A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A Chuva Fria de Novembro


Então é Novembro. O mês chuvoso. O mês sombrio. Invento desculpas e arrumo as malas pra voltar pra você. Ouço o barulho lá fora, é você estacionando o carro, veio se despedir. Todo mês era o mesmo roteiro: beijo na testa e um se cuida seguido de volto logo. Era 24 de novembro, ouvi o telefone tocar depois de uma semana sem notícias, mas o silêncio nunca me preocupou por ser nosso maior e melhor cúmplice. Alguém se identificou, lembrei do nome, mas não reconheci a voz. Acidente. Chuva. Hospital. Traumatismo. As últimas frases ficaram inaudíveis. E eu emudeci no canto de um banheiro qualquer, fiquei ali por tanto tempo, fiquei quieta, calada, sozinha, inspirando e respirando tão rápido. Horas depois enlouqueci quando o verdadeiro desespero tomou conta de mim.

Você não voltou. E meu sofrimento parecia não ter fim. Vi os dias passando, contei as horas e fiz da minha cama um lugar seguro do qual não sentia vontade de sair. Eu via você. Em todo lugar. Em todas as lembranças dos três anos incríveis que você me fez viver. Você foi egoísta demais me deixando. Quem deixa uma garota de 22 anos perdida e sem direito do último adeus? Foi cruel perder você. Foi cruel imaginar tanta vida sendo tirada de uma forma tão injusta. Eu achei que eu fosse morrer de tristeza. De solidão. De tanto chorar. Descobri o que é depressão depois de aceitar ajuda pra superar o que sozinha jamais conseguiria. Demorou anos pra passar. Até que enfim encontrei o lugar em que você foi colocado pra descansar em paz.

Pensei que depois de algum tempo fosse ficar mais fácil, mas é o quarto ano, arrumo as malas e visto o luto mais uma vez. Voltar ainda exige demais de mim. A viagem até aqui é uma tortura mental. Os pequenos gestos, a sua forma de me conquistar, as conversas que viravam as madrugadas, nossas brigas, as desculpas, as noites com os amigos, o bom dia, o café da manhã, nossos longos abraços, os finais de semana, os programas simples, o brilho nos seus olhos e o som da sua voz. Me arranca o coração saber que não ouvirei sua voz novamente e que nenhuma lembrança dessa voltará a ser uma realidade minha. Eu só sei pensar no passado e na promessa quebrada de que se eu pedisse você sempre voltaria pra mim. Volta pra mim.  Mesmo na distância infinita e na dor eu acredito que um dia vou poder olhar pra trás sem o peso do inacabado, mas enquanto esse dia não chega, no meio de todas as minhas crenças eu  rezo por você, não posso mais te ver, mas sei que posso sentir. Que ao seu lado tenha um lugar guardado pra mim. pode demorar um pouco, mas quando chegar a minha vez, sei que te encontrarei por aí. Onde for. Onde você estiver.


domingo, 20 de novembro de 2016

Desculpe, Eu Pensei Que Fosse Amor



Desculpe, eu pensei que fosse amor. Mas não é. Tudo bem, não se sinta mal, por um longo tempo acreditei mesmo nisso, dei o sangue e o suor por essa relação, mas confesso nunca dei a alma, pelo que li e ouvi, amor que é amor é mais do que uma convivência enlaçada pela frase "eu te amo". Amor é se reconhecer em alguém ao primeiro toque, é dividir, doar, trocar, sentir a alma do outro. Nesse ponto você concorda, não é? Nós dois nunca vivemos essa mágica. Eu te vi e quis, assim começamos aquela paixão. O desejo nos uniu, não o amor. Você pode definir o que vivemos como quiser: Carência, costume ou destino de momento. Pode se quiser colocar a culpa em falta de opção, em falta do que fazer, em mal entendido só não tenta, por favor não tenta me convencer de que estou equivocada e que minhas conclusões são devaneios de alguém sem coração. Meu coração sabe melhor do que qualquer órgão que nosso prazo venceu baby.

Não posso desfazer o passado, já cometi o erro, a burrice de tomar decisões pela insegurança de ficar só. Você precisa parar de me olhar assim, de procurar em mim aquilo que não existe e nunca existiu. Só assim vai conseguir enxergar que jamais me entreguei totalmente, que sempre estive me esquivando das decisões sérias e dos planos futuro. Me desculpe se pra você é amor, odeio ser a garota que não obteve sucesso em corresponder a tantas expectativas. Me desculpe a falta de tato e a desconsideração é que preciso dessa frieza no olhar pra arrumar a coragem necessária pra deixar alguém tão bacana como você. Não é amor, mas isso não quer dizer que não desenvolvi sentimentos. Aliás essa pequena parte de mim te fez feliz a ponto de você sentir amor, não foi? Mas vai por mim, ainda não é, sabe? De verdade, quando for você vai saber e vai entender o porque de eu estar escancarando o jogo e largando no seu colo todo esse desapego.

Anota aí:  Quando ela chegar os dois serão dignos um do outro. E não, não adianta abrir a boca pra tentar argumentar. Não há mais o que dizer. Nem o que salvar. Eu realmente preciso ir. Assim. Sem volta. Sem dar esperanças. Sem promessas. Medo do que os outros vão falar? Você me conhece, nunca me importei. Medo de decepcionar você? Isso já não me prende mais. O direito de amar e ser feliz é de todos e eu me desprendo desse relacionamento me devolvendo esse direito. Não se culpe, pense que filha da puta eu seria se ainda continuasse ao seu lado envolvendo você nessa farsa insustentável sentindo o insuficiente. Então não se reprima, coragem homem, vai, pode jogar toda a culpar em mim se isso for o que precisa pra conseguir seguir em frente. Siga em frente. Só não esqueça que foi olhando em seus olhos que eu disse adeus da forma mais cruel admito. Mas mais sincera impossível meu bem.




sábado, 19 de novembro de 2016

Um Outro Alguém


Amor.
Amizade.
Paixão.
Amizade.
Atração.
Amizade.

Não me da um ultimato desses esperando uma resposta sincera. Vou enrolar. Ou dizer qualquer coisa sem significado especial só pra não ter que machucar você. Não quero machucar você. Não tenho como responder porque a verdade é que não sei mais de nada desde que você atravessou o meu caminho e fez da minha vida essa bagunça enorme e essa confusão imensurável que não me permitem um raciocínio lógico sobre dois sentimentos que não posso escolher. Nem admitir. Então mudo o assunto, troco o disco, disfarço as evidências e repito a historinha de que não quero me envolver. Não com você. Nego qualquer acusação. Me faço de segura pra esconder o medo de te perder pra uma saudade que não é sua. 

Me desculpe. Somos um erro, você não vê? Um erro do qual não consigo me desfazer porque ao seu lado tudo parece tão certo, as horas nos deixam a vontade, o tempo se encaixa na conversa, nos risos, na cumplicidade e nas confidências que sem a nossa amizade seria impossível viver. Não posso perder nossa amizade pra atração. Não posso transformar essa amizade em paixão. No entanto, quando te beijo sinto que já não posso abandonar você. Então te peço. Não me diz mais sim. Não me deixa convencer você com minha carência e meus pedidos na madrugada. Não me ajuda a colocar na nossa conta de culpa o silêncio que fica entre a gente na manhã seguinte. Não complica a minha indecisão com esse cuidado e esse abraço que ajudam a dividir meus problemas com você. 

Eu me proíbo de te querer. Eu digo não. Mas chega a ser um não tão baixinho que não convenço nem a mim mesma. E quando me vejo já estou lá te pedindo outra vez e ouvindo você me perguntar o que eu realmente quero. Se ao menos você soubesse que ele tá aqui mesmo sem estar. Tá na voz que me acalma do outro lado do celular. Tá nesse desejo que já conheço tão bem. Tá nessa reviravolta de sentir e não mais sentir. Ele me tem sem ter porque ele é o quero. Mas não posso dizer. Porque você é a dúvida no meio da minha certeza que embora eu tente explicar você não vai compreender. Não vai entender como alguém que sempre te contou tudo tem escondido a verdade. Não me da um ultimato desses esperando uma resposta sincera porque preciso da nossa amizade pra me sustentar quando ele me fizer arrepender de não ter dito quando tive chance. Eu me apaixonei por você. 



sábado, 12 de novembro de 2016

Faz Parte do Meu Show



Não fico pro café da manhã, na maioria das vezes junto do chão meus desejos, guardo na bolsa os pertences e saio sem anotar o número do telefone. Levo os sapatos nas mãos, arrumo os cabelos e deixo pra trás mais um cara sem nome com a certeza de que foi inesquecível. Mas nunca é. Eles nunca são. São apenas rostos bonitos que dependem da quantidade de vodca que me sirvo. Deles não memorizo endereço. Pra eles não tenho nenhuma pretensão de voltar e não faço questão de ser procurada no dia seguinte. Me animo em ser esquecida e se tiver sorte prefiro nem ser lembrada. Não se assuste se lhe disser que me divirto ao ver aqueles garotos investirem seu tempo com aquele papo barato que já conheço de cor, dou um sorriso fingindo estar me enganando e digo o que eles querem ouvir.

Certos homens possuem tanta confiança em ser irresistíveis que esquecem que mulheres inteligentes podem enganar com palavras tanto quanto eles. Afinal, o tempo e as experiências ensinam bem como devemos mentir sobre o que sentimos e sobre o que não sentimos. E promessas todos nós podemos fazer sem termos realmente a intenção de cumpri-las. Há uma sensação perversa e gostosa quando se aprende a iludir. Não é assim que se segue em frente depois de ter sido quebrada?  Depois de um tempo em inércia estamos prontas pra testar o beijo, testar o papo, testar o gosto até sentir que algo vale a pena. Mas nunca valem. E todas essas noites não conseguem proporcionar a qualidade do que já vivi e conheço bem. Esses encontros são tão superficiais, insuficientes e com tão pouco a oferecer. Engatar uma conversa bacana tem sido cada vez mais difícil. É como se eu estivesse procurando o que sei onde encontrar, no entanto, não posso mais pedir que fique. E não posso mais me sentir presa em um só lugar. 

Não há um manual de instruções sobre como se reconstrói um coração. Cada ser humano é responsável por descobrir o próprio jeito de lhe dar com seu inverno/inferno particular. Alguns choram, outros acham que a solução está no fundo do copo de qualquer bebida que o dinheiro consegue pagar. Tem gente que faz brigadeiro ou compra sorvete. Tem gente que assume uma nova relação na noite seguinte, esses são os mais inteligentes ou os mais burros, vai saber. Eu? Me arrumo, escolho o melhor salto e saio do meu aquário em close pra me divertir sozinha. Não sinto falta, não sinto solidão, não sinto tristeza, nessas horas o melhor é não sentir nada. Da minha vida não falo, há segredos que nem o travesseiro seria capaz de entender. O fato é que não conheço inocentes, mas não importa muito quando a diversão só acontece no meio dos culpados. E geralmente todos guardam alguma culpa.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O Amor Não Machuca



Em estado de choque é como você fica quando reconhece o momento em que a vida se divide em antes e depois. Algumas pessoas tem a sorte quando esse momento se torna uma recordação feliz. Mas por aqui essa sorte não passou. E ainda que seja apenas uma memória, não tenho como apagar as marcas que mesmo desaparecidas dos meus braços insistem em não sumir de vez. Embora a dor física tenha me deixado inerte por quase um mês nada se compara as consequências da dor psicológica causada pelas decisões erradas e pelas mãos que juravam amor. O amor não machuca a gente. Não deixa hematomas por todos os lados pra serem encobertos com maquiagem e roupas estranhas. Quem usaria calça jeans em pleno domingo? 

Perdi as contas das desculpas que inventei. Perdi a conta dos dias das diversões que disfarcei. Sempre sorrindo, sempre de bom humor quando minha mente estava o caos e ele? Ele não se cansava de voltar. Enquanto eu? Eu só me cansava cada vez mais das noites em que fingia beber o que nunca desceu pela garganta. Eu nunca estive tão sóbria. E admito, nunca me senti tão perdida. Mesmo sendo a melhor amiga do silêncio, esse tem me sufocado e transbordado pelos olhos a ponto de olhar pra mim e não me reconhecer mais. Eu quem sempre fui a companhia alegre e feliz não ando suportando o muro de estresse, desconfiança e agressividade que levantei em volta. E as vezes eu verdadeiramente sinto muito por isso ser tão incontrolável. E necessário. 

Se eu conseguisse explicar o quanto me irrita esse “nada” que respondo cada vez que perguntam o que está acontecendo. Essas perguntas me fazem lembrar o que acordo todos os dias tentando deixar pra trás. Eles não entenderiam, me encheriam de questionamentos, de julgamentos e não preciso disso quando eu mesma já faço isso todo o tempo. Então, acredite, não é falta de confiança nas pessoas próximas. É vergonha. A mesma que sinto quando procuro respostas. A mesma que sinto quando tomo banho e percorro as mãos pelo meu rosto, meu pescoço e quando seguro meus pulsos e noto o sumiço lento das marcas. A única sensação que tenho é a de que nunca mais eu vou deixar alguém me tocar novamente, ainda que o desejo seja forte e as intenções sejam boas. 

Eu sei, não posso evitar as lágrimas ou mesmo as crises de gastrite nervosa pelo qual você me faz passar pela segunda vez e já decidi que não posso contar essa parte escura a ninguém até me sentir incrivelmente segura, no entanto, tenho tempo suficiente, sozinha é difícil, mas posso tentar aprender a amar e odiar o silêncio. Posso ficar quieta, calada e distante até consegui controlar meus impulsos irracionais e ser madura e adulta outra vez. Posso desfazer do cabelo grande quantas vezes forem necessárias pra marcar meu recomeço até saber que finalmente recomecei. Posso perder pessoas as quais eu não queria perder nesse meu processo de confusão e loucura, mas prefiro que seja assim, não dá pra lhe dar com traumas e medos e manter a atenção voltada pra quem sabemos que está ficando no caminho. Isso me deixa excessivamente triste. Mas vai por mim, ser construída de despedidas faz a gente se acostumar a seguir em frente. E eu sempre vou seguir em frente.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Coisas Que Eu Sei



Ela muda juntamente com as fases da lua acreditando que tem em si inúmeras personalidades. Não gosta do comum, do repetitivo, do constante. Gosta de surpresas, de preferências simples, porém significativas. O importante pra ela é se surpreender. Sobre ela, também sei que gosta de ficar quieta quando tem muito o que pensar. Quando tem muito pra falar prefere gritar em um show de uma banda qualquer. Se fica triste não admite pra ninguém, mas ensaia mentalmente como admitir suas dores pra alguém desconhecido e mesmo quando chora ela sorrir o tempo todo porque acredita que sorrisos atraem a felicidade. Ela tem mania de cantar no chuveiro imaginado que é uma estrela do Rock. Ela canta o tempo todo porque cantar é a forma mais verdadeira que possui de se expressar. Ela tem amigos por toda a parte. Já teve mais, no entanto, não possui o dom mágico de perdoar decepções que pra ela são consideradas indesculpáveis. Ela leva pra sua vida todas as pessoas que encontra. Gosta de ouvir histórias de quem não conhece, de sentir as dores alheias, pois acredita que uma dor pode ser melhor superada se dividida. Tem um amigo que diz que ela cura, mas ele não sabe que toda essa cura fecha suas próprias feridas.

Ela coleciona em uma caixa todos os sonhos que já realizou, mas anota mentalmente os planos que ainda tem pra realizar. Tem mania de se desafiar pra testar seus limites. Por trás de toda essa casca inquebrável guarda um coração puro que jura de pés juntos que só casará com alguém que cantar no ouvido dela Black do Pearl Jam, do mesmo jeito, com toda raiva, dor e sofrimento que Eddie Vedder canta no Pinkpop 1992. Ela dança com constelações, mas espera apenas uma estrela. Já amou tanto e de forma intensa que ainda não conseguiu recuperar a mesma intensidade pra amar de novo. Porém, está sempre tentando e tentando. Não segura outra mão até se se sentir segura, não confia em toques, nem em palavras que não combine com olhos. Não confia em propostas para o futuro. Só no presente. Não gosta de palavras soltas, prefere a escrita ou o som da voz. Ela tem paciência pra esperar, pra não ser, pra ouvir. Não gosta de se sentir presa, não gosta de sentir e quando sente vive fugindo. Tem a mania de sumir e aparecer. Some quando é ameaçada em sentir e aparece quando acha que já não sente mais. Ela sabe que o cara pra ela é o que se fará presente quando ela insistir em desaparecer.  

Ela tem fé. Em si. Nos outros e na força que rege o mundo. Acredita nas boa ações. Não se importa em sofrer, dorme pra esquecer pois Deus em sua bondade e grandeza inspirou aquele escritor a ensiná-la que a manhã seguinte sempre chega pra fazer diferente e quase sempre ela não desperdiça, vai lá e muda tudo. Muda os sonhos, os objetivos, o corte do cabelo, cor do cabelo, a cor das unhas, só não a cor preta das roupas pra balada e o batom vermelho. Ela adora dançar e de preferência sozinha bem no meio da multidão. Quando pede por tequila é porque tem muito pra comemorar ou muito pra esquecer. Quase sempre as duas coisa. Ela é forte. Indecifrável à primeira vista. Tudo que ela guarda não dá pra descobrir de uma só vez. Todas as coisas que eu sei sobre ela resulta de uma convivência longa de 20 e poucos anos e mesmo quando acho que sei tudo, ela insiste em me surpreender.