A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Te Escrevo



Te escrevo pra lembrar que de ti não esqueço, te escrevo como há nove anos, letras pequenas, corridas, quase que indecifráveis, mas que demonstravam um amor imenso, amor que quase não cabia naquela folhinha de papel rabiscada de segredos e saudades. Te escrevo e como sempre aquela lágrima tímida me faz companhia ao som das nossas músicas, tua voz é ainda tão pressente que consigo ouvir você cantando Roberto Carlos em meio aos sorrisos que eu dava por achar isso tão ridiculamente romântico. E lindo. Te escrevo pra contar que desde que você partiu, o meu lado romântico também desapareceu e as vezes eu chego a sentir falta dos dias em que o amor fazia todo sentido pra mim. Acordar do teu lado no domingo preguiçoso, sentir teu afago, adormecer nos teus braços, costumes tão simples que me impedem de segurar quaisquer mãos por não serem as suas. Tua ausência, se eu me permitir sentir por descuido, continua tendo o poder de me fazer entrar em desespero, você não conseguiria mensurar humanamente a dor. 

Te escrevo em dias assim e sei o quanto você odeia ver minha indisposição em lutar por quem quer que seja, cada vez que ouço alguém dizer que ama, eu viro de costas e vou embora, eles não sabem o poder que essa palavra tem, eles não poderiam sequer imaginar como é a verdadeira força e forma do amor. Tudo que vejo e sinto não se compara ao que vi e senti com você. Te escrevo pra reconhecer que tenho decepcionado você, que em se tratando de sentimentos não consegui cumprir nenhuma promessa e não tenho me esforçado. Culpe o tempo se quiser, mas não a mim. Todos em volta garantiram que os anos seriam suficientes. Não foram. O máximo que alcancei foi disfarçar bem a tristeza, aprender a sorrir, sorrir como te prometi, foi terminar a faculdade e partir quando tudo ficou insustentável demais, no entanto, reconheço bem a mulher que vejo todas as manhãs no espelho, os olhos dela guardam tanta tristeza que partiria sem intenção qualquer coração. 

Te escrevo pra dizer que de ti não esqueço e não ouso me desfazer da nossa história. Te escrevo pra que você saiba, a vida foi injusta demais me obrigando a viver contando dias, meses e anos sem você, comemorando nossas datas sozinha, fazendo as viagens que planejamos juntos. Eu te escrevo porque minha escrita continua sendo a nossa mais forte ligação. Te escrevo, e admito, me recuso a amar de novo. Sou nova demais pra ter a alma despedaçada uma segunda vez. O coração pode ser refeito, a alma não. O destino tirou de nós o futuro, as escolhas e me deu em troca aniversários, a mudança de idade que chega pra mim e não mais pra você. Eu te escrevo mais uma vez pra que entenda, não me sinto pronta pra que outra pessoa veja eu desabar cada vez que eu recordar a vida que eu poderia ter tido com você.  E você? Você não tinha o direito de colocar uma aliança no meu dedo e esperar que outra pessoa fosse responsável pela felicidade que você devia me dar. Te escrevo e sinto muito por isso, mas não posso amar de novo. Não mais. 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Simples Assim


A minha proposta era conhecê-lo. O que viria depois só o tempo e as consequências poderiam dizer. Eu tinha comigo tudo o que precisava: interesse e atração. Atração bem mais que interesse, apesar de que pra mim essas duas coisas são uma só. A minha intenção era contar como foi quando entrei naquela sala, passos tão simples, inesperados, aquela porta se abriu e então senti. A atração percorreu meu corpo, ignorei, o que me consta saber atração a gente sente todo dia, no entanto, se ele me pedisse, eu descreveria com detalhes o momento e sensação, a cor dos seus olhos meu bem não é algo que alguém consiga evitar ou esquecer. Romântico, não é? Não. O desejo é desperto de diversas formas. É uma necessidade de pele que não cessa até ser saciada e saber o gosto que tinha, de fato, se tornou meu desejo. Puro e irracional.  
Puro por saber que eu jamais faria algo que comprometesse qualquer um de nós. Irracional porque se a oportunidade me fosse concedida eu não pensaria duas vezes pra saber como é sentir o toque e não, não se engane, não seria rápido, nem um tipo desconecto de cumplicidade, seria intenso, ambicioso, pretensioso, intencional. Uma forma suprema de prazer com direito a espartilhos preto, meias rendadas e pouca luz para que apenas nossos instintos guiassem uma tortura irresistível de carícias e provocações. A impressão que tenho quando o vejo sem ser vista é que se ele dissesse sim eu testaria o limite de todos seus sentidos. Acredito porém que há mais do que eu possa compreender e por isso entendi que distância que ele me impôs seja a opção mais saudável, embora eu não deixe passar um dia sem projetar mentalmente a voracidade de suas mãos percorrendo minhas costas, pressionando minha pele e me persuadindo a pedir por mais.  
Mais forte. Mais descontrole. Sem regras, sem culpa, sem padrões, sem manual, sem drama, sem medo e sem pressa. Sem qualquer sinal de desistência da adrenalina, do suor e da luxúria. Um cenário onde cada movimento seria apreciado com maestria. E gentileza. Porque dele não esperaria menos. A liberdade que me pertence é o que sustenta meu silêncio e não permite que eu me envolva com ninguém, mas não se engane, isso não impediria a experiência do êxtase que eu estaria disposta a ter, pois foi a minha vontade que ele provocou sem perceber. Não tenho dúvida alguma que nossa química seria tão instigante que o arrependimento seria impossível. Todavia, os caminhos, esses se descruzam e segundas chances só acontecem em ocasiões de compatibilidade de tempo e lugar onde é preciso mais que um único desejo. É preciso pretensão. Atitude. E um sim disposto a viver as possibilidades que o destino só nos presenteia em raras, muito raras ocasiões.