A Lunática

Minha foto
Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 9 de maio de 2017

O Destino sob Meus Pés



Então, mudei. Não, dessa vez não foi a cor do cabelo, embora eu ainda queira pintar de azul.  Não, também não foi a cor preta do esmalte e nem o insistente vermelho do batom que uso. Mudei e quando fiz isso me surpreendi com o quanto não lamentei a partida. Minha ida dividiu a linha do tempo em antes e depois, devo confessar que o desconhecido tem um charme bem atraente se visto pelos olhos do futuro. Cá estou deslumbrada com as possibilidades que o amanhã trará, cá estou sem muita bagagem, excesso é desnecessário quando o que preciso está sob os pés, a única mala que me acompanhou trouxe apenas a vontade de viver o novo. Um novo cuidadosamente preparado e planejado com todo carinho por uma Força Maior que crê que mais uma vez posso recomeçar. E definitivamente, eu posso. Por isso, mudei.

Mudei e as despedidas? Não dessa vez. Não quis olhos marejados, não busquei abraços demorados, dispensei aquela sensação dolorosa de estar nos braços de quem não vou ver por um longo tempo. O que distribuí por onde passei nos últimos dias foi um sorriso sincero por ter ao meu lado as melhores pessoas que existem no mundo. Aproveitei a companhia, a conversa, as risadas e a boa música de toda aquela gente bonita que carrego no coração. E acredite, se você é alguém de quem não me despedi é porque seria difícil demais olhar pra você e não saber quando vou te rever. A ideia de mudar não é somente entrar no avião e ir, faz parte desse ciclo deixar velhos erros no passado, até porque preciso de um espaço maior pra cometer os novos deslizes, dar as novas escorregadelas e achar graça de tudo depois. Pessoas também são erros. Só pra saber. 

É, eu sei, o tempo é o presente mais bonito que Deus nos dá. Logo ele, esse tic-tac que as vezes é nosso amigo e que em outras vezes não é. Que te consome em ansiedade quando a espera é interminável. O tempo que te dá uma rasteira quando tudo que você quer é mais tempo pra aproveitar as amizades, a família, os momentos especiais acelerados pelo ponteiro do relógio que gira sem parar. O tempo que te entrega o presente com a condição de que você o viva no nível máximo porque ele não permite voltar. Tempo. Tempo. Tempo. Sem planejamento tudo aconteceu. Tão rápido. Então mudei e tenho no coração a coleção de presentes porque vivo o extremo dentro das minhas possibilidades. O tempo, esse que pra mim sempre foi feito de chegadas e também de partidas. Já fui e cheguei tantas vezes que não suporto mais despedidas. Sem olhar pra trás, mudei.

Dizem que quando você muda de cidade você pode ser quem você quiser. Nesse caso, quero ser a garota bem humorada e divertida, vestida de páginas em branco que serão preenchidas da forma mais incrível, maravilhosa, fenomenal, sensacional, fabulosa e fantástica possível. Porque sem dúvida alguma é como me sinto desde que cheguei aqui contemplando aquelas luzes que transmitiam boas vindas ao meu destino. Tem felicidade demais do lado de cá. É liberdade traduzida em desapego, sabe como é? É mágico. Dizem que quando você muda de cidade a memória do que já não faz bem é substituída por tudo que um novo lugar é capaz de proporcionar. Em 48 horas as recordações permutaram e só percebi quando no fim do dia recostei minha cabeça no travesseiro e em paz com o mundo e comigo mesma adormeci. Irrefutavelmente, inegavelmente e indiscutivelmente, sim, eu mudei.