A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 7 de agosto de 2016

Invernia



Eu me encontrei no fundo do poço, do copo, da garrafa enquanto deixava o choro de desespero finalmente aparecer. Anestesiei a alma com álcool no sangue, não por loucura e sim pra poder conseguir aguentar firme tanta dor. A mesma dor que coloquei pra fora sentada no chão de um banheiro em algum lugar por aí, então isso é sofrimento? Essa vontade absurda de não pensar, não sentir, não desejar, não lembrar? Essa tristeza indisfarçável quando você sorrir pro espelho, mas o reflexo é sombrio demais pra você encarar?  Essa sensação de ter sido deixada de lado sem esperança alguma de ser salva? Pois se essa era a dor de se perder alguém, esse era meu limite, já não suportava mais. Decretei por amor próprio o fim do meu inverno particular. 

Eu disse não. Desabriguei a dor pra rever meus conceitos e minha vida. Não quis mais negatividade ocupando um espaço que não lhe pertence. O que estava preso na minha mente deixei ir já que o cansaço de dizer que estou bem sem realmente estar me venceu por completo. Aquela espera por uma mão, uma ligação, um sinal de fumaça, uma carta ou sabe-se lá o quê me deixou exausta assim como as lágrimas e as desculpas que inventei pra me colocar em seu lugar tentando entender teus passos. Abandonei a ideia de perfeição que criei e fui em paz viver dias intensos de sorriso, natureza e luz. Suturei os cortes com abraços apertados e humanização reensinada por novos personagens tão reais. Superei o pulsar sob o hematoma e silenciei pra ouvir em vez de só falar e falar e falar. Descobri que felicidade é o alívio de somente respirar. Tudo é questão de ser. 

Eu fugi sim, fugi da vergonha, dos olhares, dos comentários, fugi de você mas regressei vestida da fé, do céu e dos milagres que reencontrei. Relembrei que sempre foi do Alto que veio meus recomeços. Relembrei minha crença de que se você parar pra escutar, o vento consegue sussurrar a direção certa. Então, quando eu pensei que não podia mais, eu pude. Quando pensei que não amaria mais, eu amei. Eu vi vida depois de achar que tinha morrido. Eu senti o ar invadir os pulmões depois de achar que havia me afogado. Eu andei depois de achar que não me restava mais estrada a frente. Eu segui e para as minhas pegadas o horizonte ensolarado e convidativo mostrou que ainda há muito a ser vivido. Que já virei tantas páginas de sorrisos e lágrimas que é quase imperdoável achar que é o fim. Não é. Não dessa vez. Não mais uma vez.

Daqui só consigo avistar o futuro e é para o que está por vir que repito: tô pronta, pois o passado já não me atrai, não me chama, não brilha e sem dúvida não me encanta. Um sábio mestre dos ventos disse: "O silêncio fala muito e não comete erros, para cada sofrimento seu, para cada dor, lembre-se: Você é mais forte tendo fé. Felizes são aqueles que acreditam. Em verdade, eles nunca estarão sozinhos". 




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