A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O Amor Só Descansa Quando Morre




Mais uma dos ventos que sopram, tem toda essa coisa estranha ao redor, entende? A gente rodou para um lado e voltou pro outro, se perdeu, se encontrou, acho até que duramos tempo demais brincando de ioiô. Eu menti e você acreditou. Ou fingiu. Chega uma hora que a gente conhece quem é a fragilidade do outro e sei bem que nas suas mentiras há alguém que definitivamente não sou eu. Já fui. Por longos e lindos meses incansáveis de conversas, beijos e filosofias. Inexplicavelmente a gente se parecia, se conectava, se pertencia. 

Aquele fevereiro foi chuvoso e sombrio demais. Estragamos o nós com a nossa desordem, nossa bagunça. Me mantive quieta com as perguntas enquanto você sufocava com as respostas. Ninguém quis tomar as decisões necessárias. É difícil magoar com verdades alguém com quem você dorme abraçado. Nesse espaço de tempo, de enganações e ilusões é incrível como a gente ainda sentia aquele medo de se perder do outro. De onde vinha esse receio eu sinceramente não sei. Só sei que houve um instante em que estando em seus braços fechei os olhos e meu desejo já não era você. Mas tudo bem, tudo bem, não somos perfeitos, nunca fizemos promessas ou planos bizarros de futuro, na verdade nós, juntos sempre desfizemos do “pra sempre”, lembra? Nunca foi competição por inversão de papéis. Nós mudamos. Esquecemos de tentar. Resolvemos desistir ainda que através do silêncio. Desgastamos o relacionamento com esse puxa-encolhe e solta-prende. Somos o fim atravessado com fracassadas atitudes de se envolver por noites e madrugadas. Somos decepção fantasiada por fotografias felizes no instagram. Tudo farsa. Teatro. Máscaras enfeitadas de sorrisos. 

A realidade é perversa, contraditória e eu sei que não é hora de nos torturar por nossas incontáveis falhas. Devemos enfrentar as conseqüências sem ressentimentos. Nossas traições desconfessas arruinaram nossa sintonia, nossa comunicação, a cumplicidade, o que tínhamos incomum e toda a mágica que nos uniu um dia. Somamos o perdão por nossas culpas, por nossas mentiras, por nossos erros e então fomos absolvidos pra seguir em frente. Os anos espalharam as memórias e restaram apenas fragmentos desfocados na minha mente. Sinto maior falta da saudade que morreu. No fim, o sentimento não acaba, ganha liberdade por não ser nutrido e se acha dono de si pra ter autonomia e se entregar a outro alguém. Alguém que geralmente está perto o suficiente pra ficar. Você melhor que ninguém concorda, não concorda?


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