A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Sol das Seis de Dois Mil e Dezesseis



Tinha uma caixa cheia de segredos bonitos e loucos perdida no tempo e apesar de fingir que não havia caixa nenhuma, eu sabia que estava lá. Nunca desfiz do que havia dentro, manter cada coisa no lugar parecia uma forma interessante de saber que as lembranças foram reais. A graça toda era imaginar mil situações em que o desfecho seria outro. Não saber de fatos ou de razões tinha seu encanto, as vezes a ignorância é uma dádiva. Devia ter levado a sério os conselhos do meu sexto sentido que diziam constantemente: "deixe as coisas como estão". Eu deveria ter entendido que bagunçar a caixa seria como revirar sentimentos que não deveriam ser tocados, pois de um jeito bonito eles permaneciam cultivados, intactos e preservados.  
Confiei demais no meu orgulho, na segurança, de tanto me sentir inatingível não me dei conta de quão vulnerável e dependente fiquei, logo eu, alguém que parece ter nascido pra se virar. Ele tinha total razão e isso feriu uma parte de mim que não deveria se importar. Quantos desistiram mesmo alegando meu desinteresse? Perdi a conta. E toda vez que isso acontecia eu sabia que de nada valia o fim. No entanto, ele destrancou portas enquanto eu fingia estar segura. O que devia ser intocável e esquecido um dia após ou outro veio à tona, quando isso aconteceu? Eu não sei. Não vi. Quando tudo virou uma confusão entre o que deveria ser sentido ou não, eu me perdi. Completamente. Essa sensação de não saber pra onde ir, de não saber o que esperar, de não saber o que fazer, de me sentir  tão dependente, de me sentir vulnerável me irritava a cada manhã. Busquei respostas e isso foi o meu limite. 
Imaginar desfechos era a graça. Imaginar a singularidade do que foi vivido era o que tornava tudo especial. Imaginar a intensidade e acreditar na importância disso na vida de duas pessoas era o que fazia sentido. Imaginar apenas. Porque a sinceridade que me acordou pra realidade me forçou a entender que foi apenas isso: Imaginação. Não houve nada. E eu não podia insistir. Olhei durante alguns minutos pra tela do computador, um filme longo passou na minha memória. Mais uma vez não podia explicar como eu me sentia sem comprometer meus sentimentos. E mais uma vez aconteceu do mesmo jeito e era disso que eu tanto tinha medo. Mas na esperança que com o passar dos dias eu consiga colocar tudo no seu lugar. Eu dou adeus com um ok. A diferença é que agora não vou ficar parada te vendo partir. Eu tô seguindo em frente também. 

"Quando chega a hora não existe talvez..."

segunda-feira, 22 de julho de 2019

É bom demais querer alguém...



Seus dias são como os meus? Intermináveis. Curtos pra vinte e quatro horas. Mas olha lá você andando sem perceber que em volta tem uma sintonia de encontros e em cada um deles o silêncio fala por nós dois. Você devia saber. Ou sabe tanto quanto eu que tem coisa aí. É que teus olhos fazem todo sentido pra mim mesmo nos dias ruins. Eles brilham do tamanho do teu sorriso quando me diz "oi". Fico parada pro nada, o chão meio que desanda e sei que te gosto nesse momento. E é tão intenso que em vez de me preocupar eu tô me rendendo e querendo te ter todo tempo aqui. Os dias ocupados que não te vejo são sem graça, penso na mensagem que poderia eu te enviar ou na ligação onde eu seriamente inventaria três problemas solucionáveis por você só pra ouvir tua voz séria enquanto penso que todo dia eu te gosto mais um pouco e você não sabe. Pelo menos não tanto quanto eu.  
Se o silêncio saísse do ar a gente se entenderia, se coragem fosse meu forte até te contaria e diria que se você sentar comigo numa tarde de domingo eu faria você ficar de vez entre o medo e o desconhecido. Tempo esse sobre nós que espera, espera, espera e nada acontece. Vai ver que é porque nossos dias são intermináveis e não sabemos nada de nós dois. Dia desses te pego pelo braço e te conto sobre tudo isso aqui, dia desses eu descubro um atalho no meio dos dias bons e aproveito pra pra dizer que é bom demais querer alguém de novo, alguém que é você, que tem um cabelo legal se deixar crescer. Eu gosto do teu cabelo e de você. Mas sei não, algo me diz que eu não sei de nada assim como você, tem nada não, descobrir é uma trilha que faz parte das coisas que acontecem pra fazerem algo mudar.  A gente muda e pode até virar uma coisa só. Vai saber.  
Tudo bem. Tem pressa não, é bonito esse mistério e até esse barulho que tu causas no meu coração que perturba meu sono, mas me encanta demais que só. Fica por aí enquanto vou juntando aqui algumas razões pra te convencer a não ir embora, posso até fazer uma poesia que explique as razões que me fizeram te gostar, um gosto tão indefeso que mantem meu sorriso na falta que você me faz quando some. Paciência pra não apressar, o tempo nos dirá, nada como a manhã seguinte que sempre chega e nos dá a certeza de que é isso mesmo que a gente quer, não pode ser capricho, vontade. Tem que ser querer. No encontro dos nossos relógios a gente vai olha um pro outro e nem vai precisar dizer nada, cê vai ver. Vamos saber.  
D.