A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Você Nunca Perde Por Amar


Sinto falta. Sinto tanta falta. Falta do tempo contigo, falta do tempo contado, até do cronômetro ligado e da gente correndo contra o relógio sem saber o que fazer com os últimos dias, dias esses que foram tão mágicos quanto o dia que nos conhecemos. Eu sabia que ia te perder. Que fomos projetados para não ser, para não ter futuro. Mais cedo ou mais tarde você ia partir e ambos estávamos adiando o futuro que hoje, adivinha só? É meu presente. Daqui, a vida continua passando diante dos meus olhos e eu sigo em frente contando nos dedos os anos sem você. Sim. Por tudo que tivemos, por cada momento que construímos, pelas promessas feitas no amanhecer eu não permito que a fraca memória humana apague qualquer detalhe que guardei de nós dois e de como eu fui feliz ao seu lado. Pausa pra respirar.  
O destino tirou de mim mais do que me deu. Eu me refiz inúmeras vezes e doeu ca-da u-ma de-las. No entanto, acredite, de todas as vezes em que fui machucada nenhuma me feriu mais que o dia que fomos obrigados a dizer adeus. Aprendi cruelmente que não importa o tamanho da ferida, se é pequena ou grande, o que importa é a profundidade da mesma e curar essa profundidade nos deixa marcas eternas e indisfarçáveis. Então como esperar que eu entendesse que amor é sacrifício quando esse amor me causou tanto sofrimento? Como esperar que eu me refizesse sem cicatrizes quando a dor quase me consumiu? Não é fácil amar de novo quando já se conhece o valor de um verdadeiro amor. Não há como medir a ausência ou o espaço que ficou, isso torna improvável a ideia de encontrar alguém com sentimento suficiente pra ocupar cada canto.  
Eu rezei baixinho incontáveis vezes. Pedi por você. Parei. Suspirei. Pedi pra esquecer. Mesmo refeita fisicamente. O sentimento permaneceu imutado. Foi lá, em pé no saguão de um aeroporto que vi você me deixar e ir embora tão triste quanto eu fiquei juntando cada pedaço do meu coração. De lá pra cá as cicatrizes existem pra que eu embora mantenha meus pés firmes no presente jamais me perca do lugar onde eu te vi pela última vez. Nossas decisões nos custaram a felicidade. Ainda assim, amor é amor e a nossa forma de amar foi livre de sentimentos vis, não foi egoísta quando isso foi exigido de nós, não foi invejoso, não buscou seu interesse, pois fizemos as escolhas certas e suportamos a angustia que isso nos causou. Tenho comigo a sorte de ter vivido o amor mais sublime, mais transparente, mais bonito e incrível. Quando se ama com fé e esperança o que foi nunca deixa de ser. O que foi sempre é. Fomos separados. Mas o amor nunca chegou ao fim. 

 Princesa

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sete Noites


Foi de surpresa e daquelas boas. Daquelas boas demais. Daquelas surpresas que fazem a lágrima escorrer no canto do olho enquanto apenas se sente, muda, impactada pela realização de ver cê projetado ali, do mesmo jeitinho, com todas as feições, o sorriso tímido e encantador. E a voz - que voz! Essa voz que eu conheço tão bem, essa voz companheira de tantos momentos felizes e tristes. Essa voz que tanto me acompanhou distante e serena - serenade - que tanto sussurrou ao meu ouvido em volume máximo tudo aquilo que eu queria e deveria gritar. Gritar com a mesma intensidade e loucura com que era dito ao meu coração e a minha alma. Cada frase em nota não era simplesmente uma letra qualquer, tinha sentimento demais pra transparecer toda uma vida de amores perdidos e por isso falava tão verdadeiramente a tantas pessoas espalhadas nesse mundo. E eu claro, estava ali no meio da galera, da mesma galera que trouxe você de volta. 

Agradeci repetidamente pelos trinta minutos que passaram voando enquanto te olhava meio abobalhada pensando no porquê desse retorno inesperado trazendo consigo um tsunami de memórias, as memórias para as quais eu decidia se queria voltar ou não. Quando eu queria encontrá-las eu sim as procurava e já sabia onde encontrar. E de lá me perguntava se um dia você voltaria, se um dia eu ouviria todas essas canções que sabia de cor em uma versão atualizada, com alterações de tons, de notas, de timbre. Cada uma dessas canções que eu decorei, tatuei e que corre pelas minhas veias de um jeito que ninguém mais entende. Além de você. Você definitivamente entende porque quando eu achei que delas você havia se esquecido, tua expressão entregou que não há nada que marque mais teu espírito do que o tempo em que você foi reação.  

Eu sorri quando a referência do final de Espero me fez enfim falar: O dia da espera acabou. Tocamos o céu com nossas mãos e o nosso coração. Você veio em uma surpresa de fim de noite, uma chamada que me puxou pra longe e perto ao mesmo tempo, que me fez checar a data duzentas vezes pra ter a certeza de que era real, de que cê era real e não é que era! E veio, veio me fazendo abrir um sorriso de tão largo que pensei que não caberia em mim. Veio me fazendo fechar os olhos, muda, sentindo a lágrima escorrer enquanto eu cantava em sussurros "Sete longas noites te esperei até o amanhecer e cada lágrima que derramei por você eu dediquei ao nosso fim porque já não existe nós...".  Sim, você me presenteou em mãos com novas versões, as mudanças de tom e de timbre nas canções que a minha vida inteira conhecia. Não, não são qualquer versões, são as suas versões, cê é o único que consegue transparecer alma nas suas músicas usando apenas sua voz inconfundível e um único violão. Pra você Jonanthan Corrêa toda a minha gratidão.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Não Espere Pelo Amor


Te coloquei nesse pacotinho com coloridas fitas e laços pra te guardar no bolso, pra te ter comigo o tempo todo, pode parecer egoísmo, mas foi o jeito que encontrei de não te perder de mim. Assim eu poderia te contar como anda meu coração com a falta do teu sorriso torto, do teu jeito cuidadoso e das tuas mãos que prometeram nunca me deixar. Assim eu poderia te mostrar que os meus dias se tornaram reflexivos, calmos, lentos e cinzentos. Assim tão próximo, você veria as pontadas de dor que eu sentia cada vez que pensava no por que de você ter desistido tão cedo. No por que o teu olhar te me encarado tão inseguro quando teu último beijo me fez entender que você queria ficar. Mais que tudo. Quando teu último abraço me apertou como se não quisesse ir a nenhum lugar. Mas você foi. 

Te troquei de lugar e te arrumei em uma caixinha tão pequena que eu tinha esperança de esquecer solta por aí, mas volta e meia eu checava pra ver se ainda te tinha perto e por certo tua presença ainda estava ali preenchendo o espaço inteiro de saudade. De vontade. E de tantos sentimentos que já nem conseguia definir por tamanha confusão que alcançava meu coração. Então, sem opção te escondi no fundo da gaveta do armário da cozinha, se eu me sentia tão sozinha, não seria você que me protegeria da forte chuva e de todos aqueles trovões, talvez a distância entre os cômodos da casa me fizesse te esquecer ali, naquele projeto de cofre elaborado pra não ter que te ver mais. Não deu certo. No meio da noite eu te buscava e dormia abraçada com o que fiquei de você. Tudo era tão pouco, tão mínimo e tão enlouquecedor, dizem que a sensação do fim é justamente essa: O insuficiente que nos faz bem. O insignificante que nos recompensa. O nada que nos sobra e nos mantem vivos - ainda que loucos. 

Te embrulhei com todo zelo, com toda gentileza e dedicação. Me despedi em uma cerimônia bonitinha com palavras de adeus em forma de desapego compreensível, cheio de otimismo que até eu me surpreendi. Listei em um papel oficio as inúmeras razões que encorajasse minha alma. Esse era o melhor a fazer. Eu tentei como pude, mantive você em um pacotinho, em uma caixinha, até te coloquei no fundo da gaveta, nada adiantou, essas atitudes eram cômicas de tão ridículas. Eu ri. Eu só queria me ver livre das alucinações e da espera. Não se deve esperar o amor. Quando a condição da espera é imposta,  amor é o último sentimento que você vai receber. Isso se um dia ele chegar. E se chegar, acredite não é amor. Deixe passar. Eis que finalmente, com as mais lindas flores eu te lancei no fundo do mar. A chama apagou. As ondas nos meus pés me fizeram livre, enquanto contemplava o pôr-do-sol eu cantei: Esqueça a dor e leve o beijo e o gosto da nossa história. O eterno contigo, com tudo agora eu quero dividir...