A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Lírios e Delírios



Desvelo, carinho, afeição e até perdão. Há inúmeras formas de demonstrar o amor. Se é assim, então posso afirmar que o amei. Amei pra valer o moço de cabelo bagunçado, jeito errado e sorriso radiante. Amei com energia necessária pra reviver a alma de alguém que parecia está longe demais. Amei com disposição severa que foi quase impossível desistir. Eu só queria enfrentar o que fosse pra me manter perto o suficiente pra não vê-lo perecer por um passado difícil de esquecer. Me mantive de pé escondida através dos óculos escuros pra não deixar transparecer as lágrimas da minha fraqueza em não conseguir ajudá-lo. Cada vez que eu voltava tinha determinação no meu coração, esperava que minha amizade tivesse o poder de fazê-lo mudar de ideia, mas o moço de rosto feliz e olhos tristes não se permitiu ficar. Nem por ele. Nunca por mim

Dor, sofrimento, mágoa. Absolvição. Há inúmeras formas de torturar a si mesmo por algo que está fora do alcance. Fora de controle. Eu segurei a sua decepção. Eu ouvi cada conto sem demonstrar incômodo. Não podia nem expressar minhas verdadeiras feições. Me desculpe, jamais estive no controle e agora me recuso a continuar sendo a ajuda quando sou pequena demais até pra mim. O sentimento uma hora perde a intensidade quando a reciprocidade não é o bastante. Tudo está se transformando e mesmo que ainda o ame não quero atender suas chamadas. Perto de você a sensação que tenho é de que estou sendo puxada pra baixo, sendo consumida por sua aflição, sendo queimada por um desejo que vem e vai fácil. Há outro rosto na sua mente. E outro corpo no seu coração. 

Superação, resistência, vontade. Adeus. Há inúmeras formas de explicar sobre o que me levou a ir embora. Amor próprio porém é a razão mais significativa. Você pode amar, você pode cuidar, você pode perdoar, mas quando resolve pesar a felicidade, se a medida for insatisfatória então pare de lutar. E eu? Eu não quero mais lutar. Não quero mais ser o apoio. Não quero ter esperanças. O moço é incrível, mas irrealizável. Agora entendo que não há mais nada a fazer a não ser abrir mão e desistir. Partir. E finalmente deixar a inevitável chuva nos meus olhos borrar essa maquiagem. É como se finalmente pudesse ser quem sou. Sou fraca. Sou forte. Sou alegria. Sou tristeza. Sou sinônimos e contrários. Sou oposto. Sou inconstância. E nunca fui tão feliz. Um dia, ah, um dia trilho o caminho de volta, te reencontro e conto como foi fácil te amar. Difícil foi permanecer ao seu lado sendo invisível e insuficiente pra você.