No entanto, descobri noite passada que não há nada mais desesperador do que ficar aqui vendo você não me ver.  Decidi com dificuldade abandonar a idéia de fazer você feliz como foi um dia. Decidi retomar os planos que fiz antes de te conhecer, eles vinham em primeiro lugar. Eu definitivamente preciso ir. A história com final feliz não aconteceu pra nós dois. O telefone não tocou apesar da minha espera. Tomei consciência plena que perdi o segundo onde tudo foi mudado com meu explicável “hoje não posso”. Foi esta a última chance certa de aceitar o que você me oferecia.

Eu sei, já fui mais forte, eu poderia ter acreditado mais nos meus sentimentos e tentei, mas não me pareceu mais certo quando você constantemente com educados monossílabos me afastou.  Pra consertar meus erros eu inventei desculpas e então entendi que já não podia mais. Eu perdi você pela falta de sinceridade. Então me desculpe a covardia, o medo, a insegurança, o orgulho, a frieza, a indiferença em não te falar que já amava você, que queria está perto, ouvir você, abraçar e estar em todos os momentos ao teu lado segurando sua mão.

Me desculpe por não contar os planos, por não justificar minhas saídas tempestivas, por não dizer quando você acordou ao meu lado que aquele momento foi o mais perfeito pra mim.  Me desculpe não ter  segurado você, por não ter olhado em seus olhos e passado confiança. Me desculpe pelas incontáveis vezes que dormir chorando com saudade e não tive iniciativa de ligar pra você. Me desculpe por não revelar a intensidade do que sentia e de como largaria tudo se assim você pedisse.  Me  desculpe por não ter tido a força suficiente pra continuar, por sair, por desistir, por ir sem olhar pra trás. Me desculpe por não ter lutado, mas você não me deixou escolhas em minha última tentativa.  Me desculpe por partir levando tudo comigo. Me desculpe por tentar viver sem a esperança de o nós acontecer Enfim, me desculpe mais uma vez pela falta de sinceridade em não pedir essas desculpas a você.


Arrumei as malas e guardei o amor As memórias são areias que o vento do tempo espalha por todo lugar.


"Você não pode me ver, mas você ainda me sente. Eu só vivo em suas memórias. Então deixe-me parar o tempo antes que tudo se torne frio. Os momentos passam e a vida continua. O amor no meu coração nunca termina. E esse pra sempre não mais é suficiente"

Raign - Don't Let Me Go