A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

De Volta pro Futuro

"O amor só dói pra quem não volta atrás"


32 horas atrás.

Dia desses. Corridos. Eu escolhi voltar pra ele. Sabe como é um amor desses loucos e sem censura?  O difícil será fazê-lo compreender que amores de verdade não acabam na primeira briga, que pra quem ama a distância não é a melhor opção e que virar o rosto ao me encontrar na rua era o máximo que eu conseguia suportar. Antes de sermos um amor, éramos amigos, demorei tanto pra bater na porta daquele coração e pedir pra ficar que deixá-lo ir por algo que podíamos modificar, concertar, dar um jeito, pesou bem mais na hora em que eu poderia ser orgulhosa, desastrada e impetuosa.

Não quero ficar só e ser enlouquecida pela solidão, com o coração em pedaços e espirito inquebrável descobri que amor só acaba quando não há mais nada a fazer. E este não é o caso. Por nós, ainda tenho muito pelo que lutar. Brincar de teatro com encenações baratas de indiferença era contradizer tudo o que conhecemos um do outro. Deixamos de ser quem somos pra medir forças em busca de quem seria considerado o mais racional da relação, a conclusão certa: Nenhum de nós. Então, preferi quebrar o gelo, olhar pra nós mesmo com medo de ser rejeitada, escolhi não jogar nossas fotos no chão e sim juntar do chão todas as fotos que nós espalhamos durante nossa briga maluca com lágrimas silenciosas.

Imensamente julgada pelos meus amigos, família e até desconhecidos, escolhi voltar, ir atrás da felicidade que acredito, de mais uma chance, dos braços fortes aos quais tanto já confiei minha fragilidade. Vou e farei o que tenho que fazer, porque minha alegria, consolo, sorrisos estão com ele. Desenhar meu recomeço seria exigir muito de mim, pedir pra ele não ir, igualmente. Desperdiçar tempo aceitando recomeços estava fora de questão. E, acima de todas essas razões, sempre tive fé no sentimento dele por mim. Ele é minha única certeza.

Recolhi todos esses e outros motivos, vesti o melhor vestido, arrumei os cabelos, respirei fundo, destranquei a porta e pra minha inteira surpresa, eu o vi sentado na escada, segurando tulipas, as mesmas razões, suas malas, toda a minha felicidade e uma placa com a frase telepática "Volta pra Mim".

Fechei os olhos, corri em sua direção e o abraçei, dessa vez pra nunca, nunca mais soltar.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Escrevo

“Para quem tem um amor a ser vivido, o futuro é apenas um detalhe que pode esperar.”
 — Padre Fábio de Melo.



19 de Junho de 2014

Escrevo em nome do velho costume, tão velho quanto o tempo que já se passou entre nós.


Cada momento, horas simples não menos importantes, consegue lembrar? Deixei de numerar quantas pessoas pra quem contei sobre nós e o nosso conto de fadas, algumas sorriem incrédulas pra tanta perfeição, certos dias eu mesma chego a duvidar, afinal não possuo fotos pra provar que esse sonho foi verdadeiramente real, não ficou nada, não sobrou nada, o apartamento ficou vazio, foi devolvido, suas malas levaram até sua liberdade e com o passar dos anos deixei de esperar e-mails em dias comuns e telefonemas em datas especiais. 

Mas quer saber? Não me importo, minha indiferença sempre foi a característica mais intensa no nosso relacionamento, embora acredite que talvez por isso tenha dado tão certo. Nunca me importei com as respostas das minha criativas perguntas, na verdade eu precisava colocar à prova sua sinceridade, nada mais. Sua confiança, confidencias e transparência foram decisivas quando para sua vida entreguei o meu amor e fiz promessas e é por esse motivo que hoje escrevo, pra lembrar que ainda as cumpro. Todas, uma por uma. Você trabalhou bem para que eu não as esquecesse, todos os dias quando olho pro seu último presente nossos anos são recordados as vezes com alegria outras com melancolia e nostalgia, mas jamais com arrependimentos. 

A saudade permanece em noites longas quando o sono desaparece e penso em tudo que vivemos, lembro dos planos e esqueço da sua partida feita da forma como pedi: Sem despedidas, sem adeus, sem lágrimas, sem abraços, sem nenhum aviso. Assim foi. Assim você foi. Sem me dizer nada. No entanto, escrevo pra que você saiba que da janela ainda vejo seu carro estacionado, que da rua do seu apartamento ainda o vejo me esperando na varanda. Escrevo pra te assegurar que as paixões depois de você existiram e existem, mas quanto a possibilidade de por um novo amor eu me perder jamais poderei comparar à sensação única de frio na barriga quando você me beijou pela primeira vez.


Somente escrevo em nome da esperança de ter qualquer noticia sua. Nada mais sei de nós, porque na realidade nem mesmo há nós. Não até nos vermos novamente. Se esse dia por mim tão esperado chegar, o perigo pra aqueles que agora nos acompanham será inevitável  e eu, eu escrevo agora porque eu sei que posso esperar, porque sei que eu ainda vou te ver e não será preciso nada mais que um minuto pra mudar todo nosso destino, pois escrevo pra te dar a certeza que se quem vai pode um dia volta eu nunca mais vou deixá-lo ir. Não sem mim. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Gaveta



Confissões à parte. É sempre para o seu sorriso que toda minha atenção se perde quando te encontro em qualquer esquina ou mesa de bar. A sensação que carrego há tanto tempo não sofreu nenhuma alteração: É sempre nós dois em segredo com todos os nossos momentos de alegria e brigas bobas e é sempre Você-e-Eu-separados pra o mundo não ver e nem desconfiar que é ao seu lado que tanto já acordei pela manhã.

Sentir-se incompleto é amar alguém por inteiro e tê-lo apenas pela metade.  

Não sei dizer não, não há grosseria em meu modo de responder a sua mão sempre que você a estende em minha direção. Em mim há apenas lembranças de como é bom ser motivo de todo seu cuidado. Entre nossas idas, vindas, voltas e recomeços acreditei mais na minha certeza de mudá-lo do que na sua capacidade de mudar, o que nunca aconteceu mesmo.

Sentada ali no canto observando seu sorriso, suas mãos e sua conversa que parecia tão interessante no ponto de vista de outro alguém, eu quis me tornar mais invisível do que já estava sendo. Não parece tão dramático quando as lágrimas caem involuntárias, sem esforços ou qualquer careta. É apenas triste. A situação em si, a saia justa entre os poucos amigos que conhecem toda história. Mas é a estes amigos que devo os abraços, sorrisos e as lágrimas que foram economizadas nessa noite.

Em meio aos conselhos e consolações o destino me presenteia com cenas de um tempo atrás, algo que foi tão bem superado e onde uma verdadeira amizade se fez. Piscar três vezes atônita e desorientada não iam justificar verdades, mas o fim  talvez  justificasse os meios.

Com o sangue mais do que destilado e uma respiração profunda ser segurada inesperadamente por seus dedos enfraqueceu todas minhas decisões, enquanto você falava me perguntava se na sua atitude ou no que você dizia havia alguma verdade? E ao contrário do que aqueles que observavam esse momento pensaram, não, não foi o álcool, ou os conselhos que fortaleceram minha escolha, somente a resposta a minha própria pergunta foi satisfatória, a sensação de sorrir dele foi única, vê-lo ridiculamente parado me pedindo pra ir com ele, todas as partes de mim desejando dizer um sim, tudo em mim o queria, mas olhando em seus olhos verdes enfim entendi que não havia mais como querer por nos dois, isso não bastava mais, era insuficiente.




Em meu pensamento lamentava saber que ele jamais dará uma chance pra si ou para alguém fazê-lo feliz novamente. Não há como concertar estilhaços a não ser que estes sejam juntados por aquela que os causou. Não vale a pena tentar reparar dores originadas por um verdadeiro amor, é inútil. Assim como é inútil convencê-lo de que recomeços são necessários pra sermos felizes e nos sentirmos completos.


[...] Um dia eu te esqueço na gaveta [...]

domingo, 15 de junho de 2014

Sete Vidas

"Viver parece mesmo coisa de insistente 
A postura combativa ainda tô aqui viva 
Um pouco mais triste, mas muito mais forte 
Agora que eu voltei quero ver me aguentar"


- Conte até três e perca os sentidos pra finalmente conseguir viver em paz.

Um dia você vai virar a esquina e rever seu futuro parado olhando para os dois lados tentando atravessar a rua. Um dia você pode reconhecer que talvez ter voltado foi a melhor escolha que poderia ter feito. Você pode dizer a ele que simplesmente não conseguiu visualizar um futuro de flores na janela e cachorros fofos à espera no portão. Que os sonhos com os jardins, pássaros e céu azul ficaram apenas na cama enquanto você dormia. Ou pode apenas  girar os  pés, pedir desculpas e ir embora. Faça. Siga em frente. Não é uma cena. Apenas uma maldita corrida contra o tempo disputada por quem se despede primeiro. Não se importe, pessoas há todos os minutos são facilmentes decepcionadas, pode não doer agora, se acontecer, peça um tempo e mande esperar só um pouco, só um pouco. Não se pergunte. Não se questione. Há muitos seres humanos e tantas felicidades esperando o grande encontro com alegria do próprio reflexo em outro alguém.  Não pare, nunca houve promessas e nem pedidos, lave a consciência, esqueça a chuva, a noite, o choro, o medo, respire e encha os pulmões de vida e luz solar. Seja inconsequente, intolerante, junte os defeitos e não se explique, pessoas as quais nos importamos em dar explicações nunca se importam, quando não são educadas demais pra não ouvir e desculpar são ocupadas demais pra fingir interesse em nosso comportamento humano. O coração não dói. O sangue que corre nas veias causa uma sensação gélida. As vezes parece perfeito.

- Sente o sol sobre as pálpebras? O dia vem nascendo.
- Há algo incomum entre nós: Ambos, o dia e eu estamos apenas começando! Dessa vez, quero os lugares com paisagem reais, por ora, nada de sonhos e fantasias. O mundo real tem seu preço e é melhor sair e comprar do que aguardar sentado dentro de um quarto escuro com tatuagens de memórias eternas. Aprendi que quando o verão acaba o outono fica logo à frente e é nessa estação que tudo aquilo que cai sem vida  o vento se encarrega de levar. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Abraço de Pai

E não me perguntou nem por onde eu andei
Dos bem que eu gastei mais nada me restou
Mas olhando em meus olhos somente me amou
E ao me beijar, me acolheu num abraço de Pai


Será se durante nossa vida podemos olhar pra trás e ter a certeza de que fomos felizes em todos os momentos? A resposta certa é não, claro, pois quando olhamos pra trás vemos nossos erros, lembramos das escolhas erradas, das consequências que essas escolhas tiveram na nossa vida. Nessa hora percebemos o quanto fracos, impulsivos e inconstantes somos, além de injustos em pré-julgar e julgar o próximo, aquele que conhecemos e os quais nunca tivemos contato. Mas isso não é ruim. Quando admitimos nossos erros aprendemos a identifica-los e não repeti-los, certo? 

Durante nossa passagem na vida aprendemos o que é bom, o que é mau, o que nos faz bem e o que nos faz mal. Sabemos através do senso comum sobre o certo e o errado, mas aprender não é sinônimo de colocar em prática, as vezes dizer sim em um momento não significa que você fará o que prometeu, concorda? Eu particularmente acredito no que dizem: Nossas ações, a forma como lidamos com o outro, as palavras que proferimos, as atitudes que tomamos em todas as horas do dia, tudo pode atrair positividade ou negatividade em nossa vida, em nossa consciência. 

É fato que quando ajudamos alguém, ou perdoamos de coração deitamos mais felizes, mais leves parece que no céu Deus sorrir satisfeito e orgulhoso por nossa conduta. Em contrário, quando ferimos alguém, não damos o perdão aquele a quem pediu, machucamos e humilhamos um ser humano ficamos inquietos e com o consciente e creio que até o inconsciente pesado. Quando você vai a igreja, o que você conversa com Deus? Primeiro você agradece o dom da vida, a sua saúde de sua família e as bênçãos concedidas; Segundo, você inicia suas preces particulares, e agora eu te pergunto? Em sua reflexão sobre si, sobre suas ações, você tem dado a Deus motivos de alegria ou tristeza? Lembre-se que não importa o tamanho da sua culpa, confesse a Deus suas fraquezas. Conte das vezes que você se sentiu perdido, vazio, estranho, pequeno.

Ouça teu coração, ouça o silêncio, reze não até que Deus possa ouvi-lo, mas até que você possa ouvir a Deus. Conte seus erros, admita suas falhas, seja o que você é, um humano, rasgue suas feridas e peça pra Ele curar suas dores. Ao sair de lá, acredite em você, na sua coragem de mudar, de praticar o bem, Pe. Fábio de Melo dizia ontem no programa Direção Espiritual que a cura espiritual é gradual, é como sair a noite de casa em meio a escuridão e caminhar em direção ao dia. Tenha  paciência, logo amanhecerá em sua vida. Deus é amor. É compaixão. E você precisa ter fé. Uma fé que transborde lágrimas ao conversar com Deus. É preciso abrir o coração. É preciso amar. Amar você, o próximo e o desconhecido. É preciso sentir esse amor. Mas antes é preciso saber que o amor verdadeiro necessita de obras, da prática, não é dizer apenas um sim, é dizer um sim e praticar, mudar aquilo que não acrescenta positividade em seu coração. 

Seja humilde, a humildade é pensar e agir segundo o coração, faça o bem, abrace aquele que precisa de um abraço, ouça a experiência dos mais velhos, respeite opiniões, faça doações, preste serviços a comunidade, ajude quem precisa, seja de roupas, de um simples copos de água, de uma palavra atenciosa ou qualquer outra necessidade.  Evite denegrir a imagem do próximo, se não podes modificá-lo, modifique a forma como o vê. Evite tudo aquilo que não deixará sua consciência leve. Tenha atitudes que deixaria o Senhor orgulhoso, pois ele é seu Pai. O papai do céu do qual sua mãe falava quando você era criança. 

Você já se pegou pensando no sofrimento e no amor de Deus ao ter que entregar seu filho e vê-lo ser crucificado? Você já pensou no sofrimento e no tamanho do amor de Jesus ao aceitar passar por todo aquele processo doloroso, deixando ser chagado apenas por sua causa, pra salvar você, por amor a você? Você já pensou no sofrimento e amor de Maria como Mãe ao ver seu filho ensanguentado, pregado em uma cruz, mas Ela aceitou a vontade de Deus, sabia que tudo era preciso, pois seu filho viera ao mundo salvar a humanidade, dar a chance a você de ser salvo. 

Foi por você, sinta-se amado, sinta-se querido, sinta esse amor.  Acredite, tenha fé. Reconheça esse amor infinito, incomparável,  compreenda o amor de Deus. De Jesus. De Maria. Eles acreditam em você, mesmo com todas as tuas escolhas erradas do passado. Ele acredita em você e dá a você todos os dias quando amanhece a chance de fazer as escolhas certas.  Se entregue a esse amor, ouça o que Ele tem a te dizer, experimente deixar ser amado por Deus, por Jesus e a nossa Mãe Maria. Você nunca mais precisará mendigar qualquer outro tipo de amor. Ele transformará você no melhor que você pode ser e será para sempre e todo sempre.


Acenda a luz e deixe brilhar
Se ame pra que eu possa te amar.