A Lunática

Minha foto
Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Medo - Fabrício Carpinejar

Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.

Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia.

Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele.

Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas.

Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar.Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir.

Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.

Você tem medo de já estar apaixonada.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Escolhas

Quando se tem vida pra viver, caminhos a traçar e um destino a cumprir, desistir não é opção. Erga a cabeça, sorria. Hoje pode ser um dia difícil, amanhã pode ser mais difícil ainda, mas sempre haverá um novo dia, novo recomeço, novas escolhas, novas oportunidades. Os dias trazem a mudança que muitas vezes não dependem de nossos atos, de nossas decisões, de nossos arrependimentos. Dos nossos sentimentos! Confiamos demais, perdemos o controle do que pode ou não nos magoar, nos importamos! Somos tão humanos! Ferimos e somos feridos! 

Quanto mais nos protegemos, mas nos privamos do sentir e quando sentimos dói. Dói muito! Descobrimos então que a dor da perda nunca será compreendida, dor de perder uma amizade que até então você tanto confiava. Dor de perder alguém com quem você nem começou a realizar tudo que havia planejado. Falsidade. Mentira. Deslealdade. Orgulho. Imaturidade. Desconfiança. Tantas palavras que resumem e definem o que foi dito e o que não foi. Mas olhe. Olhe bem. O relógio marca 22:06, quase duas horas pra um novo dia. Hey! Amanhã cada um remará para um lado! E será difícil aceitar. Mas desistir, apesar de tudo, continua não sendo uma opção. 

O que a vida quiser levar. Deixa que leve. E sinta-se leve. Há uma razão ainda não compreendida pra tantos acontecimentos inesperados que rodeiam sua vida. Agora, só há dois motivos para que você feche os olhos: Aceitar. E seguir em frente! De preferência cantando bem alto aquela música do Skank: "Se a sorte lhe sorriu, por que não sorrir de volta?" Admita que ultimamente você não tem olhado muito a sua volta! Se estamos todos aqui e não sabemos a data em que deixaremos esse mundo, temos que fazer algo a respeito de como queremos viver e acredite, eu sei como quero viver... Sempre em equilíbrio, de pé e com um sorriso largo que transpareça que sim! Meu amor próprio é maior do que qualquer te amo que alguém já me disse.  Absurdo? É, pode até ser, mas precisamos acreditar em algo e escolho definitivamente acreditar em mim! 

Desistir nunca, nunca vai ser uma opção! E esse é o caminho o qual escolhi fazer! 
É hora de começar a remar. É hora de começar a amar. É hora de recomeçar!




sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Carta Para Deus

Querido Deus,

Obrigada por tudo, por todas as minhas alegrias e tristezas.
Por todos esses anos que Tu estivestes ao meu lado, caminhando comigo, me sustentando, me dando apoio, enxugando minhas lágrimas e sorrindo com minha felicidade. Sabe Deus, reconheço que ao contrário de muitas pessoas, eu sempre agradeço ao invés de pedir, tenho isso comigo já faz bastante tempo. Porém, costumo agradecer minhas conquistas, minhas alegrias, dificilmente agradeço as dificuldades, e dificilmente peço ajuda para superá-las. Só que de repente começei a ver as situações por um outro ângulo, sinto que está na hora de agradecer pelas dificuldades, porque penso que é através delas que Tu nos ensinas lições, lições importantes que talvez pelo desespero de não querer sentir dor não as enxergamos. Não as entendemos. Pude aprender nesses últimos dia, não só  a agradecer, mas também a pedir Sua ajuda, pois que tipo de fé seria a minha se não confiasse que Tu podes melhor que ninguém me ajudar. 

Deus, as coisas andam dificeis, mesmo. Eu tinha tantos planos pra esse ano, agora que estamos em novembro vejo que não produzi muito rs! Eu perdi o rumo depois que minha irmã resolveu ir embora em buscas dos sonhos dela. Fiquei meio sem chão, chorei muito, confesso que ainda choro quase todas as noites sentindo falta da minha parabólica, das nossas conversas, de quando eu não queria que ela dormisse pra que ficasse me fazendo companhia até que eu dormisse primeiro, sinto falta até da bagunça no quarto que ela amava fazer... Tem noites que parece que não vou aguentar de tanta saudade. É quando fecho os olhos e peço pra que Tu jamais deixes de olhar por ela e por seus sonhos. Sei que ela forte.

Sabe Senhor, em dezembro faz cinco anos que Tu me curastes do Câncer, eu quase nem lembro mais de como foi aquele ano, mas hoje assistindo esse filme eu me recordei de tanta coisa, de quando recebi a noticia da doença, da minha primeira quimioterapia, meu primeiro corte de cabelo, depois ele caiu quase todo, lembro dos enfermeiros alegres que gosto tanto, de quando achei que viria pra casa e então o Doutor Fábio me mandou pra Radioterapia, eu sofri tanto, me revoltei Contigo, pois lembro que estava no segundo período da faculdade e não queria trancar, me revoltei pois sabia que meu cabelo cairia, não queria de forma alguma enfrentar um tratamento tão cruel. Hoje percebo a experiência e a maturidade que podem vir com o passar dos anos... Hoje olho pra trás e me orgulho de tudo que passei, penso que Tu me escolhestes a dedo pra enfrentar essa batalha. E que Tu mais que ninguém estavas ao meu lado durante todo tempo. E ainda estás aqui. O sol que brilha lá fora é a prova de que sempre teremos um novo dia pra recomeçar.

Eu olho pra minha família e penso que não posso amar mais do que amo todos eles. É um amor incondicional, que faria o que fosse pra defende-los, pra não vê-los de forma alguma passar por qualquer tipo de sofrimento. Penso que é assim que Tu olhas pra nós. Um amor que chega a doer quando os vemos fazer escolhas erradas que não podemos impedir justamente pelo direito da escolha de cada um. Então só resta fechar os olhos e pedir que o Senhor os abençoe como sempre faz.
Deus, é novembro, quase fim de 2012, obrigada. 

Por colocar grandes amigos em minha vida. Por trazer grandes seres humanos de volta a essa casa que é meu coração. Por cuidar da minha família e de todas as pessoas especias pra mim. Obrigada por essas dificuldades que estou passando agora, pelas tantas portas que já se fecharam pra mim. Contigo não há derrota, eu só fico mais forte e mais obstinada a lutar por meus objetivos. Deus, por ora, só tenho um pedido: Me ilumine pra que eu possa ser uma grande Nutricionista Clinica especializada em Oncologia, me permita cuidar desses pacientes com todo amor, carinho e atenção. Que meus estudos estejam sempre a frente de qualquer distração.

Ah! E obrigada por ter escolhido a Dona Deleny pra ser minha mãe e a Dona Santana pra ser minha avó. Eu não poderia ter sido educada por pessoas mais generosas e mais cheias de amor do que essas duas. 

Cuide em especial de minha Madrinha Mariana, meu Padrasto Gilberto, Meu amigo Pierre e meu amigo Bruno, estes que já estão aí em cima, ao seu lado. O Senhor pode dizer que sinto saudades de todos eles? Obrigada.

Deus não poderia demonstrar seu amor de forma mais bonita a não ser pela Fé  que Ele tem em cada um de nós.




Dheysse Lima



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Aquela/Essa Menina






Mil coisas 
Acontecem ao seu redor 
Você não as percebe 
Pois não pode distingui-las 
Talvez não faça diferença 
E o que resta pra você 
São somente as coisas 
Que você pode suportar 
O que podemos suportar? 

|Quase Amor - Reação em Cadeia |







Sabe aquela menina? 
Ela não percebeu, mas cresceu. 
Seus sonhos já não são mais os mesmos. 
A vida já não é mais tão colorida como antes. 
Sabe essa menina? 
Ela sabe o que a faz feliz. 
Ela nunca esquece de onde veio.
 Mais do que nunca ela sabe onde quer chegar. 
Há quem diga que para ela tudo foi muito fácil. 
Só ela sabe o quanto de esforço foi necessário. 
Ela já perdeu as contas de quantas vezes chorou sem parar.
Mas ela é forte, vai superar. 
Seu valor não está naquilo que dizem dela, está na sua crença, na sua essência. 
Aquela menina pensou e essa menina fez.


Texto de Dheymia de Lima |





                       Minha irmã na verdade me presenteou ao enviar esse pequeno texto pedindo que eu publicasse aqui no Blog.
Que  orgulho Parabólica! 
                     Espero que os leitores do Jeito Lunático se identifiquem e se emocionem tanto quanto eu.
Obrigada pela confiança!
TE AMO.