A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Faço Isso Por Mim



A minha conta de ser machucada venceu. O que é saudável não faz sofrer. Eu sufoquei cada frase, eu engoli o choro, eu sorrir quando quis gritar. A minha cama foi o céu e o inferno. Tentei me libertar por vezes seguidas, mas a insegurança sempre me fez voltar atrás, perdi a conta de quantas mensagens enviei pedindo desculpas por minhas loucuras momentâneas. Tolice querer manter quente o que já havia esfriado há tempos. Defendi a indiferença dele com minha visão cega enquanto todos ao redor apontavam o quanto ele não valia a pena - eles estavam certos. Silenciei pra suportar a dor de saber que estava sendo enganada. Chorei. E não desejo a ninguém a sensação de decepção que sentir. Vi o relógio contar cada minuto da madrugada enquanto deixava o coração quieto pra ouvir a razão. Não conseguiria explicar o desespero que é decidir entre o silencio e a vontade de ligar e mandar você pro inferno.

Suportei tuas manias por tempo demais. Fiz tudo certo, no seu tempo, respeitei seu espaço e os dias de sumiço. Não cobrei, não questionei, não importunei seus dias com perguntas. Fui companheira, amiga, confidente, cuidei de você, dei o melhor de mim. Você foi incapaz de desenvolver gratidão, você foi incapaz de enxergar alguém além de si. Quando amanheceu, respirei e contei até dez pra entender que sou mais do que você merece e isso me permitiu ficar tranquila, seria pouco surtar quando é isso que você espera, mas não se engane meu bem, a mágoa eu guardei pra não esquecer a forma estúpida, cruel e infantil com a qual você construiu uma relação comigo. Quantas mentiras você me contou nas conversas antes de dormirmos? Mas o que eu poderia esperar, não é?  Você tem certificado em brincar com os sentimentos. No entanto, seu coração não suporta a ideia de ser feito de otário. Como pode alguém pedir lealdade e ser tão canalha?

A farsa acabou e não me interessa a sua versão dos fatos. É fato e não suposição. Apesar da sacanagem que você fez eu decididamente espero que ao menos uma dessas outras valha o erro que você cometeu. Que ao menos uma converse sobre os assuntos que você gosta, que cante aquelas canções do Zé Ramalho, que em madrugadas chuvosas ela busque seus braços, que ela invente formas de se fazer amor.  Não a engane. É doloroso demais descobrir que a pessoa pela qual você tem cuidado e carinho está com outra enquanto você dorme com um sorriso achando ele o cara mais legal do universo. Eu tô de saída ainda que  quebrada em partes que você jamais conseguirá colar. Isso não significa que vou me trancar, me fechar, me recolher ou blindar, na verdade, depois de alguns dias me sinto livre e confortável com o fim, o silêncio e o espaço entre nós. Tem força de vontade demais aqui dentro. Uma força que você nunca viu, mas que possui uma beleza extraordinária quando usada pra lutar. Se eu mesma confiar em mim já não restará ninguém que me fará duvidar.


domingo, 24 de abril de 2016

O Aquário Que Nela Há




Ela carrega nos olhos o peso que poucos carregam nos ombros. Tem a generosidade de roubar a dor alheia pra dividir otimismo. Não importa quão seja difícil a situação ela tem o dom de mostrar o outro lado. Do lado dela ainda não vivi tempo ruim. Vai ver que é porque ela tem a alma leve ainda que seja louca, problemática, virada nos setenta e um tadinha. É maluquinha de pedra, mal conhece você e já te arrasta pra multidão, aí é só apertar os cintos, fechar os olhos e ir sem medo. Ela fará você passar por todas as sensações que se deseja testar em duzentos e vinte volts. Você aprenderá amá-la tão rápido quanto aquela estrela cadente que ela mostrou e você não viu. Você aprenderá a acreditar nela quando ela contar que o impossível é o seu mais antigo vício. É por isso que insistentemente ela joga seus desejos ao vento crendo que tudo ao redor conspira a favor. Como é mesmo aquele lema bonito que ela vive repetindo por aí? “Um dia acontece”. E com ela acontece mesmo. Ela tem o que precisa pra vencer na vida. Enquanto uns procuram o segredo da felicidade ela sorrir e agradece baixinho uma fé sem tamanho e sem medida que nunca, nunca perdeu. Essa fé a ensinou que o destino ao contrário do que os outros acreditam não está nas mãos, mas sim nos pés. 

Como toda bipolar assumida tem um lado forte, meio abusada, se provocar mete a mão na cara, desaforo de moço embriagado ela não leva pra casa. Essa guria é armada por um tempo de chuva em seus olhos e protegida pelo raciocínio do que não pode e nem deve sentir. Uns confundem com indiferença, mas vai por mim, em baixo dessa casca de gelo ela é doce, é miudinha, é construída de areia, desmancha-se facinho. Essa roupagem é só um cobertor que ela joga fora toda noite pra sentir tudo de uma vez. A diferença é que ela prefere sentir dores e decepções no colo do seu travesseiro tendo como única companhia o silêncio das vozes em sua mente. O que não pode falar pros outros admite com dificuldade pra si. Confiança é pra poucos meu bem. Sutilmente desaparece um pouco ali, depois aqui até sumir de uma vez, sente-se melhor dando de ombros do que expondo um sorriso que não é seu e ela geralmente não faz questão de possuir o que não lhe pertence. Abre as mãos e deixa voar. Se não for pra somar é melhor que vá. Um segredo sobre ela? A deixe ir quando ela persistir na invisibilidade. Não a sufoque. Ela sente nas veias o livre arbítrio de apenas na manhã seguinte deixar pra lá o que não pode resolver.

Ela consegue sozinha, não se preocupe, aquela lua cheia de fases lá fora é quem recarrega as energias quando o mundo dela se fecha em escuridão. Dias depois veste o aquário que lhe pertence por natureza e data de nascimento, confere as cicatrizes e volta renovada. Seu signo é sua cura. Sua identidade. Nada a prende. Muito menos a tristeza. A liberdade que ela preza ela doa aos outros. A alma dela necessita apenas do que lhe causa um bem danado, caso contrário, faz faxina, arrumação, limpeza pesada, joga tudo fora e preenche os espaços novamente. Tem positividade demais dentro dela, por isso se espalha por todo canto, degrau e porta aberta. Entre os defeitos e qualidades que fazem parte da sua personalidade tenho maior orgulho desse aquário que nela habita. Ela é uma menina de nobre coração. Tão nobre quanto sua força de vontade de acreditar no velho vicio de que nada é impossível. "Nada é impossível pra nós".


quarta-feira, 20 de abril de 2016

O Amor Só Descansa Quando Morre




Mais uma dos ventos que sopram, tem toda essa coisa estranha ao redor, entende? A gente rodou para um lado e voltou pro outro, se perdeu, se encontrou, acho até que duramos tempo demais brincando de ioiô. Eu menti e você acreditou. Ou fingiu. Chega uma hora que a gente conhece quem é a fragilidade do outro e sei bem que nas suas mentiras há alguém que definitivamente não sou eu. Já fui. Por longos e lindos meses incansáveis de conversas, beijos e filosofias. Inexplicavelmente a gente se parecia, se conectava, se pertencia. 

Aquele fevereiro foi chuvoso e sombrio demais. Estragamos o nós com a nossa desordem, nossa bagunça. Me mantive quieta com as perguntas enquanto você sufocava com as respostas. Ninguém quis tomar as decisões necessárias. É difícil magoar com verdades alguém com quem você dorme abraçado. Nesse espaço de tempo, de enganações e ilusões é incrível como a gente ainda sentia aquele medo de se perder do outro. De onde vinha esse receio eu sinceramente não sei. Só sei que houve um instante em que estando em seus braços fechei os olhos e meu desejo já não era você. Mas tudo bem, tudo bem, não somos perfeitos, nunca fizemos promessas ou planos bizarros de futuro, na verdade nós, juntos sempre desfizemos do “pra sempre”, lembra? Nunca foi competição por inversão de papéis. Nós mudamos. Esquecemos de tentar. Resolvemos desistir ainda que através do silêncio. Desgastamos o relacionamento com esse puxa-encolhe e solta-prende. Somos o fim atravessado com fracassadas atitudes de se envolver por noites e madrugadas. Somos decepção fantasiada por fotografias felizes no instagram. Tudo farsa. Teatro. Máscaras enfeitadas de sorrisos. 

A realidade é perversa, contraditória e eu sei que não é hora de nos torturar por nossas incontáveis falhas. Devemos enfrentar as conseqüências sem ressentimentos. Nossas traições desconfessas arruinaram nossa sintonia, nossa comunicação, a cumplicidade, o que tínhamos incomum e toda a mágica que nos uniu um dia. Somamos o perdão por nossas culpas, por nossas mentiras, por nossos erros e então fomos absolvidos pra seguir em frente. Os anos espalharam as memórias e restaram apenas fragmentos desfocados na minha mente. Sinto maior falta da saudade que morreu. No fim, o sentimento não acaba, ganha liberdade por não ser nutrido e se acha dono de si pra ter autonomia e se entregar a outro alguém. Alguém que geralmente está perto o suficiente pra ficar. Você melhor que ninguém concorda, não concorda?


sexta-feira, 15 de abril de 2016

É Na Hora Da Raiva



Mando embora. Mudo o clima. Cinco minutos depois ligo pra voltar. Peço desculpa. É sempre essa impulsividade falando por mim. Essa insatisfação de ser deixada de lado me deixa impaciente. Nas minhas lembranças havia uma questão maior da parte dele de se fazer presente. A sensação que tenho é a de que me envolvi com duas pessoas diferentes: Uma atenciosa e carinhosa; Outra fria, séria e indiferente. Penso e repenso sobre a melhor maneira de deixá-lo ir.  Me questiono se não seria mais feliz sem alguém que não sabe o quer. Ou quem quer. Então me conformo com o sumiço e sigo a vida sem anéis nos dedos. Abro a porta da oportunidade e deixo a curiosidade no ar.  

Mas ele aparece. Inventa saudade e vem. Engulo os problemas, minha impaciência, a tranqüilidade que não tenho e sem respirar faço de tudo uma tragédia. Fazer o quê se pareço ter o sangue do drama correndo em minhas veias. Tô constantemente trocando de humor. Hora braba, meio risonha e meio sem juízo. Se sou bipolar ainda não sei, mas sei que contudo ele consegue ser paciente nos meus dias de chuva e sol. É aquele olhar sereno que ele encontra perdido no primeiro dia em que o vi que me desmonta inteira e me causa um medo danado de perdê-lo. Não sei pensar antes de agir, desde que me recordo sou estabanada, desastrada de dá dó em relacionamentos abertos e perdidos. É só quando ele está perto que me sinto completa embora meus pés estejam prontos pra partir quando eu não souber mais o que fazer. Por enquanto continuo aqui enlouquecendo ele todos os dias, justificando que meus extremos são para o nós não virar rotina. Não importa o mundo lá fora quando é nos braços dele que adormeço, há nele a paciência que não encontro em mim,  mergulho sem medo por ser mar calmo e ali estou em paz.

Aproveito o perdão silencioso e deixo do jeito que . O tempo conspira a favor. Ele tem seus dias de sumiço. Mas entendi que é um espaço que somente o pertence. Tô respirando fundo, virando do avesso, desfazendo o caos. Enquanto os mesmos olhos os quais eu elogiei uma vez, os quais me encantaram continuarem enxergando em mim o que nem eu mesma vejo eu vou continuar com a certeza de que sempre vai valer a pena voltar atrás, caso contrário, eu mudo, saio sem dizer adeus, desapareço dia após dia. Quando eu resolver deixá-lo de verdade é quando outro se fizer presente no espaço que ele não faz questão de preencher. É aí, nesse segundo que eu não volto nunca mais.


terça-feira, 12 de abril de 2016

Não Deu Tempo De Nada

Ele entrou e eu estava ali 
Ou será que fui eu que ali entrei 
Sem sequer pedir a menor licença?
 Ele me olhou bem 
Quem sabe com ele eu teria achado o que sempre me faltava
 Cores, colagens, sons, emoção!


Foi naquele rápido e último abraço que o ar me faltou. Se algo podia ser dito, não foi. Quando calculei nos dedos o tempo acabou. A impressão que tive foi que a contagem regressiva do tempo começou no primeiro dia em que o revi. Cada segundo uma chance. Chance de dizer que pensei mais naquele sorriso do que em minhas preocupações. Guardei pra mim a sensação de encanto embora cada parte de mim desejasse conhecê-lo além da atração inevitável. Nessas oscilações de dias bons e ruins vê-lo ali tornava as horas bem mais acolhedoras. 

Se há algo em alguém que pode torná-lo interessante é ter o dom de ser surpreendente e mais ainda, ter a artimanha de despertar curiosidade. Ele soube me ler mais do que eu mesma me permito admitir em dias de solidão. E se não existem erros nessa vida e sim escolhas, a minha decisão já havia sido tomada antes mesmo que a pergunta fosse feita. Sim para o desejo, o instinto, a atração, a vontade, o interesse, a sinceridade. Quando as perguntas acabaram tudo o que queria saber naquele silêncio de cumplicidade era o gosto que teria a sensação de pertencê-lo. Não pensei mais em consequências. Nem no amanhã. Você jamais conseguirá usar a razão quando o tempo não estiver a favor. Cada parte de mim foi desperta pela intensidade do beijo. E o sabor não poderia ser mais inebriante. Gravei em meus dedos a sensação da pele, dos cabelos molhados, do rosto dele em minhas mãos. Envolvida no carinho daqueles braços só queria que o tempo parasse. Ali não havia medo, arrependimento ou indecisão. Ao contrário, a segurança e a confiança estavam em completa harmonia. Nossas formas diferentes de direcionar a tríade sentir, pensar e agir encontraram o equilíbrio perfeito. Senti vida em poucas horas. Uma felicidade tão leve e despreocupante. Nada além de nós. Éramos metades de desencontros sendo inteiros por um espaço curto de tempo. Tempo que corre contra. Mas que deixou na minha blusa o cheiro de um perfume que embora quase disperso ainda me faz sorrir distraidamente.

Se um presente bem bonito pudesse ser me dado que fosse mais tempo pra ver, tocar e sentir. O tempo foi insuficiente pra desvendar os segredos daqueles lindos olhos serenos, profundos e calmos que me fizeram na alma um bem inexplicável. Ele sem saber me fez parar pra redirecionar os planos, pra reconstruir objetivos, pra refazer minha visão diante do que não conseguia deixar ir. Me fez pensar sobre minhas vontades, sobre as conseqüências de se dizer a verdade, sobre o equilíbrio em silenciar. Se perguntarem se acredito em destino, acaso, coincidências? Tempos atrás eu diria sim. Mas hoje, creio no seguinte: Nós decidimos o futuro através de nossas escolhas. Para algo acontecer você precisa dizer sim. E isso não é destino. É escolha. Eu escolho deixar a saudade passear por aqui. Saudade saudável. Saudade bonita. Doce. A memória humana é fraca - sei disso melhor que ninguém - mas fiz questão de guardar o som da voz com todo aquele sotaque. Fiz questão de guardar uma foto pra não me deixar esquecer o sorriso e o olhar que tanto me iluminaram esses dias. 

Sim, o relógio virou o ponteiro e o ciclo fechou. Foi naquele rápido e último abraço que o ar me faltou. Não deu tempo de nada. Se houvesse mais alguns segundos eu teria feito meu último pedido impossível. 

 - Fica só um pouco mais.
   Pra dizer que você é incrivelmente incomum. Pra agradecer a segurança que encontrou em mim pra dividir quem você é. Pra dizer que sorte são os que tem na vida esses instantes de loucura e felicidade. Pra te confidenciar que guardei a sete chaves uma caixa bem bonita. Alguém especial me disse que um tesouro como esse não pode ser roubado por ninguém. E eu completo dizendo... Nem roubado. Nem encontrado. Nem vivido. É único e raro.