A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 5 de março de 2018

O Amor Não é Injusto


E como vai você? Já faz algum tempo, longo, longo tempo. Teu sorriso continua o mesmo, o teu olhar esconde tristeza, mas eu não ouso perguntar. Há tanto pra dizer, pra ouvir e perdoar. Esperei uma vida por esse momento onde eu pudesse te encarar e questionar em que parte do passado nós desistimos, mas eu mantenho os pés fixos e a mente em confusão, tô perdida entre querer saber ou não. Se eu cruzar o espaço pra longe de você vou consegui seguir em frente? Porque ainda que eu tenha tentado fazer isso as 365 páginas escritas existem pra me dar a certeza de que não consegui. A verdade é que não fui muito longe sem você, os estágios de aceitação e superação não funcionaram bem pra mim, sabe como é? Corações quebrados não seguem regras. E no fundo, bem no fundo eu tinha maior fé que resistiríamos ao teste dos relacionamentos falidos, mas nem a amizade bonita que nos uniu permaneceu além do fim, essa sim é a regra que parece existir pra jamais ser quebrada. 

Eu esperei por você, construí cenas de filmes românticos em que voltaríamos com direito a dedos entrelaçados e promessas mútuas. Pode rir se quiser, pensando bem é até engraçado a minha ingenuidade perto da realidade que foi você ter arrumado as malas e saído da cidade dias depois. Pelo visto esse aqui é o momento que chegou tarde demais pra dizer todas as coisas que não foram ditas. Pois que seja, senta, pede um café, uma cerveja ou uma vodka ou qualquer bebida que faça você se sentir à vontade, aproveita o parar do relógio e me conta o motivo dos seus passos de volta a minha porta. Sim, é difícil encontrar o perdão. É difícil falar sobre arrependimentos quando uma das leis da vida é não poder voltar no tempo e por isso admiro sua coragem em atravessar limites geográficos e atemporais pra reafirmar o amor que você diz nunca ter deixado de sentir. 

Nós éramos amigos, melhores amigos, eu conhecia seu coração melhor que o meu. A gente dançou abraçados e foi quando você me olhou nos olhos que entendi que não havia mais nada que eu pudesse fazer. Seus olhos nunca mentiram pra mim, sei disso porque você era a unica pessoa com a qual eu conseguia conversar sem desviar a atenção. Ouvindo suas razões meu perdão consegue te alcançar. No entanto, seu pedido é demais, sinto muito, eu declino, eu rejeito, eu digo não. Eu amo você. Amo com alma e coração, mas esse mesmo amor me levou do céu ao inferno, me torturou por anos a fio e quase me consumiu em espera e você? O amor não é injusto meu bem. Existem guerras que não podem ser vencidas, mas se o destino estende uma oferta de paz pela dor que nos causou é digno aceitar. Dizem que primeiro vem a aceitação e depois a superação, mas nunca se sabe, depende do quanto quebrado seu coração está. E eu? Eu só desejo toda sorte do mundo para o seu recomeço.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Você Nunca Perde Por Amar


Sinto falta. Sinto tanta falta. Falta do tempo contigo, falta do tempo contado, até do cronômetro ligado e da gente correndo contra o relógio sem saber o que fazer com os últimos dias, dias esses que foram tão mágicos quanto o dia que nos conhecemos. Eu sabia que ia te perder. Que fomos projetados para não ser, para não ter futuro. Mais cedo ou mais tarde você ia partir e ambos estávamos adiando o futuro que hoje, adivinha só? É meu presente. Daqui, a vida continua passando diante dos meus olhos e eu sigo em frente contando nos dedos os anos sem você. Sim. Por tudo que tivemos, por cada momento que construímos, pelas promessas feitas no amanhecer eu não permito que a fraca memória humana apague qualquer detalhe que guardei de nós dois e de como eu fui feliz ao seu lado. Pausa pra respirar.  
O destino tirou de mim mais do que me deu. Eu me refiz inúmeras vezes e doeu ca-da u-ma de-las. No entanto, acredite, de todas as vezes em que fui machucada nenhuma me feriu mais que o dia que fomos obrigados a dizer adeus. Aprendi cruelmente que não importa o tamanho da ferida, se é pequena ou grande, o que importa é a profundidade da mesma e curar essa profundidade nos deixa marcas eternas e indisfarçáveis. Então como esperar que eu entendesse que amor é sacrifício quando esse amor me causou tanto sofrimento? Como esperar que eu me refizesse sem cicatrizes quando a dor quase me consumiu? Não é fácil amar de novo quando já se conhece o valor de um verdadeiro amor. Não há como medir a ausência ou o espaço que ficou, isso torna improvável a ideia de encontrar alguém com sentimento suficiente pra ocupar cada canto.  
Eu rezei baixinho incontáveis vezes. Pedi por você. Parei. Suspirei. Pedi pra esquecer. Mesmo refeita fisicamente. O sentimento permaneceu imutado. Foi lá, em pé no saguão de um aeroporto que vi você me deixar e ir embora tão triste quanto eu fiquei juntando cada pedaço do meu coração. De lá pra cá as cicatrizes existem pra que eu embora mantenha meus pés firmes no presente jamais me perca do lugar onde eu te vi pela última vez. Nossas decisões nos custaram a felicidade. Ainda assim, amor é amor e a nossa forma de amar foi livre de sentimentos vis, não foi egoísta quando isso foi exigido de nós, não foi invejoso, não buscou seu interesse, pois fizemos as escolhas certas e suportamos a angustia que isso nos causou. Tenho comigo a sorte de ter vivido o amor mais sublime, mais transparente, mais bonito e incrível. Quando se ama com fé e esperança o que foi nunca deixa de ser. O que foi sempre é. Fomos separados. Mas o amor nunca chegou ao fim. 

 Princesa

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sete Noites


Foi de surpresa e daquelas boas. Daquelas boas demais. Daquelas surpresas que fazem a lágrima escorrer no canto do olho enquanto apenas se sente, muda, impactada pela realização de ver cê projetado ali, do mesmo jeitinho, com todas as feições, o sorriso tímido e encantador. E a voz - que voz! Essa voz que eu conheço tão bem, essa voz companheira de tantos momentos felizes e tristes. Essa voz que tanto me acompanhou distante e serena - serenade - que tanto sussurrou ao meu ouvido em volume máximo tudo aquilo que eu queria e deveria gritar. Gritar com a mesma intensidade e loucura com que era dito ao meu coração e a minha alma. Cada frase em nota não era simplesmente uma letra qualquer, tinha sentimento demais pra transparecer toda uma vida de amores perdidos e por isso falava tão verdadeiramente a tantas pessoas espalhadas nesse mundo. E eu claro, estava ali no meio da galera, da mesma galera que trouxe você de volta. 

Agradeci repetidamente pelos trinta minutos que passaram voando enquanto te olhava meio abobalhada pensando no porquê desse retorno inesperado trazendo consigo um tsunami de memórias, as memórias para as quais eu decidia se queria voltar ou não. Quando eu queria encontrá-las eu sim as procurava e já sabia onde encontrar. E de lá me perguntava se um dia você voltaria, se um dia eu ouviria todas essas canções que sabia de cor em uma versão atualizada, com alterações de tons, de notas, de timbre. Cada uma dessas canções que eu decorei, tatuei e que corre pelas minhas veias de um jeito que ninguém mais entende. Além de você. Você definitivamente entende porque quando eu achei que delas você havia se esquecido, tua expressão entregou que não há nada que marque mais teu espírito do que o tempo em que você foi reação.  

Eu sorri quando a referência do final de Espero me fez enfim falar: O dia da espera acabou. Tocamos o céu com nossas mãos e o nosso coração. Você veio em uma surpresa de fim de noite, uma chamada que me puxou pra longe e perto ao mesmo tempo, que me fez checar a data duzentas vezes pra ter a certeza de que era real, de que cê era real e não é que era! E veio, veio me fazendo abrir um sorriso de tão largo que pensei que não caberia em mim. Veio me fazendo fechar os olhos, muda, sentindo a lágrima escorrer enquanto eu cantava em sussurros "Sete longas noites te esperei até o amanhecer e cada lágrima que derramei por você eu dediquei ao nosso fim porque já não existe nós...".  Sim, você me presenteou em mãos com novas versões, as mudanças de tom e de timbre nas canções que a minha vida inteira conhecia. Não, não são qualquer versões, são as suas versões, cê é o único que consegue transparecer alma nas suas músicas usando apenas sua voz inconfundível e um único violão. Pra você Jonanthan Corrêa toda a minha gratidão.