A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Gaveta



Confissões à parte. É sempre para o seu sorriso que toda minha atenção se perde quando te encontro em qualquer esquina ou mesa de bar. A sensação que carrego há tanto tempo não sofreu nenhuma alteração: É sempre nós dois em segredo com todos os nossos momentos de alegria e brigas bobas e é sempre Você-e-Eu-separados pra o mundo não ver e nem desconfiar que é ao seu lado que tanto já acordei pela manhã.

Sentir-se incompleto é amar alguém por inteiro e tê-lo apenas pela metade.  

Não sei dizer não, não há grosseria em meu modo de responder a sua mão sempre que você a estende em minha direção. Em mim há apenas lembranças de como é bom ser motivo de todo seu cuidado. Entre nossas idas, vindas, voltas e recomeços acreditei mais na minha certeza de mudá-lo do que na sua capacidade de mudar, o que nunca aconteceu mesmo.

Sentada ali no canto observando seu sorriso, suas mãos e sua conversa que parecia tão interessante no ponto de vista de outro alguém, eu quis me tornar mais invisível do que já estava sendo. Não parece tão dramático quando as lágrimas caem involuntárias, sem esforços ou qualquer careta. É apenas triste. A situação em si, a saia justa entre os poucos amigos que conhecem toda história. Mas é a estes amigos que devo os abraços, sorrisos e as lágrimas que foram economizadas nessa noite.

Em meio aos conselhos e consolações o destino me presenteia com cenas de um tempo atrás, algo que foi tão bem superado e onde uma verdadeira amizade se fez. Piscar três vezes atônita e desorientada não iam justificar verdades, mas o fim  talvez  justificasse os meios.

Com o sangue mais do que destilado e uma respiração profunda ser segurada inesperadamente por seus dedos enfraqueceu todas minhas decisões, enquanto você falava me perguntava se na sua atitude ou no que você dizia havia alguma verdade? E ao contrário do que aqueles que observavam esse momento pensaram, não, não foi o álcool, ou os conselhos que fortaleceram minha escolha, somente a resposta a minha própria pergunta foi satisfatória, a sensação de sorrir dele foi única, vê-lo ridiculamente parado me pedindo pra ir com ele, todas as partes de mim desejando dizer um sim, tudo em mim o queria, mas olhando em seus olhos verdes enfim entendi que não havia mais como querer por nos dois, isso não bastava mais, era insuficiente.




Em meu pensamento lamentava saber que ele jamais dará uma chance pra si ou para alguém fazê-lo feliz novamente. Não há como concertar estilhaços a não ser que estes sejam juntados por aquela que os causou. Não vale a pena tentar reparar dores originadas por um verdadeiro amor, é inútil. Assim como é inútil convencê-lo de que recomeços são necessários pra sermos felizes e nos sentirmos completos.


[...] Um dia eu te esqueço na gaveta [...]