A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Distrações



Desculpa, não foi culpa sua, é que de tanto ouvir que seria impossível eu decididamente quis tentar. Foi infantil, eu sei, conquistar alguém que você não tem o menor interesse por birra, por pirraça, por teimosia, por capricho. Não que em você não houvesse encantos, se for pra confessar tudo então devo dizer que sua seriedade foi o que me chamou atenção. Nada mais. No entanto sobre influências perversas achei que de tanto apanhar estava pronta pra revidar. Me transformei, fiz o que sóbria não faria. Tive a coragem de escrever mensagens que nem no meu pior desespero escreveria. Tive paciência pro seu sim e como qualquer criança tola que consegue o que quer eu não quis mais. Nesse segundo de consciência eu disse não a um custo alto de culpa e de vergonha. O “não vai dar” pode ter parecido cruel, mas foi a forma digna que encontrei pra fugir do personagem que eu não sabia mais como sustentar. Desapareci consumida pela confiança de que fiz a escolha certa. Eu esqueci.

Não foi culpa sua aparecer meses depois quando nem seu número eu tinha na agenda. Não foi culpa sua me surpreender com aquele sorriso quando o que eu mais precisava no momento eram distrações que  me salvassem de ser consumida por uma relação desgastada pelo tempo. Eu estava afundada até o pescoço tentando não desistir, mas todos os esforços de caminhar ao lado dele eram inutilizados pelas mentiras. Pelas contradições. Pela falta de atitude. Eu não tinha estrutura alguma pra deixar você chegar perto, aquele sim partiu do meu ego de ser alguém por quem você se interessou a ponto de se arriscar sem me conhecer. Foi curiosidade minha somada a uma vontade sua. Apostei comigo que você seria só mais um. Mais um encontro. Mais um cara igual há tantos que não tem nada a oferecer. Nem bom papo, nem abraços. Fui sem medo, sabia que você jamais seria capaz de me fazer sentir qualquer sensação. Não tinha como  perder. 

Eu te subestimei. E esse foi meu pior erro. Nada disso foi me dito em aviso. Aconteceu. Eu me enganei perdidamente, não apenas agora, mas em tudo. Você foi o melhor abraço de anos, a melhor conversa em tempos, o melhor sorriso. Multiplicaria as horas se pudesse pra ainda está segura no beijo que você ousou me dar. Não consegui não sentir. Você fez tudo ser perfeito, mas a culpa, eu repito, não foi sua. Eu estava vulnerável demais e não quis admitir. Me ferrei por isso. Se eu tivesse jogado meus erros em cima da sua serenidade você teria percebido o quanto eu estava perdida. Ao contrário, não é? Eu parecia forte, tão segura e certa do que estava fazendo até o momento em que fechei a porta e aquele sentimento de falta ficou comigo. Eu odiei completamente essa sensação, assim como odiei o fato de ter sido estúpida por acreditar que pra você também havia sido especial. Foi doce, porém  amargo entender que você nunca foi a distração. Eu fui. Contudo, posso voltar atrás, assumo minha culpa e escolho o mesmo que você: A educação, o silêncio e o sumiço. Tem coisas que definitivamente não temos o poder de tirar do coração, mas se algum desejo ainda pode ser realizado a essa altura, que me seja concedido o amor próprio em dose máxima pra salvar a mim mesma quando a vida exigir demais. Distrações são traiçoeiras, possuem mil faces, paguei caro a você, mas aprendi que nunca se deve esperar cura de alguém que só sabe machucar .



sábado, 9 de janeiro de 2016

Bad Romance



Para se tomar certas decisões na vida é necessário silenciar o juízo, o bom senso, a consciência ou qualquer outra coisa que impeça você de fazer suas vontades. Não dá para ficar pensando, raciocinando ou superestimando as consequências. Consequências só importam se você se importar. Tudo depende do quanto você quer. Em algumas situações só isso importa. E como eu quis aquele moço. Tanto quanto eu quis saber o gosto que tinha as sensações de se estar com ele mesmo que fosse por tempo determinado. Para se ter algumas coisas na vida é necessário jogar e não preciso esclarecer que quando se decide por começar algo só há duas consequências: A perda ou o ganho. Por aquele olhar e mãos eu teria apenas uma chance, mas estava disposta a perder tentando tê-los em mim. 

Não planejei passos ou inventei planos. Quando eu não esperei esbarrei na oportunidade. Sabia que com ele eu podia ser quem quisesse, ele nunca saberia sobre as verdades ou mentiras, no entanto ao abrir aquela porta nem eu entendi quando decidi ser tão sincera, talvez ao sentir que nele não havia medo ou indecisão. A conversa desprogramada que fluía me deixou à vontade demais, eu estava prolongando o pouco tempo que tínhamos, eu queria mais mesmo tendo consciência que não foi para me envolver que disse sim. Não acreditava que ele conseguisse ser interessante a ponto de me despertar. Mas foi o que ele fez. Não para me impressionar ou ganhar qualquer recompensa. Aquele ali era apenas ele, um cara esperto, discreto com um sorriso meio sem jeito, riso gostoso de se ver e ouvir. Investi naquele moço um tempo que mesmo contado valeu cada segundo. Por ser intenso agradeci. Por ter sido marcante agradeci. Sorrir contente ao dizer adeus ainda que sem querer realmente sair dali. Precisei de um gole de coragem para ir sem dizer nada. Sem promessas de segunda vista. Sem beijos na testa de despedida. Sem certeza alguma do amanhã. 

Apesar de toda a mágica e dessa doce vontade de reencontrá-lo eu fico com as incertezas, a insegurança e todo aquele frio gostoso na barriga. Para se ter algumas sensações na vida você deve ter os pés no chão, conhecer alguém e gostar de estar com esse alguém não significa que estarão juntos no dia seguinte. Em certos casos como este a única confiança que se tem é a de que não há nada nele que pertença a você. Você não perde o que não tem. Mas ganha lembranças inesquecíveis e uma esperança boba de que para ele tenha sido especial também. Ouvi por aí que se a decisão tomada fez você sentir saudades então você fez a escolha certa.