A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Foi Preciso Você Chegar



Tá na hora de assumir. De arrumar essa bagunça toda que faço na tua vida, de bater na tua porta sem estar etílica. Tá na hora de acreditar nesse sentimento bonito que faz teu cheiro impregnar no meu corpo, que faz teu beijo ser o melhor de todos, que faz com que o encaixe das suas pernas sob as minhas seja a mais sensata das companhias entre o teu sorriso torto e o teu jeito sério de me provocar. Te contei não moço? Ainda que eu saia cedo demais faço questão de acordar primeiro e ficar te olhando dormir, adoro a sensação de entrelaçar meus dedos nos seus cabelos sem que você veja. É nesse momento que a dúvida de ficar ou fugir me arrebata tristemente porque a vontade que tenho é de não ir. A vontade que tenho é de voltar, tirar os sapatos, me aninhar em seus braços e ser feliz. Mas acho que cê já me conhece, tenho um medo terrível de você não corresponder e não mais me querer ali quando despertar pra sua realidade que envolve aquela ideia maluca de não se entregar.

Não é errado, não é? Desaparecer? É que nunca sei o que fazer quando sinto o auto controle escorregando. Contenho o desejo, minto descaradamente, disfarço por trás de um sorriso idiota, sabe que sou meio blá pra essas coisas, não sei lhe dar com a parte vulnerável da minha mente e do meu coração quando você tá todo aí se espalhando aqui sem se dar conta que a coragem que a bebida me concede é a coragem que me falta pra te encarar no dia seguinte sem parecer inclinada o suficiente pra você me afastar. Eu sei moço, você nunca me diz não, mas como tudo tem sua primeira vez, acho conveniente permanecer quietinha quando estou sóbria sem o teu sorriso torto e tua cara de sono me fazendo lembrar o quanto cê me faz bem ou o quanto gosto de me intrometer nos teus planos da meia-noite aparecendo do nada e te roubando pra mim. Eu jamais vou cansar de te roubar por aí. 

Essas coisas malucas acontecem. Culpa da tequila moço, agora esses pensamentos não vão embora e o silêncio que não incomodava antes está na ponta dos dedos esperando ser quebrado. Daí penso, repenso, invento, dou a volta no mundo. Não há criação ou distração que ocupe o espaço que você tá insistentemente preenchendo e isso é um saco, sabe? Então tô decidida, tá na hora, só não me sinto pronta. Ninguém parece pronto pra saltar sem paraquedas ou sem certeza de que alguém vai nos segurar lá em baixo. E daqui de cima a vista tá ficando meio turva moço. Esquece. Não sei o nome disso não. Não é amor. Nem paixão. Nem mãos dadas. É só uma vontade imensa de permanecer. Não como intrusa, mas como convidada. Não quero ter que juntar minhas coisas e sair cedo. Eu quero ficar. Se pra você é importante e se houver próxima vez me segura. Não me deixa ir. E se eu for, me pede pra voltar? O único risco que corremos é de não dar em nada, mas isso não te assusta, assusta?