A Lunática

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Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quarto Cavalheiro



Desaparece. Aparece. Reaparece. Quando vem é bagunçando a mente e o corpo. É arrastando escada a baixo o pouco de senso que tenho. Pra ele assumo que sempre estarei aqui, esperando, embora nunca perdida. Esperando ainda que eu não saiba exatamente o quê. As promessas dele levo a sério, mas acho graça do encanto que suas palavras transmitem quando faz de conta que quem o deixou fui eu. Não tivemos partida. Nem despedidas. Mas diversos e cômicos desencontros cheios de raiva momentânea e juras de que finalmente um dos lados havia se cansado. Só que o adeus, esse nunca chegou, assim como a realização daquele desejo escrito e descrito em um verso de um receituário qualquer.

Uma carta manuscrita foi o presente mais lindo que uma amante das palavras já recebeu. No entanto, de incerta me faço, não procuro por respostas e nem faço as perguntas que não quero saber. Ele desaparece e leva o carinho e a preocupação com os quais me acostumo quando ele está aqui. Cuidado que me ganha por uma voz fácil de reconhecer. Fecho os olhos e me deixo ser levada pela imaginação que ele conduz quando questiona se pode me segurar em uma dança até que eu seja sua. Devagar, sem pressa, silêncio, respiração, mãos, gemidos. Reticências. Imaginação. Assim nos divertimos, sorrimos e vamos embora um do outro mais uma vez sem contradições ou confusões.

Nossas confissões ficam guardadas por uma admiração mútua e imperfeita. Tranquilidade nos rodeia e se isso não é amor, há de ser um sentimento que nenhum dos dois saberia dizer. Esqueço, mas o tempo não nos afasta. Se ele vem me tira do conforto, me puxa pra fora, me faz sentir viva. Dou de ombros e admito que dele sinto falta, que da sua voz preciso da calma. O seu sumiço não me desaponta. Ele não me decepciona. Assim como não me desencanta não saber o gosto que tem seu beijo. Ou o seu corpo. Não me agarro ao que não aconteceu, paciência é a arte de quem vê o amor como algo livre. Essa é a lei suprema dos mortais.  Então permito que desapareça, apareça, reapareça e que se longe não se perca e que se perder ache nos textos que escrevo o caminho de volta pra mim porque o equilíbrio que ganho ao seu lado não encontro em mais ninguém. 

domingo, 2 de abril de 2017

O Máximo de Nós Dois


Pensamento positivo e as melhores expectativas. Eles esforçaram-se e na décima tentativa tornaram-se enfim a parte real do presente. Hora marcada que deu certo. Mensagem que chegou e ligação feita para não se perderem. O tempo parou para dar uma chance as suas vontades. O destino deu trégua e permitiu um espaço para serem conversa sem interrupção, pra serem dança e confissão. Transformaram-se em cúmplices de uma noite perfeita. Espera que valeu cada desencontro e cada desentendimento. Espera que valeu cada segundo do momento em que viveram um ao outro. Eles foram desejos saciados, foram prazer alimentado entre beijos e abraços em uma madrugada radiante. 

Nada se compara a intensidade da respiração de duas pessoas que ambicionam se pertencerem. Você consegue sentir o medo não antes, mas durante. O medo está nos dedos que agarram com força o que não pode te pertencer. Já sentiu? A mão percorrer o cabelo, o pescoço e segurar com determinação um abraço quente que em meio a um silêncio de réus seria incapaz de permitir o fim. Haveria sempre a lembrança da inquietude, do ritmo acelerado, da inspiração ofegante, do beijo ardente e aguardado. Haveria consequentemente a recordação dos gemidos e voz urgente prontificada em pedir mais por favor – Por favor só se pede quando sabe que a vida não dará oportunidade de viver a mesma mágica uma segunda vez. O gosto do sal do suor tem sabor diferente quando o querer é reciproco. É vinho envelhecido bebido até a última gota em uma entrega despida de qualquer pudor, indecência ou desonestidade. 

Dessa vez o relógio esperou por eles. Deitados sobre o cansaço divertiram-se com os segredos compartilhados, as afinidades trocadas e a segurança que os encobriam das desconfianças do mundo. Isolados em um quarto escuro amaram-se mais uma vez entre a calma e o romantismo, sem pressa, aproveitaram os pequenos detalhes como alguém que se vicia no sabor que sabem que não mais sentirão. Sabem que não irão esquecer. Sabem que o desejo quando está no sangue e não mais na pele parar é praticamente impossível. Sabem que o desejo ébrio pode ser inevitavelmente provocante, desafiador e perigoso, tão perigoso que se torna irresistível. Eles dois sabem que se persistirem em continuar não terão limites e talvez por saberem que fizeram dessa última tentativa a memória perfeita do prazer absoluto. E eu talvez por saber que serão incertos pela eternidade é que transformei em escrita como seriam se o destino não complicasse tanto seus planos. O perto é inexistente e talvez a sina deles seja realmente ficar um sem o outro. Não são pra ser. E não foram.

E quando você se foi eu aceitei que a imaginação é o máximo que terei de nós dois


segunda-feira, 27 de março de 2017

Uma Homenagem de Todas Nós






Uma homenagem de todas nós: Maria Lúcia, Clarisse, Leila, Mônica, Fátima, Natália, Mariane... Raiane e Dheysse.

Me apaixonei por ele muito cedo, foi amor à primeira vista, tempos de escola. Um amigo nos apresentou, me recordo como se fosse hoje. Aos poucos fomos nos aproximando e tudo o que ele dizia parecia fazer tanto sentido, eu como toda adolescente revoltada não tinha uma boa relação familiar e ele sempre me dizia que eu também não entendia meus pais, afinal eles eram apenas crianças como eu. Pela primeira vez comecei a perceber que eles tivessem razão. 

Comecei a compreender naquele momento o porquê nunca gostei de ouvir as músicas que minhas amigas adoravam e que pra mim não representavam nada. Eu estava esperando por ele, meu primeiro amor. Tudo começou a fazer sentido, uma explosão de sentimentos que estavam surgindo e eu nunca entendia nada. Era choro, era alegria, era saudade, era desilusão. Tudo na vida de um adolescente ganha proporções planetares e na minha então, que sempre fui muito emotiva, parecia o final dos tempos, sempre querendo provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém, mas ele estava lá. Tinha uma canção pra cada momento, as letras me entendiam e sua música tocava minha alma. Após uma noite de choro e lamentações, no dia seguinte, quando o sol batia na janela do meu quarto eu então estava bem, pronta pra recomeçar. 

Fui crescendo e amadurecendo e ele sempre presente. Ele me ensinou que todos temos nosso próprio tempo. Alguns falam que é exagero, porém são 16 anos de um amor incondicional, sem cobranças, sem culpas, sem arrependimentos. Anos de aprendizado. Quem me conhece sabe o tanto que amo música, o tanto que é libertador para mim e tenho plena certeza que minha vida não seria a mesma se eu não tivesse conhecido Renato Russo e apesar de não ter conseguido meu equilíbrio - pois insisto em cortejar a insanidade - parte do que sou hoje eu devo a ele, és parte ainda do que me faz forte. Só quero dizer muito obrigada por tudo que me ensinou. EU TE AMO e essa é minha singela homenagem. Parabéns onde quer que você esteja.

Strawberry fields forever...

... E realmente a tempestade é da cor dos teus olhos castanhos.

Texto escrito por Raiane Gomes





segunda-feira, 13 de março de 2017

Persuasão



Ainda que fosse imaginado não seria tão perfeito. Tem graça nos seus modos, distinção do que é certo e errado, posso dizer que há sensatez em suas palavras e racionalidade em tudo o que gira em torno do seu próximo passo, a meu ver não há nele traços de inverdades, ele é real demais, astuto e encantador. Faria mais elogios se me permitisse, é claro que sobretudo há modéstia de que nada mais deva ser acrescentado. No entanto, minha atenção é requisitada quando faz de sua conversa a mais interessante, o tempo não pára o que apenas aumenta a vontade de nos perdermos em horas de curiosidade mútua. Ele me faz querer mais. Mais do momento. Mais do que pensamentos. Mais das reações que os efeitos dos nossos pequenos toques são capazes de nos fazer sentir. Eu decido fazê-lo querer pedir por mais. 

Como se ela usasse linhas de conexão. Não consigo ficar longe, não consigo pensar em mais nada que não seja o jeito despreocupado ou a forma como ela sorrir e encara a vida. Não se importa com olhares alheios, com julgamentos do certo e errado, tem certeza das sensações que deseja, tem uma sede insaciável por tudo que ainda não viveu. Há malícia em suas atitudes, ainda que irracional sabe bem o que fazer e com isso me desperta um interesse inevitável. Não há dúvidas no modo em que se define: é determinada, confiante e fascinante. Ela me deixa sempre com a curiosidade do que esperar no dia seguinte. Eu só posso pedir por mais. Mais do que sinto quando trocamos toques. Mais do instante em que permaneço ao seu lado. Mais dela e de tudo o que sei que podemos ser e fazer juntos. 

Tão transparente e seguro. Ele me faz querer ficar onde eu quase não fico. Não sei construir morada, me faço de areia e escorrego entre os dedos. Minha certeza é nunca permanecer. Sou os passos antes do amanhecer. Mas ele? Ele tem fé que no dia seguinte eu esteja ao seu lado, pois é audacioso pra acreditar que pode me apresentar a vida que ainda não vivi. É difícil raciocinar quando seus olhos não expressam confusão, equívoco, quiçá ambiguidade de intenções. Ele é firme, pelo que constato já se adiantou em pesar os prós da conquista e os contra do passado sobre qual desvio constatemente com bom humor dos seus questionamentos disfarçados de total desinteresse. Isso sempre me faz rir e ponderar a ideia de que a admiração e sem dúvida a paixão que nutro por ele possam ser fortes o suficiente para deixá-lo me fazer feliz. 

Incrível como ás 6 horas do dia errado ela já não está ao meu lado. Leva nos passos todas as memórias. Não restam nenhum dos seus pertences pelo chão. Eu sorrio. Não há nada que me faça desistir de vê-la acordar em meus braços e não tenho pressa alguma. Quando os sentimentos dela se tornarem fortes o suficiente serei eu a lhe apresentar o mundo de sensações que ela nunca conheceu entre o amor, a felicidade e o prazer. Enquanto isso sigo pensando o quanto mais quero desvendá-la, decifrá-la, conhecê-la mesmo que ela se apresente indisposta. Ela não fala sobre o passado. Nunca. Entretanto, não impede minhas perguntas, ouve com bom humor minhas falhas tentativas de saber se sempre foi feliz com tanta tenacidade. Na verdade, não importa que não tenha sido e sim que ela continue sendo o que é menos do que será quando me deixar fazê-la feliz. Indubitavelmente e ardentemente. 




domingo, 5 de fevereiro de 2017

Sexta-Feira Sempre Chove





É sexta-feira. Os últimos dias são sempre sexta-feira. Tenho que vir e perder você entre os dedos que não conseguem mais segurar. Tenho que vir pra assistir silenciosamente você distribuir notas e sorrisos que não são pra mim. Não posso me mover. Não posso abraçar você no lugar dessa saudade. Não posso te pedir pra dormir comigo como tantas vezes fiz. Tenho que vir e ouvir desatenta a sua voz enquanto todos perguntam se ainda estamos juntos. Não. Não estamos. E é sexta-feira. E tenho perdido a conta das noites que sou obrigada a vir até aqui e fingir que está tudo bem. E chove, chove o tempo todo, por que sexta-feira sempre chove? 

Mantenho as mãos livres e o copo vazio, enchê-lo é dar espaço pra trair a mim mesma seja através desse celular que não chama por você, seja através dos meus pés que se recusam a te procurar. Procurar você é abrir caminho pra você dizer o que sei de cor. Sei de cada não. Sei de cada chance que não dei. Sei das vezes que te soltei. Sei das notas que eram pra minha voz e nunca cantei. Sei dos abraços que recusei por querer braços que não eram os seus. Sei dos seus conselhos para os quais nunca dei a mínima. Eu sempre soube me cuidar. Não sei mais. Porque sinto falta dos seus cuidados. Eu sinto uma puta falta de você. 

É só que hoje é sexta-feira como naquela vez em que me mandou embora. E chove como quando fui embora e me molhei inteira. E faz frio, o mesmo frio da madrugada em que senti nos ossos a dor por ter decepcionado cada parte de você ao te fazer de distração, de um lugar temporariamente ocupado enquanto alguém fazia de mim infinitos desencontros. Eu devia ter ficado quando você me mandou voltar pra cama. Era tão cedo pra ir. Tão tarde pra adormecer. E agora tô plantada aqui. E essa chuva não para. E não posso ir porque tá frio pra caramba e tô parada nessa porta contando os pingos e inventando um montão de artifícios pra não te deixar pra trás quando o que mais quero é ir até lá e te pedir pra ficar comigo confessando que tudo deu errado, mas que antes de dar errado eu já tinha voltado e procurado por você. Mas é tarde. Tão tarde e eu tô sempre atrasada com minhas desculpas, minhas esperanças e minha imensa vontade de não mais deixar você.

Tenho sido repetidamente o quinto dia da semana em que tenho que vir e me desacostumar a não te ter. Eu só quero voltar no tempo, deitar no teu peito e aquecer os meus pés com os seus enquanto a gente rir e conversa sobre aqueles inúmeros textos, personagens e histórias que não fazem mais sentido algum desde que você me encontrou sentada nesse bar ouvindo você. Me deixando cantar com você. Mas só chove e eu desisto, eu sempre desisto. Porque continua a ser sexta-feira e essa música não me deixa esconder a vermelhidão nos meus olhos. Não. Não estamos juntos e decido parar de contar os pingos e enfrentá-los de uma vez. A multidão abre pra me passar enquanto tudo que consigo escutar é sua voz cantando aquela parte que eu adorava sussurrar pra vocêÉ só que hoje é sexta-feira. E na verdade os últimos dias são sempre sexta-feira. E sexta-feira sempre chove.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

Serve Outra Dose


Recolhe essa dose. Eu passo em frente. O gosto doce de embriaguez fácil se tornou enjoativo. Dispenso essa bebida que não esquenta, não queima, não possui efeito na mente e nem no corpo.  Na verdade, essa garrafa é daquelas de embalagem bonita, de rótulo perfeitamente comercializado que desperta um interesse inevitável de provar o sabor por ser novidade. Não há curiosidade que resista a um gole que seja. A cor convidativa abre as portas: É pegar ou largar. Pode guardar, sinto muito, esta não atendeu as minhas exigentes expectativas, a porção chega, foi mais que o suficiente. A propaganda foi totalmente ilusória. Falsa. Manipuladora. Mentirosa. Eu já confessei? Odeio mentiras. Elas sempre são acompanhadas de um texto decorado e um rosto tranquilo. Os mocinhos passam confiança intacta,  é quase impossível desconfiar das respostas tão seguras, tão firmes e cheias de convicção. Não há hesitação na historinha ensaiada e contada, mas o que podemos esperar de alguém que as repetiu tantas e tantas vezes? 

Coloca na adega, desse álcool batizado quero distância, não serve nem pra degustação, continuar a beber desse liquido é causar desprazer e uma completa insatisfação a mim mesma. Como poderia eu elogiar tal conteúdo falsificado? Foi desleal me oferecer algo tão descartável e sem qualidade alguma. Por sorte ao descobrir as inverdades que o mocinho pérfido contou pude distinguir o veneno que descia pela minha garganta mascarado pelo sabor adocicado. Mentiras. Sempre tão belas na voz de sedutores impostores. Soam tão reais, tão encantadoras. Como duvidar?  Acreditei que aquele copo facilmente servido me possibilitaria as sensações prometidas, mas no máximo senti aversão e repúdio ao ouvir as delações de quem já havia provado da mesma bebida e ao contrário de mim conseguido se embriagar com êxito. Foram inúmeros convites a diferentes paladares, seria eu a única garota a ter descoberto o objetivo do jogo sem querer? 

Serve outra dose. De outra bebida. Outra qualidade. Pode misturar sabores, usar várias garrafas, Aceito um drink, então capricha. Se não for pedir muito acrescenta tequila. Quero que essa medida faça valer a pena o meu tempo, que destile o meu sangue e que seja forte. Quero sentir a verdade arder. Aproveita que tô no balcão do bar e serve flambado, quero fogo sobre o copo.  Me conceda a chance de virar tudo de uma só vez e esquecer que quase me deixei cair em tentação. Esquecer que desejei o que já passou por tantas mãos. Por isso moço agora quero somente do sabor que já conheço, mais do mesmo, nada que seja excessivamente doce, o amadeirado sempre consumiu mais dos meus poros. Essa sim é a sensação autêntica, nada submerso, nada encoberto, nada omitido, tudo enfim revelado, nomes e tempo. É o prazer da legitima sinceridade. Prazer esse desconhecido por quem tentou me vender caro demais o que não possuía valor algum. 

"Bebe e diverte-te pois nosso tempo na Terra é curto e a morte dura para sempre." (Amphis)


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Me Deixa Falar de Amor...



Nessa loucura de indecisões e futuro desconhecido. Nessa aventura de dias ruins e dias bons. Nessa maluquice que é acordar com a sensação de que a manhã será incrível e ir dormir tentando não se cobrar demais por ter falhado mais uma vez. Em meio a um oceano de pessoas desinteressantes, erradas e sem valor, eis que a vida e a tecnologia me presentearam com alguém incomum. Alguém único em sua forma de me encantar ao dialogar sobre as coisas que desinteressam o mundo, mas que pra mim fazem todo sentido.  Alguém espetacular. Singular em seu jeito de me encontrar, conquistar e não mais soltar.  Alguém que me faz vestir o melhor sorriso. O sorriso distraído e por vezes tão descontraído. Alguém que me faz acompanhar seus passos pela habilidade que desenvolvi de não conseguir parar. Esse laço de beleza estranha me faz ficar pra admirá-lo com o olhar de quem não quer ir embora. Embora ir seja minha última opção.

Ele canta. Mas não é mais um que canta. Ele encanta e pelo som da sua voz eu ficaria com fones de ouvido eternamente só pra ouvi-lo mais perto. Ele compõe. Mas não é mais um que compõe. Suas letras me mostram o meu melhor lado. O melhor caminho. A sua música transmite a paz que desconheço, que há tempos não vejo, mas que agora consigo sentir e tocar. Então eu fecho os olhos, eu me balanço e o mundo se perde sob meus pés com o restante da esperança que não sou boba de declarar. Eu inutilmente me desvio da criação de tantas expectativas. Expectativas são poderosas, incontroláveis, possuem vida própria assim como a energia que ele possui.  Energia que me atrai, que me puxa, que me faz ficar e eu já  não quero ir a lugar algum que não esteja ao alcance do seu coração. Ou de suas mãos.

Esquecido por seus medos. Provo que não há engano. Provo que ele tem mais a oferecer do que imagina. Provo que sua música é incrível e que através dela eu já fui salva de mim mesma. Provo que seu humor transforma tudo. Ele é a luz que renovou minhas memórias. Que me desprendeu das antigas histórias. Que contou e cantou os desejos de ser alguém que vale a pena. Ele vale a pena. Ele dança. Mas não é mais um que dança. Ele dança e envolve. Nos seus braços me consumo em saudade mesmo ele estando ali. Tem sintonia, maestria em sua personalidade, ambos temos fé. Fé de que o passado se foi e o presente é benevolência de uma força maior. Eu só agradeço. Com ele é sempre verão. E o sol não queima, apenas aquece. Ele é o meu farol, ainda que eu perca o caminho, ele me guia, me orienta, me direciona ao seu reencontro. Perto dele acredito no impossível. No seu peito encontro abrigo, morada, descanso, paz. Ele é o meu lugar. O meu final feliz.