A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Boas Vibrações


Outra história. Outra versão. Contada por outros olhos. De um novo jeito. Um jeito otimista de lhe dar com as possibilidades que se tem. Um jeito de abrir a mente e consequentemente abrir caminhos que te provarão que a vida é movimento. Que sair da zona de conforto é desconfortante e doloroso, mas ainda assim é de uma beleza precisa por tão logo o seu redor tornar-se felicidade. Entender o presente quando não tem sido o que você planejou é frustante, nesse caso abandone o que já foi e comece de novo. Uma. Duas. Três. Quantas vezes você já se viu tendo que recomeçar? É por isso que chama-se presente. Deus sempre dá o hoje pra você refazer de uma nova forma, por outro ângulo, sob um novo ponto de vista o seu inadiável recomeço. 

Queira e mentalize, desperte e acredite. Busque a sintonia dos sentidos e refaça sua força através da fé. Alimente sua fé para que seus projetos não sejam pequenos, não deixe o que é grande ser chamado de impossível quando a conquista da realização dos seus sonhos só depende de você. Mude suas vibrações, se nossos pensamentos emitem uma frequência, mentalize sentimentos positivos para que estes retornem pra sua vida. Seja grato por todas as coisas e atraia gratidão. Ame com o coração e deixe essa sensação espalhar-se por todo lugar. O ser humano tem um poder de cura gigantesco se souber desapegar. Os pensamentos são sentidos. Atraímos o que vibramos. Então seja luz. Seja verdadeiro em tudo que fizer. Limpe as energias e busque mudanças. Cuide de você. Quando nos amamos incondicionalmente é quando descobrimos enfim o amor que merecemos. 

Alegre-se com suas conquistas até aqui, não lamente os erros, as falhas, aprenda com os dias tristes e refaça tudo da melhor forma que puder. Pratique boas vibrações. Alcance a serenidade. Conquiste a sua própria felicidade. Pureza, equilíbrio paz, sol, prosperidade, alegria, fertilidade, nascimento, renascimento, energia. Trabalhe as tríades: Coração, corpo e mente/Conhecimento, vontade e ação. Os mistérios das sete flores e seus sete chakras. Oito pétalas. Oito direções. Oito práticas. Sabedoria é buscar discernimento pra alma. Quando se confia na alma é quando se escuta a Deus. Encontre-se e quando isso acontecer conte sua história. Sua outra versão. Veja o mundo por outros olhos. "Onde quer que viva esse é seu templo se o tratar como tal" - Buda..


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Gravidade


Já encontrou? Aquela pessoa que te lê em segundos? Que despe sua alma com o olhar? Que sorrir, não pra você, mas pra algo que por escolha vai acontecer. Um esbarrão e não, nada de amor à primeira vista. Amor seria trágico demais. Tensão, sobrecarga, emoção, eletricidade, infinidades definiriam a sensação única que envolveu o aperto de mãos. Quem diz que intelectualidade não atrai é porque não o conhece. Tão sagaz, tão perspicaz, tão envolvente. Exibe a beleza que deixaria o próprio Adônis desinteressante. Tem a voz que imaginei sussurrar no meu ouvido desejos intensamente mortais. Eu queria mais. E pedi encarando o dono de qualidades que juntas eu jamais vi em uma pessoa só. Seria infame tentar descrever o sabor dos nossos lábios se tocando com urgência e impaciência. Ele é um tipo de narcótico que você não consegue dizer não. Ele tem o dom da manipulação com intuito de proporcionar o melhor que há no prazer, como se aquelas fossem suas últimas horas na terra. Ele da tudo de si. 

Expostos em busca da perda do fôlego, ansiosos, apressados pela realização de nossas vontades e tudo que havíamos imaginado até aqui. Sua pele não conheci, mas reconheci em detalhes quando toquei seu corpo e me contive em não arranhar suas costas, marcas eram nossa única proibição. Então o segurei o mais forte que pude e fechei os olhos pra aproveitar a entrega absoluta. A inocência foi deixada de lado no momento em que nos pertencemos, abraçados, molhados pelo suor, sem respirar, com meus dedos entrelaçados em seus cabelos. Perto. Mais perto. O suficiente pra roçar sua barba no meu rosto, no meu pescoço enquanto procurava sua boca pra beijá-lo mais uma vez. Dessa vez com calma, tranquilidade, sossego e silêncio pra ouvir apenas a diminuição dos nossos batimentos cardíacos. A sobriedade do encaixe perfeito. Não havia mundo porta a fora e ali eu só queria permanecer o máximo de tempo que não tínhamos mais. 

Eu encontrei. A pessoa que me leu em segundos. Que despiu minha alma ao me olhar. Que sorriu sem saber que nossas escolhas nos levariam a uma conexão magnética por vivermos em lados opostos. Se não fossem as diferenças e o encontro interessante por ser tão improvável não haveria curiosidade recíproca. Não há limites ou impossibilidades pra duas pessoas que são atraídas pela epiderme. Ou por uma intimidade intelectual. Espiritual. Uns chamam de loucura, de atitude irracional, mas esses jamais sentirão as veias queimarem pela paixão e acredite, poucas pessoas tem o privilégio de viverem o extremo de um instante quando cada reencontro já é despedida. Por isso não se engane, os presentes da vida tem seu preço e a saudade silenciosa é um deles. Calar o que sente é um valor alto demais quando ao se afastar uma parte é sempre deixada do lado de lá. Contudo, é um preço que me dispus a pagar. A lei da gravidade é absoluta não adianta querer puxar, exige um gigantesco esforço. Mesmo esperando inconscientemente que voluntariamente ele reapareça pra fugir comigo. Só existe uma forma de contrapor essa lei: o empenho próprio de não mais me contentar em permanecer no  mesmo lugar.

Texto de Dheysse Lima e W. Marianelli

segunda-feira, 5 de junho de 2017

E-mails


Datados de 2011. Os e-mails, sabe? Encontrei, certeza de que não são nem 1% de todos as mensagens que trocamos desde 2009. Mas alguns surpreendentemente estavam lá, esquecidos pelo tempo. Quem verifica a pasta "enviados"? Eu pelo menos não. Cinco, dez, quinze, vinte minutos encarando o seu nome no destinatário. Anos se passaram sem que eu pronunciasse seu nome ou falasse em você. Não falo sobre você. Não procuro saber, não questiono o destino e os seus porquês. É só que as palavras, elas eternizam, se escritas não se perdem, é como se o sentimento que existiu naquele momento envolvesse as frases e fincasse em pedra ali. Foi o que senti quando corajosamente abri o primeiro e-mail. Se eu fechasse os olhos poderia até ouvir o som da sua voz. Ser a princesa dos anos com você foi especial demais, foi uma paixão ardente, avassaladora, louca e imatura, imatura sim, nós contra o mundo. O mundo que nos venceu. Triste fim sem despedida o nosso. 

Segundo, terceiro, vigésimo quinto e-mail, o seu último também encontrei, outubro de 2011, você escreveu no final "manda beijo vai". Depois desse dia nunca mais tive notícias de você. Não investiguei, não remexi, não busquei, não pesquisei os motivos. Deixei você ir. Partir. O tempo correu enquanto me mantive ocupada, sempre ocupada, sem espaços pra imaginações ou lágrimas. Não chorei, olhava pro espelho e obrigava o meu corpo a não desmoronar. Obrigava a minha mente a não voltar a todas as memórias que contruí durante quase 1000 dias com você. Se você tinha se permitido seguir por que eu teria desculpas pra não fazer o mesmo? Eu apaguei cada detalhe, eu excluí cada papel, palavra, texto. Eu rasguei fotos. Adormeci os sentimentos e assim sobrevivi. Se sua vida é perfeita eu não sei, se os filhos que você queria ter tornaram sua felicidade maior eu desconheço. Ainda me recuso a ter qualquer informação da vida que você construiu sem mim. 

Pra quem ama o tempo passa, o tempo dissolve as lembranças, se não há memórias gravadas em algo físico que podemos tocar ou ver então o tempo dissipa a realidade e desfaz lentamente a nossa faculdade de guardar e conservar fotografias mentais. Foi o que o tempo fez comigo e o sentimento único raro que eu já senti por outra pessoa. Por você. No entanto, o tempo em seu sábio silêncio quando lhe concedemos algo importante como a escrita de e-mails antigos, tudo vem à tona, o nosso primeiro aperto de mão como se tivesse acontecido ontem, os batimentos acelerados e a sensação de que o dono daquele sorriso se tornaria um amor inviolável. Nós fomos do céu ao inferno juntos. Nós fomos juras e planos futuros. Nós fomos a espera reciproca por cada reencontro. Nós fomos compromisso e discrição dos segredos que levaremos para o túmulo. Nós fomos o desejo e admiração mútua que nos uniu. A distância não suportou a separação imposta por nossas responsabilidades. No fim você fez o que eu disse pra fazer: "Quando você tiver que me deixar, não quero despedidas, só não me mande mais nenhuma notícia". O tempo assentiu e seis anos depois eu finalmente me permitir chorar.