A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Sexta-Feira Sempre Chove





É sexta-feira. Os últimos dias são sempre sexta-feira. Tenho que vir e perder você entre os dedos que não conseguem mais segurar. Tenho que vir pra assistir silenciosamente você distribuir notas e sorrisos que não são pra mim. Não posso me mover. Não posso abraçar você no lugar dessa saudade. Não posso te pedir pra dormir comigo como tantas vezes fiz. Tenho que vir e ouvir desatenta a sua voz enquanto todos perguntam se ainda estamos juntos. Não. Não estamos. E é sexta-feira. E tenho perdido a conta das noites que sou obrigada a vir até aqui e fingir que está tudo bem. E chove, chove o tempo todo, por que sexta-feira sempre chove? 

Mantenho as mãos livres e o copo vazio, enchê-lo é dar espaço pra trair a mim mesma seja através desse celular que não chama por você, seja através dos meus pés que se recusam a te procurar. Procurar você é abrir caminho pra você dizer o que sei de cor. Sei de cada não. Sei de cada chance que não dei. Sei das vezes que te soltei. Sei das notas que eram pra minha voz e nunca cantei. Sei dos abraços que recusei por querer braços que não eram os seus. Sei dos seus conselhos para os quais nunca dei a mínima. Eu sempre soube me cuidar. Não sei mais. Porque sinto falta dos seus cuidados. Eu sinto uma puta falta de você. 

É só que hoje é sexta-feira como naquela vez em que me mandou embora. E chove como quando fui embora e me molhei inteira. E faz frio, o mesmo frio da madrugada em que senti nos ossos a dor por ter decepcionado cada parte de você ao te fazer de distração, de um lugar temporariamente ocupado enquanto alguém fazia de mim infinitos desencontros. Eu devia ter ficado quando você me mandou voltar pra cama. Era tão cedo pra ir. Tão tarde pra adormecer. E agora tô plantada aqui. E essa chuva não para. E não posso ir porque tá frio pra caramba e tô parada nessa porta contando os pingos e inventando um montão de artifícios pra não te deixar pra trás quando o que mais quero é ir até lá e te pedir pra ficar comigo confessando que tudo deu errado, mas que antes de dar errado eu já tinha voltado e procurado por você. Mas é tarde. Tão tarde e eu tô sempre atrasada com minhas desculpas, minhas esperanças e minha imensa vontade de não mais deixar você.

Tenho sido repetidamente o quinto dia da semana em que tenho que vir e me desacostumar a não te ter. Eu só quero voltar no tempo, deitar no teu peito e aquecer os meus pés com os seus enquanto a gente rir e conversa sobre aqueles inúmeros textos, personagens e histórias que não fazem mais sentido algum desde que você me encontrou sentada nesse bar ouvindo você. Me deixando cantar com você. Mas só chove e eu desisto, eu sempre desisto. Porque continua a ser sexta-feira e essa música não me deixa esconder a vermelhidão nos meus olhos. Não. Não estamos juntos e decido parar de contar os pingos e enfrentá-los de uma vez. A multidão abre pra me passar enquanto tudo que consigo escutar é sua voz cantando aquela parte que eu adorava sussurrar pra vocêÉ só que hoje é sexta-feira. E na verdade os últimos dias são sempre sexta-feira. E sexta-feira sempre chove.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

Serve Outra Dose


Recolhe essa dose. Eu passo em frente. O gosto doce de embriaguez fácil se tornou enjoativo. Dispenso essa bebida que não esquenta, não queima, não possui efeito na mente e nem no corpo.  Na verdade, essa garrafa é daquelas de embalagem bonita, de rótulo perfeitamente comercializado que desperta um interesse inevitável de provar o sabor por ser novidade. Não há curiosidade que resista a um gole que seja. A cor convidativa abre as portas: É pegar ou largar. Pode guardar, sinto muito, esta não atendeu as minhas exigentes expectativas, a porção chega, foi mais que o suficiente. A propaganda foi totalmente ilusória. Falsa. Manipuladora. Mentirosa. Eu já confessei? Odeio mentiras. Elas sempre são acompanhadas de um texto decorado e um rosto tranquilo. Os mocinhos passam confiança intacta,  é quase impossível desconfiar das respostas tão seguras, tão firmes e cheias de convicção. Não há hesitação na historinha ensaiada e contada, mas o que podemos esperar de alguém que as repetiu tantas e tantas vezes? 

Coloca na adega, desse álcool batizado quero distância, não serve nem pra degustação, continuar a beber desse liquido é causar desprazer e uma completa insatisfação a mim mesma. Como poderia eu elogiar tal conteúdo falsificado? Foi desleal me oferecer algo tão descartável e sem qualidade alguma. Por sorte ao descobrir as inverdades que o mocinho pérfido contou pude distinguir o veneno que descia pela minha garganta mascarado pelo sabor adocicado. Mentiras. Sempre tão belas na voz de sedutores impostores. Soam tão reais, tão encantadoras. Como duvidar?  Acreditei que aquele copo facilmente servido me possibilitaria as sensações prometidas, mas no máximo senti aversão e repúdio ao ouvir as delações de quem já havia provado da mesma bebida e ao contrário de mim conseguido se embriagar com êxito. Foram inúmeros convites a diferentes paladares, seria eu a única garota a ter descoberto o objetivo do jogo sem querer? 

Serve outra dose. De outra bebida. Outra qualidade. Pode misturar sabores, usar várias garrafas, Aceito um drink, então capricha. Se não for pedir muito acrescenta tequila. Quero que essa medida faça valer a pena o meu tempo, que destile o meu sangue e que seja forte. Quero sentir a verdade arder. Aproveita que tô no balcão do bar e serve flambado, quero fogo sobre o copo.  Me conceda a chance de virar tudo de uma só vez e esquecer que quase me deixei cair em tentação. Esquecer que desejei o que já passou por tantas mãos. Por isso moço agora quero somente do sabor que já conheço, mais do mesmo, nada que seja excessivamente doce, o amadeirado sempre consumiu mais dos meus poros. Essa sim é a sensação autêntica, nada submerso, nada encoberto, nada omitido, tudo enfim revelado, nomes e tempo. É o prazer da legitima sinceridade. Prazer esse desconhecido por quem tentou me vender caro demais o que não possuía valor algum. 

"Bebe e diverte-te pois nosso tempo na Terra é curto e a morte dura para sempre." (Amphis)


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Me Deixa Falar de Amor...



Nessa loucura de indecisões e futuro desconhecido. Nessa aventura de dias ruins e dias bons. Nessa maluquice que é acordar com a sensação de que a manhã será incrível e ir dormir tentando não se cobrar demais por ter falhado mais uma vez. Em meio a um oceano de pessoas desinteressantes, erradas e sem valor, eis que a vida e a tecnologia me presentearam com alguém incomum. Alguém único em sua forma de me encantar ao dialogar sobre as coisas que desinteressam o mundo, mas que pra mim fazem todo sentido.  Alguém espetacular. Singular em seu jeito de me encontrar, conquistar e não mais soltar.  Alguém que me faz vestir o melhor sorriso. O sorriso distraído e por vezes tão descontraído. Alguém que me faz acompanhar seus passos pela habilidade que desenvolvi de não conseguir parar. Esse laço de beleza estranha me faz ficar pra admirá-lo com o olhar de quem não quer ir embora. Embora ir seja minha última opção.

Ele canta. Mas não é mais um que canta. Ele encanta e pelo som da sua voz eu ficaria com fones de ouvido eternamente só pra ouvi-lo mais perto. Ele compõe. Mas não é mais um que compõe. Suas letras me mostram o meu melhor lado. O melhor caminho. A sua música transmite a paz que desconheço, que há tempos não vejo, mas que agora consigo sentir e tocar. Então eu fecho os olhos, eu me balanço e o mundo se perde sob meus pés com o restante da esperança que não sou boba de declarar. Eu inutilmente me desvio da criação de tantas expectativas. Expectativas são poderosas, incontroláveis, possuem vida própria assim como a energia que ele possui.  Energia que me atrai, que me puxa, que me faz ficar e eu já  não quero ir a lugar algum que não esteja ao alcance do seu coração. Ou de suas mãos.

Esquecido por seus medos. Provo que não há engano. Provo que ele tem mais a oferecer do que imagina. Provo que sua música é incrível e que através dela eu já fui salva de mim mesma. Provo que seu humor transforma tudo. Ele é a luz que renovou minhas memórias. Que me desprendeu das antigas histórias. Que contou e cantou os desejos de ser alguém que vale a pena. Ele vale a pena. Ele dança. Mas não é mais um que dança. Ele dança e envolve. Nos seus braços me consumo em saudade mesmo ele estando ali. Tem sintonia, maestria em sua personalidade, ambos temos fé. Fé de que o passado se foi e o presente é benevolência de uma força maior. Eu só agradeço. Com ele é sempre verão. E o sol não queima, apenas aquece. Ele é o meu farol, ainda que eu perca o caminho, ele me guia, me orienta, me direciona ao seu reencontro. Perto dele acredito no impossível. No seu peito encontro abrigo, morada, descanso, paz. Ele é o meu lugar. O meu final feliz.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Lírios e Delírios



Desvelo, carinho, afeição e até perdão. Há inúmeras formas de demonstrar o amor. Se é assim, então posso afirmar que o amei. Amei pra valer o moço de cabelo bagunçado, jeito errado e sorriso radiante. Amei com energia necessária pra reviver a alma de alguém que parecia está longe demais. Amei com disposição severa que foi quase impossível desistir. Eu só queria enfrentar o que fosse pra me manter perto o suficiente pra não vê-lo perecer por um passado difícil de esquecer. Me mantive de pé escondida através dos óculos escuros pra não deixar transparecer as lágrimas da minha fraqueza em não conseguir ajudá-lo. Cada vez que eu voltava tinha determinação no meu coração, esperava que minha amizade tivesse o poder de fazê-lo mudar de ideia, mas o moço de rosto feliz e olhos tristes não se permitiu ficar. Nem por ele. Nunca por mim

Dor, sofrimento, mágoa. Absolvição. Há inúmeras formas de torturar a si mesmo por algo que está fora do alcance. Fora de controle. Eu segurei a sua decepção. Eu ouvi cada conto sem demonstrar incômodo. Não podia nem expressar minhas verdadeiras feições. Me desculpe, jamais estive no controle e agora me recuso a continuar sendo a ajuda quando sou pequena demais até pra mim. O sentimento uma hora perde a intensidade quando a reciprocidade não é o bastante. Tudo está se transformando e mesmo que ainda o ame não quero atender suas chamadas. Perto de você a sensação que tenho é de que estou sendo puxada pra baixo, sendo consumida por sua aflição, sendo queimada por um desejo que vem e vai fácil. Há outro rosto na sua mente. E outro corpo no seu coração. 

Superação, resistência, vontade. Adeus. Há inúmeras formas de explicar sobre o que me levou a ir embora. Amor próprio porém é a razão mais significativa. Você pode amar, você pode cuidar, você pode perdoar, mas quando resolve pesar a felicidade, se a medida for insatisfatória então pare de lutar. E eu? Eu não quero mais lutar. Não quero mais ser o apoio. Não quero ter esperanças. O moço é incrível, mas irrealizável. Agora entendo que não há mais nada a fazer a não ser abrir mão e desistir. Partir. E finalmente deixar a inevitável chuva nos meus olhos borrar essa maquiagem. É como se finalmente pudesse ser quem sou. Sou fraca. Sou forte. Sou alegria. Sou tristeza. Sou sinônimos e contrários. Sou oposto. Sou inconstância. E nunca fui tão feliz. Um dia, ah, um dia trilho o caminho de volta, te reencontro e conto como foi fácil te amar. Difícil foi permanecer ao seu lado sendo invisível e insuficiente pra você.