A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Adeus Pequena



Em um aeroporto qualquer a outra vida me esperava. Quando meus pés tocassem o chão e os lábios dela tocassem os meus não existiria mais você e eu. Todas as razões e sensações me incentivaram a ficar ao seu lado. Você sabe que tentei, não sabe? Mas me manter presente na distância ficou cada vez mais insustentável. Não era minha intenção desejar você, nem passar o pouco tempo que tinha em sua companhia, você, pequena, foi tão envolvente que me prendeu. Se a escolha de partir ou não me pertencesse eu jamais deixaria seus braços. No entanto, a um custo alto de culpa me obriguei a apagar os rascunhos sobre a saudade, sobre a paixão, sobre os teus abraços apertados e os beijos quentes os quais não sentiria novamente. Tive que seguir em frente ainda que tropeçando em seu número tantas vezes que precisei deletar da minha vida a vontade quase enlouquecedora de ouvir sua voz. 

Eu me perdi pequena, do lado de cá idealizei desculpas, imaginei retornos, ensaiei um discurso sobre como você fazia a felicidade acontecer em dias comuns. Contudo, abandonei a esperança e engavetei minhas falas e explicações falhas, seria injusto prender você, seria injusto dividir o peso da minha bagagem de erros, eu não tinha nada a oferecer a não ser uma vida complicada e um coração dividido. Você não merecia nenhum dos dois. Sei que minha ausência naquela manhã consumiu você nos dias seguintes, mas se eu cedesse as despedidas jamais conseguiria deixar você. Tive que ir, sem rastros, sem bilhete, carta ou algo qualquer. Pode ser que não acredite, mas foi difícil ir e não voltar, olhei pra trás inúmeras vezes e em todas as vezes você estava lá na incansável espera por mim. 

Entre encontros, mágica e desencontros eu amei você pequena. Do meu jeito indigno, torto, desleal e sincero. Eu amei. E esse amor feriu minha alma ao sentir sua dor e sofrimento. Sim, ouvi seu choro a mil milhas de distância. Nunca vou me perdoar por não ter voltado e oferecido a você o conforto do meu colo. Mas é que essa foi minha forma de dizer vai, segue, você consegue, você precisa de alguém inteiro, de alguém que entrelace seus dedos sem jamais soltar. É sempre tão tarde quando o tempo é contra pequena. Me perdoe por ter desistido. Eu ainda sinto tanto sua falta, sinto tudo, pontada por pontada, dor por dor, cada mês, durante cinco anos. Não pude e não posso abrir mão de minhas responsabilidades. Envelheço em cada aniversário, olho para trás e em um último adeus já não vejo você.


domingo, 14 de agosto de 2016

Seja (Re) Começo


Que seja o presente. Que não venha carregado do que é desnecessário. Que não faça promessas. As pessoas fazem promessas o tempo todo, o futuro é desconhecido, não nos pertence, então como saber se vamos cumprir? Na boa, não faça promessas. Promessas são pesadas e tudo que peço é que seja leve. Que seja tranquilo. Que seja simples e seguro. Que tenha confiança pra saber deixa rolar e ainda assim ser presente. Seja presente. Fique presente. 
Que não canse de tentar. Que não desista sempre que a temperatura do coração esfriar. Que a paciência seja qualidade, seja virtude e não um vício usado como desculpa por quem não se importa. Se importe. Seja alguém que se possa contar. Seja o silêncio que conforta quando as palavras insistirem em machucar. Tenha os abraços disponíveis ainda que distantes fisicamente. Seja a calmaria na tempestade. Seja a paz quando tudo ao redor estiver contra. 
Que seja surpreendente. Que não desperdice o tempo com "Eu Amo Você".  Há quem acredite que essa frase é egoísta demais. As pessoas dizem eu te amo o tempo todo e quando lhe são conveniente esquecem que um lado sempre continua acreditando nisso quando o outro não mais. Seja atitude quando as palavras não forem suficientes. Se despreocupe. Nem tudo o que você viver será amor, mas nem por isso deixará de ser algo incrivelmente bom e inesquecível. Viva o hoje sem arrependimentos. Seja as histórias que você gostaria de contar. Que seja cedo pra que nada se perca. Que seja vida. Que seja sorrisos. Que seja convidativo, brincalhão e insistente. Que nossos (Re) começo sejam sempre motivo de alegria e frio na bariga. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Agosto do Céu pra Ela


Começou, faz sentido achar que é cedo? Parece tarde demais e até engraçado. Em prece aquela pontada no coração que vez ou outra a enlouquecia sumiu. Me pergunto se realmente alguma dor verdadeira existiu. Existiu? Sinto o sorriso surgir ao questionar. Sinto vida no sorrir dela e luz no seu olhar. Observo há dias e agora entendo. Chega o dia em que você acorda, refaz mentalmente o último filme e entende as escolhas do universo. Aprendi com leitura revigorante que o universo as vezes brinca de chamar atenção. Será? Dou de ombros. Não digo que nada aprendeu com as lições de amar demais, de ter a sensibilidade fina e frágil, de acreditar em histórias com finais felizes. O problema não são os finais felizes pequena, o problema é você acreditar que vai viver toda essa mágica de primeira. Sinto decepcionar, mas são necessárias algumas tentativas. E essa? Bem, foi só a segunda vez.

Na sua bolha vulnerável achou perda de tempo meus sinais, teimosa como só ela desacreditou de cada linha dos autores que admira. Na semana que passou pensei ter perdido o momento em que ela relaxou, pisquei e naquela ensolarada manhã não havia mais rancor, mágoa, raiva, ódio, desejo de vingança ou esperança de que o outro passe pelo que ela passou. Foi um alivio ver que ela se entendeu e se encontrou. Apenas quando sentiu paz compreendeu o significado dos meus despercebidos sinais nos imensos textos de foco, força e fé. Todos esses textos são regados em verdade e realidade, realidade essa que ela vive desde o despertar quando questionou se alguma dor realmente existiu. Existiu? (Risos!).

Ela refaz mentalmente as últimas lembranças e é incrível como só consegue deixar fluir boas energias. Pelo espelho o reflexo dela nessa manhã está extraordinário, confiante e simplesmente belo. Definitivamente foi sempre assim que a vi nos meu planos. Dou boas vindas as mudanças que melhoram a sua forma de enxergar o mundo e os inevitáveis acontecimentos. Satisfeito, me recosto tranquilo e descanso. Espero pacientemente seu longo dia de trabalho, cansativo, mas não importa as dores nos pés, ela prometeu jamais reclamar por exercer sua profissão onde ama. No entanto, mesmo cansada, fez sala pra alguns amigos e depois colocou aquele menino Projota pra tocar, Cantou alto, dançou e rodopiou enquanto arrumava a casa. Aproveitou o resto de tempo que tinha pra estudar. Horas depois os olhos brigavam pra adormecer, então se rendeu. Apagou a luz e se confortou em baixo dos lençóis. Foi nesse instante que ouvi sua prece sincera, honesta, meio sem jeito, curta, entretanto de um agradecimento enorme. Sorri porque tenho fé nela e por trás do seu sorriso afundado no travesseiro entendi que ela também tem Fé em Mim.  Acredite pequena, felicidade também é uma forma do universo chamar sua atenção e você sabe, não sabe? Você é merecedora de tudo de bom que  ainda estar por vir.



domingo, 7 de agosto de 2016

Invernia



Eu me encontrei no fundo do poço, do copo, da garrafa enquanto deixava o choro de desespero finalmente aparecer. Anestesiei a alma com álcool no sangue, não por loucura e sim pra poder conseguir aguentar firme tanta dor. A mesma dor que coloquei pra fora sentada no chão de um banheiro em algum lugar por aí, então isso é sofrimento? Essa vontade absurda de não pensar, não sentir, não desejar, não lembrar? Essa tristeza indisfarçável quando você sorrir pro espelho, mas o reflexo é sombrio demais pra você encarar?  Essa sensação de ter sido deixada de lado sem esperança alguma de ser salva? Pois se essa era a dor de se perder alguém, esse era meu limite, já não suportava mais. Decretei por amor próprio o fim do meu inverno particular. 

Eu disse não. Desabriguei a dor pra rever meus conceitos e minha vida. Não quis mais negatividade ocupando um espaço que não lhe pertence. O que estava preso na minha mente deixei ir já que o cansaço de dizer que estou bem sem realmente estar me venceu por completo. Aquela espera por uma mão, uma ligação, um sinal de fumaça, uma carta ou sabe-se lá o quê me deixou exausta assim como as lágrimas e as desculpas que inventei pra me colocar em seu lugar tentando entender teus passos. Abandonei a ideia de perfeição que criei e fui em paz viver dias intensos de sorriso, natureza e luz. Suturei os cortes com abraços apertados e humanização reensinada por novos personagens tão reais. Superei o pulsar sob o hematoma e silenciei pra ouvir em vez de só falar e falar e falar. Descobri que felicidade é o alívio de somente respirar. Tudo é questão de ser. 

Eu fugi sim, fugi da vergonha, dos olhares, dos comentários, fugi de você mas regressei vestida da fé, do céu e dos milagres que reencontrei. Relembrei que sempre foi do Alto que veio meus recomeços. Relembrei minha crença de que se você parar pra escutar, o vento consegue sussurrar a direção certa. Então, quando eu pensei que não podia mais, eu pude. Quando pensei que não amaria mais, eu amei. Eu vi vida depois de achar que tinha morrido. Eu senti o ar invadir os pulmões depois de achar que havia me afogado. Eu andei depois de achar que não me restava mais estrada a frente. Eu segui e para as minhas pegadas o horizonte ensolarado e convidativo mostrou que ainda há muito a ser vivido. Que já virei tantas páginas de sorrisos e lágrimas que é quase imperdoável achar que é o fim. Não é. Não dessa vez. Não mais uma vez.

Daqui só consigo avistar o futuro e é para o que está por vir que repito: tô pronta, pois o passado já não me atrai, não me chama, não brilha e sem dúvida não me encanta. Um sábio mestre dos ventos disse: "O silêncio fala muito e não comete erros, para cada sofrimento seu, para cada dor, lembre-se: Você é mais forte tendo fé. Felizes são aqueles que acreditam. Em verdade, eles nunca estarão sozinhos". 




sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Amor é Igual Tequila

"Para cada escolha, erro que cometi, não era meu plano
Ver você nos braços de outro homem"

(Sirene - Pearl Jam)



"O número para o qual você ligou está seguindo em frente,  por favor tente novamente mais tarde"

Acordei com a luz do sol atravessando a janela, a cabeça girava sentindo ressaca do dia anterior e devo acrescentar:  Não era apenas a ressaca física, sentia também a psicológica, moral e todos os tipos de ressaca que existem. O reflexo no espelho acusava minha cara pintada de rímel até a bochecha. Na língua os sabores eram uma mistura de cerveja, whisky, caipirinha e tequila. Tentei lembrar a noite passada ao mesmo tempo em que me perguntava se queria lembrar ou só esquecer?

Sorri distraída e culpada por ser tão inconstante, impulsiva e temperamental. Sorri ironicamente ao recordar sua habilidade de estragar tudo com sua traição confessa me deixando sem ar enquanto o silêncio dos teus passos em direção à porta abandonava pra trás o típico clichê “a gente se vê” . Você permitiu que eu sentisse cada golpe. Então sentei, fechei os olhos e esperei a dor que por certo viria, mas antes que eu me consumisse em desespero calcei as botas pretas e fui destilar o sangue. O álcool é sempre a melhor opção por ser um eficiente anestésico geral. 

Cheguei cedo demais no bar de sempre, enquanto eu derramava lágrimas disfarçáveis intimei o garçom de olhos atentos a me servir a noite inteira. Depois da primeira dose meu coração já estava indolor, quis então saber como me sentiria se chegasse ao limite. Não demorou muito pro carinha na minha frente perguntar se podia pagar a próxima bebida. Naquela altura erguemos a tequila, senti nesse momento como se a vida estivesse sendo injetada em minhas veias. No palco a banda daqueles meus amigos loucos tocava Kings of Leon, perguntei pro carinha se conhecia a música, antes que ele respondesse sumimos na multidão. As mãos dele em minha cintura e a letra me fazendo pensar em você por uns breves segundo. Minha mente expulsou a sensação da traição e a imagem de você beijando alguém que não fosse eu. Com as mãos pra cima cantei alto o refrão e beijei com vontade o moço do meu lado. Abri os olhos sorrindo e então vi você olhando pra minha inteira falta de explicação. E quer saber? Adorei deixá-lo com a curiosidade de me ver saindo do  bar de mãos dadas com alguém que não você depois de incontáveis anos. Me diz meu bem, como é a sensação? 

Acordei com a luz do sol atravessando a janela. No meu celular 36 chamadas não atendidas. Exclui seu número da agenda, da minha vida e do futuro. Alguém despertava ao meu lado sorrindo ao me encontrar. Perguntou interessado se eu não gostaria de um café e de ficar por pelo menos uma noite e três semanas? - Era o suficiente pra mim.

O amor é igual tequila. O primeiro contato, a atração, é ardente, queima, o sal e limão deixa um gostinho de quero mais. Você sempre quer mais. Quando acaba você não aceita por achar que ainda é cedo pro fim e se você consome em quantia exagerada e sem limites no outro dia só existe a ressaca de algo que você não vai querer consumir por um longo tempo. Até experimentar novamente.


Texto baseado em fatos reais. Inspirado pelo som da Banda Kings of Leon
Especialmente escrito por Dheysse Lima

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Como Eu Era Antes de Você


Foram três semanas. Longas e arrastadas semanas. Três semanas fora de órbita. Me recusei a falar sobre isso. Ignorei os pedidos de explicar o que tinha acontecido. Tem situações que exigem um certo conforto para poderem ser expressada verbalmente. Nesse caso especifico a falta de conforto nasceu da vergonha mesmo. Tinha aqueles olhares de "coitada, ele a deixou". De novo. Talvez eu merecesse por ter ido contra a todos e dado uma segunda chance. Talvez por acreditar que valeria a pena. Eu realmente acreditei na minha capacidade de tentar e nas promessas dele em me fazer feliz. 

Me esforcei em cada dia. Pacientemente aceitei superar os obstáculos e dificuldades pra fazer dar certo. Perdi as contas dos dias em que esqueci meus problemas pra cuidar dos dele. Perdi as contas de quantas vezes precisei do seu colo, mas generosamente doava o meu pra ajudá-lo a enfrentar seus próprios demônios. Nossa mágica durou duas semanas perfeitas. Então, ele cometeu os antigos erros. Montou um circo de horrores e foi embora. Sem diálogos. Sem ouvir. O irônico? Sem dá uma chance, nem que fosse em troca da chance que eu dei. O engraçado? Ainda assim achava que precisava dele. Acho que esse é o tipo de amor abusivo onde você sabe que foi mais infeliz do que feliz, mas consciente ou insanamente espera que alguma coisa boa aconteça. Você espera. E espera. Em três semanas eu escondi por trás de um sorriso perfeito que eu estava bem. Em três semanas eu chorei em baixo do chuveiro. Sentada no canto do quarto chorei fitando o nada. Chorei em posição fetal, encolhida na cama. Três semana pra entender que a cara inchada no dia seguinte não era por você. Sozinha eu já estava antes do adeus. Minha tristeza era além. Era meu orgulho ferido por ter deixado você fazer o que fez e me dizer as coisas que disse. 

Durante três semanas eu silenciei o mundo lá fora e aqui dentro.  Eu fiz tudo direito. Mas admito, não me esforcei em nada. Todas as noites eu sufocava por uma onda diferente. As vezes de saudade, As vezes de arrependimento. As vezes era só dor. Me deixei afogar. Eu sentia o ar faltando, mas não nadei. Resolvi ficar imersa e invisível. Um dia acordei e listei o nosso começo, meio e o fim.  90% das minhas recordações eram difíceis e infelizes, não é a toa que adoeci psicologicamente, 10% não cobriu mais a vontade de querer você. Foi pouco. É pouco. Três semanas foi o tempo que você teve pra vir. Enquanto eu estivesse enlouquecida eu aceitaria. Mas hoje não mais. Hoje eu juntei tudo o que eu nunca havia sentido, juntei a dor que você me causou e decidi recomeçar. Clichê, não é? Mas é um clichê que faz todo sentido. O fato de reconhecer que você me deixou quando fiz tudo que eu pude me causa a sensação de inocência e liberdade. Liberdade que me fez voltar a sorrir sem disfarces, Liberdade pra falar e escrever novamente. Liberdade pra não sentir mais vergonha. Não há do que me envergonhar. Nem das minhas decisões. Nem dos olhares. Eu fui deixada. Mas isso só é triste pelo ângulo que se quer ver. Daqui enxergo que continuar com você só me faria ser mais infeliz. Eu ainda estaria cega e perdendo tempo. Tempo que já não tenho pra você.  Pra esse tempo tenho outros planos: Cuidar de mim vivendo e me permitindo ser quem eu sou e como eu era antes de você. 





segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Carta Para Dez Anos Atrás



Querido primeiro amor,

Sobre finalmente resumir todos aqueles diários em um único lugar acredito que a inspiração tenha vindo do nosso surpreendente reencontro, reencontro este que de tão desajeitado me calou as falas e apressou meus pés no sentido contrário ao seu. Eu fugi, desapareci, nada que não possa ser perdoado por quem entende essa decisão. Meus erros porém insistem que lhe devo um pedido de desculpas por essa carta chegar em suas mãos depois de longos e mutáveis dez anos. Timidamente peço perdão por não atendê-lo nas inúmeras vezes que veio ao meu portão, aí dentro parece que você sempre soube que foi mais do que um melhor amigo pra mim . No entanto, saber que você precisou de dez anos pra vir decidido atrás de respostas fez com que eu revivesse dores antigas e lhe confesso, reviver estas dores não era a mais desejada de minhas opções. Superar a decepção de chegar atrasada demais com minha declaração nas mãos não foi fácil. Ver você indo embora e construindo a vida que eu também deveria ter construído me fez não querer voltar ao passado quando encarasse a cor dos seus olhos. 

Sim, tive conhecimento do fracasso do seu relacionamento. Sinto muito pelos votos de para sempre não terem dado certo, o fim de um casamento não é exatamente o que se espera quando alguém decide querer isso pra vida. Talvez por isso eu tenha me mantido longe das alianças, cada cara que apareceu nesses anos mesmo sendo especiais não possuíam o toque que faltava: Não eram você. Não eram você com seu sorriso torto e distraído, nem com seu bom humor, não tinham seu jeito de me colocar suspensa no ar em um abraço apertado e nem eram malucos o suficiente pra dançarem I'll Be There For You do Bon Jovi em um show do Rock qualquer. Eles definitivamente não eram você com seus profundos olhos verdes - os primeiros que me apaixonei a primeira vista em 23 de Janeiro de 2006. Sei que estou atrasada. Mas espero que entenda que quando o revi senti insegurança e um medo desesperador de que sentimentos e sensações voltassem e eu tivesse que escolher. Não podia demonstrar meu desequilíbrio pra alguém que estava ao meu lado quando nem eu mesma tinha mais certeza de nada. 

Meses depois minha relação atual quebrou em partes incontáveis. Precisei de tempo  pra me refazer. E refiz. E durante a arrumação da minha vida achei a caixa empoeirada de diários e memórias fragmentadas. Estava tudo lá: Nossas aventuras, nossas idas aos shows de bandas estranhas, nossas tardes em frente a igreja, nossos abraços depois da aula, nossas conversas sobre suas possíveis namoradas. Estava lá escrito a punho o momento em que desconfiei estar me apaixonando e quando tive certeza de amar você. Mas agora parece tão tarde, suas malas estão arrumadas, não é? Quanto tempo? Mais dez anos? Então, pode me dar um segundo pra não cometer o mesmo erro? Olha, você pode ir e eu posso estar completamente atrasada. Tudo de novo. A diferença é a certeza que lhe dou do que senti antes e do que sinto. Se meu silêncio e negação foram os pilares de nossa distância, desse arrependimento não morro mais. Você vai e acabamos aqui. Ou você fica e escrevemos a parte da história em que ficamos juntos não apenas em uma dança, mas pra sempre. O nosso sempre.