A Lunática

Minha foto
Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Outrória



Olha eu aqui. Uma vida inteira depois. Parece que emprestei o tempo e fui respirar em outro lugar onde eu perdidamente me sufoquei. Esperei oito meses por algo que eu nem sabia se viria (e não veio). Nesse espaço de dias e horas mudei os móveis, os quadros e não me reconheci no espelho, até os textos esqueci de escrever de tão submersa que fiquei entre meus problemas criados como monstros pequenos e nada fofos.  No fundo sinto como se tivesse feito uma longa e obscura viagem onde larguei pelo caminho meu bom humor e minha vontade de dar risada de tudo, de fazer piada com a tragédia dos meus relacionamentos falidos, como sempre fiz com aquela velha história em que tomei tanta tequila e terminei a noite abraçada com a pia, se as pessoas não sabem onde é fundo do poço, é bem ali no chão banheiro (risos)! 

Viu! É disso que tô falando, enquanto escrevo, me sinto eu de novo, eu tô voltando e é um alívio imediato saber que tudo tá aqui, o bom humor, as risadas, até minha vontade de cozinhar. De falar. De me mostrar, de dizer essa sou eu. Provavelmente quem chegou nos últimos oito meses vai achar que enlouqueci, mas mal sabem eles que louca eu estava quando eles me conheceram. Demorei a me encontrar, não é fácil se reconhecer quando o que faz parte de você está em outro estado, não havia ninguém pra me dar bronca e me forçar a perceber que a minha mudança foi pra pior. Mas já não importa. Deu tempo, é quase fim do ano e eu consigo respirar. Precisei de uns quatro dias, parece pouco, mas não foi. Voltei a me divertir com minhas manias, das mais pequenas como fazer stories pro instagram sem me importar no quanto as pessoas podem achar que eu tenho um neurônio a menos, é tão fácil ser você no meio de quem cresceu e conviveu a vida toda contigo. Aqui eu me desencontrei e apesar de entender o porquê, deixa pra um outro texto que outrora faço questão de escrever.

Eu devia tá desesperada com medo do futuro ou algo assim por nem tudo ter saído como planejado, ou pelo que tá planejado ainda não ter me dado resultado (que tô esperando!). Tudo tá uma confusão só, o futuro deveria tá me assustando e as mudanças deveriam está me fazendo ficar encolhida num canto, mas né que não. Tô com aquele sorriso bobo e o coração tão aberto, igualzinho como foi quando arrumei as malas com cinco mudas de roupas pra não ter que pagar excesso de bagagem (risos!) e cheguei até aqui olhando pela janela do avião e perguntando a Deus: "E agora o que faço?" Então, Deus segurou minha mão, demos o primeiro passo juntos e depois eu tomei o rumo e foi tão lindo tudo que vivi e conquistei, tudo que criei do zero. O recomeço as vezes pode ser mágico! É isso. É ruim demais se perder e saber que dez por cento dessa escuridão foi devido a expectativas sem sentido algum, pois olha só, é o fim e se eu tiver sorte vou permanecer um tempo maior do lado do sol pra evitar energia que de tão negativa me alcançou. Alguém me disse uma vez que meus olhos são espelhos da minha aura positiva. Eu quero pensar que é, definitivamente eu sou assim. 

domingo, 2 de setembro de 2018

Deu Saudade


Contar que saudade possui inúmeras formas de aparecer, com oscilação de intensidade e pequenas pontadas que ainda que invisíveis causam dor existente. Como alguém pode sentir saudade de um lugar que nunca esteve? Ou sentir saudade do quase nada? De algo que sequer aconteceu. Como alguém pode querer no presente o que mesmo olhando pra trás já não consegue ver, mas numa frase piegas admite que ainda assim consegue sentir? A saudade não se resume a lembranças, a saudade exige mais, exige tanto que embora você não pense, ela consegue se manter inconsciente, imutável e dolorosamente irritante. Se a vontade pudesse ser realizada sem ferir o orgulho eu teria voltado, no entanto, não aprendi  a diferenciar o certo do errado, é apenas naquele segundo antes de dormir que permito que a saudade me conceda a certeza de que sim, podemos sentir falta de um lugar que nunca estivemos e talvez seja esse o pior tipo de saudade, um tipo capaz de transformar tudo ao redor em traços omissos de chuva nos olhos.

A sensação do quase nada que ficou só serviu pra saber que o céu e o inferno é aqui e viver em um deles depende mais de quem está no seu coração do que mesmo de você. Sigo acreditando que hora dessas qualquer, ela cansará, nada é pra sempre e até a saudade deve ter em nota que não é sábio permanecer onde não há reciprocidade. Me desfaço em prece e rogo ao tempo que faça poeira do que sinto, dessa ausência que não cabe mais em mim, dessa nostalgia de imaginar que eu poderia ter sido a felicidade e dias de sol de quem só sabe demonstrar no sorriso o quanto é infeliz. Rogo que o vento espalhe em cada canto do passado a saudade que não posso tocar, mas que conscientemente me faz pequena diante dos espaços que transborda. Há a inquietude de esperar, de fato, negar não me atrevo, mas arrisco a me desfazer dos detalhes que sustentam a minha espera. O desafio é fazer com que a saudade abra mão do medo de me deixar ir sem questionar ou impedir que eu vá. Não se pede licença pra sair quando se quer mais que tudo ficar. 

Os dias que por obrigação deveriam diminuir sensações e saudade só me ensinaram que intensidade não se controla, que é mais fácil tentar conviver com as pequenas e incômodas pontadas do que fingir inércia, insensibilidade. Sentir é o que faz as minhas melhores linhas serem escritas, ora sobre a sorte, ora sobre abraços que desencaixam, por ora te conto sobre essa estranha forma de amar uma impressão que de tão forte se fez saudade suficiente pra permanecer quando não canso de insistir que ela faça morada em outro lugar. Me torno parte do silêncio e desconstruo mentalmente dia após dia todos os planos em torno do presente que não se materializou. Disfarço o sentimento de perda e mantenho a convicção de que se fosse real estaria aqui no segundo em que fecho os olhos pra escrever em pensamento um texto sobre a saudade e como ela me afeta tristemente antes de dormir.