A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Nosso Amor Não Deu Certo



Nosso amor não deu certo. Desperdiçamos tempo, paixão, saudade, vontade e todos os clichês da música sertaneja romântica. Nosso amor estava mais pra um blues de final expressivo que evita notas da escala maior e que utiliza sempre uma estrutura repetitiva. O que tanto se repete, sabe como é, facilmente cai na rotina e lá se vai toda a graça. A gente tinha era que ter pisado fundo mesmo, sem medo, sem receio. Mas não. Freamos, fizemos diversas paradas enquanto a estrada chamava por nós, brilhante, convidativa, infinita. Desaceleramos o passo pra enlouquecer pelos motivos errados, os motivos certos nos fariam deixar a razão de lado pra seguir os conselhos inconsequentes do coração Acredite, não teve emoção alguma ultrapassar os limites a uma velocidade de 20km/h. Se nosso objetivo era deixar rolar, falhamos miseravelmente.

O fôlego se tornou insuficiente. Ficou difícil respirar em meio a relação tóxica que construímos.Tinha oxigênio em qualquer lugar, menos ao seu lado. O amor todo que juramos ser pra sempre não chegou lá. O pra sempre sorriu, deu adeus e saiu sem olhar pra trás. Se existe 1% de inclinação no alicerce em que o nós se constrói, a paixão então já era. Foi impossível impedir o escoamento do sentimento que inevitavelmente desapareceu ralo abaixo. Eu ri. Ri das promessas que viraram água sob nossos pés. Ri do final feliz que debochou da minha cara esquecendo que sou descrente do que é imortal. A evaporação do tal pra sempre nunca me incomodou . Nossas almas atrativas e opostas sabem muito bem que somos jovens demais pra deixar o amor partir nosso coração. Nosso amor existiu. Apenas não deu certo. Entretanto, nos deu direção. Se podíamos segurar a tentativa? Podíamos, mas não seria chance, seria cobrança. E não há amor que sobreviva desse veneno.

A página virou. Sobre o nosso futuro o livro não contou. A história escrita em rabiscos ficou incompleta e sem detalhes. Tínhamos caneta e lápis nas mãos, no entanto optamos pela aceitação dos capítulos preenchidos em branco, sem conto dos reencontros. A gente guardou com cuidado por entrelinhas os segredo, as lembranças e a força que não tivemos quando a coragem bateu na porta errada em diferentes datas. Desaprendemos o caminho das escolhas e perdemos o time do reinicio do ciclo. Voltar seria cansativo. Voltar seria desgastante. Voltar seria egoísta. Voltar seria obrigar o outro a pular sem saber qual dos dois cairia. Ambos concordamos que o sol aqui em cima é melhor que a descida ao abismo congelado.  Independente de parágrafos cedemos e equilibramos. O nosso amor não deu certo, mas deu rasteira, a diferença é que com o tempo aprendemos a cair de pé. E você e eu acreditamos que por ação e efeito, os finais são tão importantes quanto os (re) começos.


domingo, 6 de agosto de 2017

Fechos & Desfechos



As chaves, você viu? Essa atmosfera do fim que está sobre nossas cabeças não vai dissipar até um de nós se mover, você sabe disso, não sabe? Nesse caso, me ajuda a procurar. As chaves. Tem duas malas na porta e eu não acho as chaves e nem a razão pra fazer esse ponteiro pequeno girar mais uma vez. Acabou. Você pode notar isso seja pelo sentimento inexistente, os móveis jogados contra a parede ou a bagunça no apartamento e na nossa vida. Olha ao redor, tem palavras jogadas por todos os lados, arrependimentos futuros impregnados nas paredes e ainda que você não veja o amor é essa poeira acumulada nos cantos. Esquece, a imobilidade dos seus passos não farão de você a mais racional de nós dois. Embora você sempre tenha jogado com paixão. Somos um conjunto de peças quebradas em um jogo de tabuleiro sem vencedor. 

Eu não quero tentar consertar, reparar, restaurar, remendar. Já fizemos isso inúmeras vezes. Cansativas vezes. Exaustivas vezes. Devíamos ter ido embora no primeiro desencontro desse enredo embriagado e não ficarmos insistindo em sermos distrações um do outro. As chaves? Onde está? Eu preciso ir. Não sou eu quem vai absolver os erros, os erros também fazem parte de mim, espero que com o fechar desse ciclo eu consiga me perdoar por amar você como um louco. Porque só um amor sendo louco pra destroçar alguém que se esforçou infinitas vezes pra fazer dar certo. Não deu. Não demos. E não há mais o que lamentar aqui, nem os planos, nem os anéis. O sumiço das marcas sejam nos dedos ou no coração precisam de tempo e partir pra outro lugar me faz acreditar que o improviso do destino existe pra virar a página de um capítulo o qual a gente insiste em dizer que não acabou.

Você pode permanecer imóvel se quiser, a escolha é sua. Mas também é escolha minha deixar vazio o espaço que preenchemos de projetos, vida e vinhos. Finais são tristes, só não tanto quanto ver a indiferença por você ganhando força. Essa é consequência da história que você decidiu escrever sozinha. Da história que você viveu com alguém que eu deixei de conhecer. Por falha minha, é o que você diz. Mas a estúpida ironia dos fatos é que o sangue que queima quando você me olha não é o meu. É o seu. Sorte maldita você ser a encarregada do final quando foi a única que me fez começar a aventura corajosa que é se entregar sem medo ou insegurança. Curiosamente a garota de sorriso angelical era quem eu deveria temer. Sensação estranha ir embora sabendo que o descanso dos seus braços já não é meu lar. Você tem que soltar. As chaves. Não vou tirar de você, mas se essa é sua forma de impedir que eu vá, eu declino, eu rejeito, me recuso a entender e faço uma última coisa por nós: Chamo um táxi.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Why is Everything so Heavy?


Quando menos se espera você descobre que o fundo do poço não fica tão longe quanto imagina. Os seus desejos já não parecem tão cheios de vida. E pra ser sincera, nem você. Concentrar-se na realização dos planos passa a ser uma luta diária contra você mesmo. Uma luta consciente. O que é importante pra você deixa de ser. A alegria já não te faz sorrir. Você perde. Se perde. "Está tudo errado" essa é a frase que você tanto repete no espelho quando encara os próprios olhos vermelhos. As emoções estão em descontrole. Já não representa nenhum significado se você consegue levantar da cama pra tentar escalar as paredes desse poço que só te puxa pra baixo. Não é tão fácil escapar da gravidade quando o pânico é o seu conforto anestésico. As sombras são sempre aconchegantes e você quer tanto permanecer ali, mas a fresta de luz que toca seu rosto te obriga a abrir os olhos e continuar andando. Por que não, não é? O brilho do sol nunca se desfaz desse tom convidativo de tente outra vez.

Você sai. Conversa. Interage. Fraquezas não devem ser expostas. Você faz piadas. Sorrir. Você finge. Sua dor não se vai. Sua dor te arrasta, te consome internamente, te segura e tudo fica pesado demais. Por que é tudo tão pesado? A indiferença e o desinteresse não são escolhas, eles não entendem como é angustiante e atormentador sentir-se sozinho em meio a uma multidão com um grito mudo de me salve preso na garganta. Não dá pra saber se são as preocupações, o desgosto das inúmeras derrotas, as discussões, a irritabilidade sem motivo ou a ideia fixa de que nada importa. É só o nada. E aí surge a vontade insana de apertar um botão que acelerasse o presente e você acordasse em um futuro onde a dor tivesse sido apenas um acidente. Um incidente. Cortes. Morte. Fim. Atrativas formas de esquecer que a dor é menor do que parece. Que esse vazio, esse oco, esse buraco no seu coração não são resultados da sua covardia. Da sua entrega. Da sua mente amedrontada que insiste em acreditar que a falta de tempo vai engolir você. Sua mente é uma pilha de problemas desnecessários que você quer deixar pra lá, mas não consegue. E você só não quer mais sentir. E busca razões pra não sentir.

Seu fracasso é admitido e então você desiste. Fica aí parado como uma ampulheta imóvel, fitando as marcas dos seus próprios machucados e continua tudo tão errado, só porque não consegue ver, não significa que a fé e a esperança não estejam lá. Não há como fugir, sentimos dores demais durante nossa vida, algumas mais fortes, outras nem tanto, mas dor é dor. Dor física, dor emocional, dor inexplicável. Quando a dor transborda não há raciocínio, só há apenas pensamentos desordenados procurando uma única razão pra não se reconhecer mais e se você não consegue lidar com isso de forma racional, você precisa assumir. Mesmo que não queira, você precisa falar sobre depressão. Eu sei, você não quer ser o paranoico e desacreditado, e quem quer ser afinal? Mas a dor que você não consegue definir está te consumindo tanto a ponto de fazer você esquecer permanentemente que o único que pode salvar você dos seus próprios cortes... É você mesmo. Lave o veneno pra fora da sua pele. Liberte-se. Ainda que pergunte mentalmente quem irá se importar se mais uma luz se apagar? Quem  irá se importar se o tempo de alguém acabar? Eu respondo. Eu te abraço. Eu te digo: Bem, eu me importo.


O primeiro passo pra cura da depressão precisa ser dado pelo paciente. Mãos de ajuda, força e companheirismo são precisos pra apoiá-lo nessa caminhada. Use sua audição e língua para o bem. Como li ontem, uma boa conversa, uma palavra amiga, um "como vai você?" custa zero, eu disse Zero reais. Faça por quem ama o máximo que faria se ele já tivesse partido e uma segunda chance fosse lhe dada. Não ignore os sinais. Ajude.