A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Doze Meses


O que diabos eu tô tentando fazer? Sentada aqui com essa inquietude causada por essa data. Péssima data. Uma última tentativa de não dar atenção pra todas aquelas lembranças enterradas distantes de mim. Quem poderia prever que me sentiria assim? Insegura e perdida. Essa data é a memória do meu mais inquestionável erro. Descuido. Engano. O tempo obscuro e invernal que mergulhei e permaneci imersa até quase enlouquecer. Foi cruel sentir o relacionamento perfeito escorregar pelos dedos através de uma falsidade interminável. Parece dramático, mas garanto a você que as lágrimas definitivamente podem manchar e marcar. É por tantas e outras que não volto lá. É por essas que enfrento esses dias como normais porque natural é o que eles são. E eu, eu continuei. Segui. Fiz escolhas diferentes daquelas que disse que faria quando você ainda insistia em segurar minha mão.

Olha só, pra você ver, eu tinha certeza que você jamais me soltaria. Você tinha brilho nos olhos quando acordava ao meu lado pra ouvir o barulho da chuva no telhado. Esse som deixou de ser a minha música favorita quando a chuva passou a despertar o outro eu que parece não querer esquecer você. Mas há um lugar longínquo em que mantenho meu outro lado que por distração raras vezes consegue aparecer. É essa data que perturba meu equilíbrio, me tornando instável, emotiva, me fazendo oscilar entre o que sinto e o que não quero sentir. Porque não se engane, ainda que eu tente salvar recordações bonitas elas se tornam insuficientes, pequenas, desimportantes perto de todas as falhas e deslizes cometidos por você. Quando as lembranças insistem eu fico inquieta, eu silencio mentalizando toda sua imperfeição como homem, então meu coração acalma e permaneço tranquila em saber que você não passa de um lapso causado por uma data. Por esses doze meses que se passaram desde que você fez o que de melhor sabe fazer na sua vida: Fugir.

Se me questionarem se um coração quebrado ainda pode bater? Eu não sei. Tô juntando devagar o restante dos estilhaços que você espalhou sem pena. Triste, não é? Não. Eu só não me sinto pronta pra entregar abraços e receber corações. Depois do inverno, o verão chegou pelas mãos de duas pessoas incríveis, mas o problema dos erros é que eles não estão estampados na face de ninguém. Eu não me permito permanecer sem estar inteira pra me quebrar uma segunda vez. Não sou ingênua pra acreditar que você é meu último tropeço. Minha última mancada. Virão inúmeros caras errados com intenções de fogo de palha, dispostos a ser o doce e o amargo na vida de alguém, sabe como é, não sabe? Eu sentei na frente dessa página em branco me perguntando o que diabos estava tentando fazer? Agora sei. Eu precisava te agradecer mais uma vez por me tornar tão forte. Forte o suficiente pra quando me senti insegura e perdida olhar pra trás e ter a certeza que essa é uma péssima data. Mas uma data que existe pra eu nunca esquecer de não me envolver com caras como você.