A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um Milhão de Razões


Não foi o cara que foi embora sem eu ter dito o que sentia. Não foi o cara que me fez de distração por algum tempo. Não foi o cara que nunca me assumiu. Nem aquele por quem me apaixonei por admiração. Também teve aquele por quem pensei estar apaixonada. Depois aquele que terminou por telefone a mais bonita relação. A princípio eu jurava que o penúltimo faria com que acontecesse, mas não. Nenhum deles foi capaz de fazer acontecer. Então você veio. Tecnicamente você já estava aqui. Do meu lado. O tempo todo. Nunca pensei muito na gente. Nunca desenvolvi sentimentos, nem quando começamos a brincar de se beijar por aí sem compromisso e apenas por mera diversão. E tesão. Entretenimento. Meus melhores sorrisos eram com você. As vezes até de você. Pra você. Bom humor não se encontra muito nas pessoas hoje em dia. Me encantei.

Eu desmontei, entre a terceira ou quarta vez, não lembro bem. Me importei com a história que não me envolvia, me importei demais com aquela conversa sobre alguém que adivinha? Mexeu comigo. Os pensamentos sobre você. Sobre não ter você ou sua companhia. De repente me senti tão capaz de me doar e fazer alguém feliz. Fazer você feliz. Senti vontade de segurar sua mão e criar recordações bobas de casais. Estraguei tudo. Tentei mostrar de um jeito tão torto que nem eu compreendi. Desastre define bem. Eu sinto muito. Sinto demais. Sinto as expectativas, a confusão e o teu silêncio que grita mais do que qualquer palavra que você poderia dizer. Não culpo você. É difícil enxergar o que é nítido quando a luz do passado cega a gente. Não culpo você, esquecimento é um processo lento, doloroso, árduo, não, não é fácil desapegar das lembranças de alguém importante. O que mais queremos durante esse tempo é não querer ninguém. Sei como é. 

Todos os últimos caras quando se foram deixaram algum tipo de mágoa ou dor e inúmeros arrependimentos. Meus. Mesmo assim não aprendi nada, nem a desenvolver amor próprio. Repeti os antigos erros. Primeiro com o cara que foi embora sem eu ter dito o que sentia. Segundo com o cara que me fez de distração por algum tempo e assim por diante. Então chegou sua vez. O cara por quem eu não dava sequer a possibilidade de sentir o menor dos sentimentos. Olha só, pra você ver. O maior dos sentimento está aqui sorrindo por tê-lo subestimado. Eu sorrir e de repente tudo aconteceu. O mundo abriu as portas e eu arrumei as malas. Não pra fugir. Pra me aventurar. Na minha despedida eu pensei em escrever a letra daquela nossa música e presentear você junto com a devolução da sua blusa. Disse não pra esse pensamento. Um não satisfatório. Um não ausente de qualquer dúvida. Juntei o um milhão de razões que você me deu pra gente não se envolver mais o um milhão de razões que você me deu pra finalmente desistir. Fui embora.

Quis contar pra você o quanto esses dias estão sendo incríveis. O quanto aquele estudo tem dado certo. O quanto tô empolgada com os ensaios do meu próprio repertório. Optei pelo silêncio.  Te vi de longe pela última vez. Não teve fim. Não tivemos nem começo. Jurava que o penúltimo carinha faria com que acontecesse, mas ele não foi capaz e aí você chegou e fez acontecer. Você me fez amadurecer. Eu aceitei. E precisei repetir algumas vezes pra poder me ouvir. Eu aceitei e essa aceitação foi simples, de uma facilidade, sem esforço, sem arrependimento do que sinto. Sem raiva ou tristeza. Eu aceitei a decisão de não .mais procurar por você. Não mais pedir por você. Não mais ver você. Eu aceitei. Tracei novas metas e mudei. Dois meses depois e ainda não sinto nenhuma vontade de voltar atrás. Você me deu um milhão de razões pra te esquecer enquanto eu só queria uma boa razão pra permanecer. Eu mudei e descobri que depois do amor próprio ocupar o coração não sobra muito espaço pra quem não se faz caber.