A Autora

Minha foto
Manaus, Amazonas, Brazil
O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco - Júlio Dantas

sábado, 13 de junho de 2026

Até Aqui


Embora minhas memórias para o cotidiano tenha ficado mais falhas ao longo dos anos, as únicas lembranças que posso descrever em detalhes são as que eu gostaria de esquecer. Não sei se elas permaneceram porque não houve um horário do meu dia em que eu não as recordasse. Ou se apenas se tornaram a única parte boa dele que ficou. O tempo passou lentamente e eu perdi o momento em que deveria ter deixado tudo no passado, a minha insistência em torcer pela sua felicidade era pra ser algo leve, fácil e simples. Sempre longe, nunca perto. Mas a proximidade me deixou a vontade e me fez feliz por poder construir uma relação de amizade, porque isso era o que mais importava pra mim. Era divertido os pequenos diálogos e a forma como ele sempre tinha uma palavra de encorajamento ou de torcida pelas minhas conquistas, era o suficiente pra ter a certeza que embora nossos caminhos fossem diferentes, sempre poderíamos admirar  o sucesso um do outro. Até aqui. 

Até eu precisar de forma constante e somar uma gratidão infinita que eu jamais conseguiria recompensar nessa vida. Até eu não saber mais o que dizer sem me sentir extremamente culpada justamente por ter que precisar dele várias e várias vezes. Sim, sou consciente de que tudo que ele fez por mim foi de um cuidado imensurável e de uma generosidade inestimável. No entanto, as sutis mudanças foram notadas e me fizeram arrepender do segundo em que eu sabia que não conseguiria retribuir. Então cumpri minhas promessas de dar seguimento aos encaminhamentos e a partir dali cuidar de mim mesma. Não sem antes me questionar se eu havia feito algo de errado ou se os limites claros foram impostos pela correria da vida ocupada ou foram apenas limites claros pra que eu entendesse que a pessoa que eu conheci e tinha abertura pra desejar um simples feliz aniversário, essa pessoa não existia mais ali.

Orgulhosamente, aceitei passivamente por compreender que as pessoas mudam com o passar dos anos, se tornam mais sérios, seja pelas responsabilidades ou pelos relacionamentos. Sabe, eu definitivamente trato o destino com muito cuidado, as atitudes me magoaram e revivi por dia sensações dolorosas que há muito eu já havia superado. Eu deveria ter tido mais respeito e tratado com mais prudência os meus sentimentos sabendo que eles poderiam ser machucados novamente. E agora? Seria o certo excluir qualquer tipo de contato quando ainda tenho uma divida enorme de gratidão? Não seria isso ingratidão? Ao mesmo tempo em que penso que esse limite talvez seja exatamente o que ele quer. E se for exatamente o que ele quer, talvez fazendo isso seja a minha forma de retribuir o tudo. Se não for assim, espero que ele possa me perdoar por sumir uma segunda vez. Por ele. E por mim. 

P.S.: Eu vou sempre infinitamente, enquanto eu viver torcer pelo seu sucesso, pela sua felicidade e desejar mentalmente feliz aniversário ao final de cada ano, desse e dos que virão. Se cuida. Obrigada por tudo. Agradecimentos em palavras jamais serão suficientes.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Era Pra Sempre


Eu nunca disse que ia te amar pra sempre
Pois pra sempre vou te decepcionar
Nada é eterno, nem mesmo o tempo
Exceto a minha gana de recomeçar de novo e melhor
Mais calmo, sábio, consciente de que tudo pode se acabar
Mas se depender de mim, eu sei que vou te amar
Pra sempre


Você perguntou e eu respondi diretamente, sinceramente e sem rodeios. Um erro de principiante, no intuito de ser transparente, de me permitir ser vulnerável, você me pegou, é, a razão de usar o que foi dito contra mim, embora de forma covarde não deixou de ser fato, mas seis anos é suficiente pra evoluir, é seu direito acusar, assim como é meu direito confessar que sim, há uma linha unilateral que permanece inquebrável além do tempo, um sentimento tão antigo que se tornou parte de mim e com o qual por cansar de lutar contra, aprendi a conviver de forma pacífica, o qual insisto por proteção me manter longe, porque de perto é uma atração que ainda me consome e a qual eu ainda sinto pertencer. Mas se eu fecho os os olhos com a mente sã e o coração sábio, sei que merecemos ser felizes cada um em seu caminho com nossas próprias escolhas que devem acima de tudo ser respeitadas.

E o quanto você pode estar disposto pra manter o respeito por alguém? Esse final de semana assisti a uma série que me fez refletir sobre os anos que passamos em uma relação: dois ou três, ou até sete anos que podem dar muito certo - como os meus avós deram - ou podem dar muito errado. Então quanto tempo podemos continuar com alguém por comodidade sabendo que sentimento não é mais o mesmo? Ou por quanto tempo é possível manter um relacionamento sem conseguir dormir pensando que se terminar pode magoar o outro por não cumprir as promessas que fez? São tantas as perguntas e infinitas possibilidades de respostas que tornam alguns relacionamentos longos e infelizes. 

Pensando assim, admito com orgulho que não foram as traições que fizeram meus relacionamentos não darem certo. Não deram certo porque eu nunca permiti me fazer ou fazer o outro infeliz. Ao primeiro sinal de desconexão, eu girava a maçaneta da porta sem olhar pra trás, com o passar dos anos - e após um tempo considerável em uma terapia que muito me ensinou e ainda ensina - hoje, eu converso se quiser conversar, deixo ir se quiser ir e aceito o que tiver de aceitar, mas mantenho sempre a responsabilidade afetiva de respeitar os sentimentos, meus em primeiro lugar e o do outro. No entanto, não me entenda errado, não ouso dizer que o fim não dói - embora você diga que doeu mais em você - a dor permanece por um tempo, o suficiente pra rezar e acreditar que esse é o melhor pra nós, ser sincero no fim tem seu valor, mesmo que você tenha evitado a despedida a quinze mil pés, espero que de lá seu recomeço seja feliz. Deixar o outro livre pra ser feliz quando você já não pode mais fazer isso é a maior prova que aquilo que um dia você sentiu foi amor.

Eu amei você pela força com a qual você foi capaz de me curar, mas eu nunca disse que o sentimento era um doença, você fingiu não ouvir, mas foi o amor por ele que me tornou uma pessoa melhor.


D.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Quem Vai Dizer Tchau?


I can make tonight forever 
Or I can make it disappear by the dawn [...]

Nunca é sobre começos por aqui. É sobre finais e se eles foram importantes, ou me marcaram o suficiente pra eu escrever sobre arrependimentos - não nesse caso. Essa definitivamente foi a segunda vez que eu me permiti abrir espaço pra alguém insistente o suficiente pra me fazer sorrir e ficar, me permiti abrir os braços e oferecer o mais reconfortável abraço em todas as conversas no tempo infinito que escolhemos nos doar sempre que estávamos juntos. E foram incríveis dois anos e dez meses desde a paixão pelo cabelo rosa até meu último elogio aos olhos mais azuis que eu já vi.

Enquanto eu contar sobre nós dois vou repetir sobre o amor que me devolveu a vida e curou meus machucados sem que eu percebesse, você terá o lugar mais cativo por me devolver com sorriso todas as vezes que eu ameaçava sair pela porta e nunca mais voltar - "quando um não quer, dois não brigam" - e mesmo no fim, sequer brigamos, porque eu me calei quando você entrou naquele avião sem olhar pra trás. Quando percebeu que eu não havia tirado o anel, já era tarde demais, há uma linha que se cruzada, duas pessoas se tornam estranhas da noite pro dia, os créditos desse fim, não vieram na primeira semana de março, mas quando eu acordei no dia nove de abril. Ao final do dia dez, só já havia a marca no dedo médio de um anel que pela minha superstição nunca deveria ser usado no anelar.  

Uma vez, o teu beijo na testa seguiu o ciúme brincalhão dizendo que os donos dos textos aqui tinham sorte de terem sido amados pela minha forma de vê-los. Viver ao seu lado sem os olhos do mundo, foi a forma que escolhi de proteger a minha forma de ter ver dormir e pensar como eu era a mulher mais sortuda do universo ao dizer sim pela segunda vez e ter a certeza que dessa vez o luto não seria meu destino e mesmo que houvesse separação seria pela física, nunca pelas linhas de tempo espirituais, só essa certeza tinha a capacidade de reconectar a parte de mim que deixei desaparecer. Mesmo no meio da multidão, encontrar seu olhar em mim em silêncio, era a promessa cumprida que me deu a sensação de reconexão e eu amaria você somente por isso, mas você me deu tudo no presente e em mais um dia, todos os dias. 

Em retribuição, esse texto embora seja sobre o fim, não fala sobre arrependimentos, mas sobre como através da minha confiança em você, me declarei de olhos fechados, te dei de presente uma das minhas músicas favoritas, fui abrigo nas noites em que acolhi o seu dia cansativo, te contei em carta sobre o os livros da Jane Austen e sobre como eu adoraria cantar as músicas do Roberto Carlos - E cantei em um karaokê fazendo todos ao redor aplaudirem porque era dedicada - outra vez - pra você. Meu lado mais feliz, alegre e romântico foi meu presente especial. E eu faria igual em todas as frações de segundo dessas memórias. 

Os finais são imperfeitos, dolorosos, e tristes, ainda assim, também são necessários, pois não há relações sem ensinamentos, escolhemos portanto aprender e seguir. 

D.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Antes Mesmo de Começar


Primeiro, o play no vídeo. Boa leitura!

É Janeiro, dessa vez, de 2026. Sobre os fogos de artifícios? Sim, foram lindos, como sempre eu fechei os olhos e rezei por um ano incrível - mesmo que na verdade meu ano novo comece na primeira semana de fevereiro. Mas tinha brilho no céu e intensidade nos sorrisos, amo a sensação de recomeço nos olhos das pessoas especiais ao meu redor, esse frio na barriga que faz parecer que tudo é possível não só pela astrologia que alinham os planetas no número um, mas porque depois de muito tempo, eu acredito verdadeiramente que até o impossível pode ser conquistado se houver coragem e coração nas nossas ações. 

Dito isso, gostaria que esse texto tivesse um breve começo sobre como me sinto - ênfase no parágrafo anterior e na expressão de serenidade de um chá gelado e uma tela em branco que na verdade é pra ser preenchida com a história que quero falar sobre. Agora, em um janeiro de um novo ano.

Um casal de protagonistas me fez pensar em você, embora eu não faça mais isso com frequência, não é mais incomodo quando algo me remete a uma lembrança. As cenas as quais eu assistia fascinada, despertou em mim inevitáveis flashs aleatórios do passado, como fotografias, eram momentos perfeitamente congelados pela minha memória, do começo ao fim, se fosse um álbum, diria que havia legendas em cada foto: "encontro", "reencontro", "o primeiro beijo", "o primeiro abraço", "o último beijo", etc. 

Na história, havia tanto sentimento não dito e a princípio até uma cômica falta de comunicação entre duas pessoas - mesmo que uma destas fosse extremamente extrovertida. No silêncio entre eles, havia um poema que definia um medo existente - dela - e o meu também: "a tua gentileza pode matar devagar". Nos meus dias com você eu me permitir o vício de aceitar o cuidado, a bondade e cada gesto gentil os quais eu afirmava que jamais perderia - mesmo que nada mais houvesse no futuro. Eu perdi. E essa foi  parte do fim que mais doeu, tuas gentilezas que me fizeram amar você antes mesmo de começar não permaneceram, elas se foram juntamente quando você simplesmente saiu por aquela porta enquanto na cozinha havia somente um pedaço de bolo que você me deu (se pensar bem, escrito dessa forma, também parece uma comédias) [risos].

Eu entendi há muito tempo o quanto sentimentos não ditos podem nos ferir e que as vezes mesmo dito há barreiras linguísticas que precisam de tradução mesmo que falemos a mesma língua. A interpretação também se não feita de forma correta pode arruinar uma relação. Ainda assim, no passado eu também tinha certeza que você sabia, mas acho que foi uma falha também, meus sinais óbvios de afeto pareciam não ser suficientes se não acompanhados de uma declaração - extrovertida sim, expressar sentimentos que não era meu forte mesmo. Na história, é claro, eles superaram todas as barreiras quer fossem elas linguísticas ou sinais de afeto antes não compreendidos, a diferença é que por haver um roteiro eles se encontravam em situações mais inesperadas. Na minha história, o destino preferiu não colocar no roteiro  a cena que eu teria a oportunidade de contar a verdade a você.

Está tudo bem também. A minha vida é real e ambos seguimos em frente. No entanto, admito que foi bom te rever nas memórias que não visito mais, foi nostálgico te encontrar nos meus olhos fechados e foi, como posso dizer, não triste, mas aliviante sentir as lágrimas. A história terminou. E esse texto também. Assim, do nada - como foi do nada a Netflix me recomendar "O amor pode ser traduzido?". Você deveria assistir.

Feliz ano novo!

domingo, 19 de outubro de 2025

As Coisas São Como São


"If you love, let 'em go, it's a saying that I heard"




Outubro.

Tinha uma nostalgia sobre os dias - talvez  era o mês. O décimo do ano representava um tempo que era difícil não recordar, o relógio que marcava cinco da manhã enquanto uma mensagem era enviada tal qual uma última esperança que outro lado perguntasse o por quê de uma partida tão inesperada. Tinha um heroísmo da parte dela, talvez por ter ido ao limite na tentativa de não perder o que pra ela era tão valioso e único. Mas o limite tem seu preço que foi pago pela mensagem recebida sem sinais de falta ou apego na linha fina de conexão que ela percebeu que já não existia mais. De algum jeito torto, ela sabia desde o começo que o final iria doer. E doeu. Constantemente. É preciso perder as vezes - foi o que ela pensou enquanto sorria olhando pra um rio sem desviar a atenção. Havia um silêncio violento acompanhado de uma inércia sobre aceitação, misteriosamente parece que as malas carregavam mais do que itens necessários, ela se perguntou quando seria o momento certo pra abandonar o medo de viver uma vida em que a casa para qual ela iria retornar - depois de tudo - ainda estaria ali, com lembranças intactas ocupando a varanda com vista para os dias desconfortavelmentes chuvosos.  

Outubro

Uma tarde de domingo com céu em tons acinzentados que promete chuva e uma sensação de nostalgia sobre os dias. Talvez seja o café gelado ou clima frio - raro e perfeito. Ela sorri facilmente observando cada canto arrumado da casa. Então essa é a sensação de não sentir medo?  Aproveitando o silêncio que conforta e abraça gentilmente enquanto sentada na varanda admite que misteriosamente anos depois os móveis novos substituíram não somente os velhos desnecessários, como recriaram memórias tranquilas e acolhedoras. Se pra ela houve um tempo em que respirar neste lugar era cortante e difícil, hoje é refrescante e sinônimo de vida. É bonito de ver, ela viver.  O que é valioso permanece e o que é único precisa ser recíproco. Embora ela tenha o talento de ter uma memória especial com detalhes de diálogos e datas, o décimo mês do ano tinha dias especialmente fantasmagóricos, mas nada perturbador, apenas recordações que se permitissem ser sentidas já não doía mais. O barulho da chuva que visitava a janela permanecia como uma sonora canção de ninar, volta e meia de olhos fechados com seu sorriso de menina, ela que viu os anos passarem e a maturidade se desenvolver, sussurrava de forma compreensível "as coisas são como são" e tudo fica bem. 

Outubro

Cinco da manhã, a previsão do tempo é que o dia será ensolarado, prepara o café - dessa vez quente - checando o celular, repassa toda a rotina, a calma de quem terá um dia cheio, mas produtivo, os dias passam, veja só, daqui é possível sentir e afirmar com certeza: ninguém novamente seria capaz de roubar a paz, alegria e felicidade dela. Ah! De um jeito torto ela também sabe. Perder as vezes é preciso, e o que não contam é que a perda precede o inverno e tão logo a melhor versão de si mesmo, dar errado não significa que o final vai doer, se há uma lição é que além do clima o que mais pode ser previsto? Como a heroína da sua própria história que conhece seus limites, não sabe quando irá ultrapassá-los mais uma vez, mas sabe que se isso acontecer será pelo que acredita, seja o amor por si mesmo ou pelo outro. E quem mais pensaria assim se não alguém com coragem. É preciso coragem pra viver. E vi coragem nela desde o dia em que a linha fina de conexão desapareceu às cinco da manhã em uma mensagem enviada em outubro daquele ano. Ela sorrir, genuinamente, ama cantarolar aquela música e quando chove desliga qualquer som apenas pra ouvir o barulho de pingos no teto, tem sempre um café gelado no final da tarde e uma sensação de que não poderia ser mais feliz do que é hoje. É o suficiente pra mim observar ela viver a felicidade assim.  




segunda-feira, 7 de julho de 2025

Despertar

Mesmo que às vezes doa
Though it hurts sometimes
Eu vou me levantar e viver
I'm gonna get up and live

[Survive - Lewis Capaldi]



É 2025. E quem tá contando o tempo? 

Tem razão. Eu estou. São longos 1743 dias divididos entre diversas mudanças e nem estou falando de estações ou clima. É tão vivido na minha mente cada fase que eu poderia descrevê-las sem esforço algum.

O inferno do primeiro ano em que eu só sobrevivia a cada 24 horas com uma jornada imensa de trabalho pra não pensar sobre o fim não dito. A loucura dos 365 dias seguintes em que cada cor de cabelo minha era pra esconder a pessoa que eu não queria mais ver, eu só não queria ver o espelho refletir quem viveu a felicidade que não estava mais ali. A esperança em um novo ano quando eu senti pela primeira vez o recomeço e a sensação de que estava tudo bem e que explicações não são necessárias quando ações é tudo que eu poderia receber. Quando dezembro de 2023 explodiu em fogos de artifícios eu prometi deixar o amor permanecer ali e me senti pronta pra seguir em frente ainda que há um toque de distância, nossas memórias pudessem ser refeitas pela relação de amizade que construí depois do fim. E eu consegui, porque em 2025 eu me reencontrei e ao redor eu pude reconhecer a felicidade novamente e ela brilhava e brilhava intensamente. A vida. Meu sorriso. A beleza da compreensão e solitude perfeita. Eu conquistei de volta. Sem você. E ao mesmo tempo com você, torcendo por mim sem saber que minha maior conquista foi exatamente superar as lembranças que eu não queria perder. 

Há quem diga que foi injusto não dividir a minha dor, no entanto, esse era meu caminho, não o seu. Lutar por mim quase me custou tudo, e teimosamente mesmo sabendo que pra conseguir sobreviver eu precisava abandonar qualquer resquício de ligação, egoistamente eu decidi que iria conseguir assistir a chuva parar de cair com o sentimento genuíno de alegria por qualquer que fosse o motivo da sua felicidade. E você é feliz. Então eu me deito, fecho os olhos e me sinto incrivelmente satisfeita por saber que em sete de julho de dois mil e vinte cinco nós dois somos felizes, que ao invés da chuva, eu aprecio a lua com a certeza de que o amor pode ser escrito de diversas formas, há o final em que o pra sempre resume um futuro juntos e há o final em que mesmo separados, eles permanecem um na vida do outro. 

Eu ainda conto o tempo. Por hábito, talvez. Ou pra lembrar a mim mesmo com um sorriso enorme que tudo passa, que o tempo nos amadurece e que depois de longos 1742 dias, no 1743 você ainda é presente e isso é o suficiente pra mim: Eu posso continuar sendo feliz novamente e você não está lá atrás, você está logo ali do lado sendo feliz por mim também. 

O cabelo cresceu… e, no reflexo do espelho, a cor parecia inteiramente minha —
como se o tempo, por um instante, tivesse finalmente escolhido ser gentil.

Mal sabe o tempo que eu ainda amo você - isso é imutável. 

domingo, 16 de junho de 2024

Todo Mundo Menos Você


Ei, há quanto tempo? Uma pergunta me fez voltar: "Você ainda espera?"
Pensei por um momento sobre tudo em flashes de memórias sobre cada segundo entre esses quatros e longos anos e talvez porque minha memória seja peculiar eu lembro do início e mesmo do fim. Você preencheu tantos espaços que se tornou difícil saber qual era meu lugar ou quem era eu depois de você. E eu usei de passos pequenos e silenciosos pra seguir em frente sem saber o que fazer com todo sentimento espalhado por todos lugares em que eu sentia falta de você, por todos os lados a bagunça entre saber o que fazer e o que eu conseguia fazer limitava minhas decisões, eu queria voltar, por milésimos de segundo eu acreditava que se eu contasse, se eu abrisse meu coração, se eu me deixasse ser vulnerável, isso mudaria todo o futuro que hoje é meu presente. N

Não me arrependo. De nada: Nem do antes, do durante e do depois, nem do inferno, não há em mim vestígios de arrependimento das minhas escolhas, eu faria tudo igual, ficaria no tempo que me coube e iria embora e me reconstruiria como aconteceu. Na escuridão houve amadurecimento e levou alguns anos pra que eu pudesse alcançar a estabilidade das minhas emoções em relação aos meus sentimentos por você, precisei perdoar a mim mesmo por me machucar tanto ao me culpar pelo desastre do fim. Como eu poderia ter esperado sua generosidade e empatia quando você não soube sobre toda a dor ou sobre o quanto essa dor quase me consumiu. O amor pode ser intenso em dois extremos e você não conseguiria nem identificar quando eu senti cada um. Deixar você alheio a todo o caos que eu enfrentei sozinha foi minha forma de não causar desconforto a nenhum de nós dois. O tempo lento e arrastado seria meu inverno e eu tinha consciência que duraria um longo período da minha vida.

Mas passou.  Incrivelmente passou. E em cada conquista na minha vida pessoal e profissional eu peguei de volta uma parte de mim e quando me vi eu já estava completamente inteira. Foi quando eu reencontrei você saudável e feliz. Não houve um único dia em que eu não rezasse pela sua felicidade então o meu sorriso foi verdadeiramente genuíno. O amor se tornou imutável, soube disso no instante em que te vi, ele coexistia com meu consentimento e eu aprendi a conviver com essa parte no meu coração, a parte que não posso entregar a ninguém e meu atual relacionamento entendeu isso e poder ter essa transparência foi libertador. 

E agora, eu não espero. Respondendo a pergunta, eu não espero. Não mais.
 

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

O Que Você Não Sabe

 


Quem sabe um dia eu entre em uma cafeteria e te encontre, vou pedir licença e um café não planejado e te contar quando e como decidir sair da sua vida mesmo querendo que você me segurasse com todas as forças enquanto eu segurava as malas fugindo da dor que viria de qualquer maneira. Você deveria ter me feito ficar. No espaço de tempo fiz o que sabia fazer de melhor: sumi, sem notícias, sem número, sem contato e o esperado aconteceu, a dor me consumiu e embora seja clichê, me deixou verdadeiramente mais forte. O que você provavelmente não sabe e vou te contar enquanto o café esfria é que eu não fui sua conquista, você foi a minha, eu amei a cor dos seus olhos no momento em que segurei a sua mão no "prazer em te conhecer". 

E talvez por isso foi tão difícil ir embora quando vi você partir de mim muito antes de entender o que aconteceu. Você foi a minha escolha mais errada, a felicidade mais genuína e a ferida que cada ano doeu um pouco menos até cicatrizar por completo. O tempo tem suas curiosidades e posso te contar agora que minhas memórias foram seletivas e que eu nunca terminei de ver a série que eu assistia naquele ano, mas ouvi todas as músicas as quais as letras contavam sobre como é amar alguém, lembrar de tudo muito bem, sem nunca defender esse sentimento. É como se eu tivesse descrito cada detalhe pra Taylor. Você sabe, eu queria ter sido a sua escolha certa, a que valeria a pena você abraçar com medo que eu desaparecesse quando abrisse os olhos ao lembrar que eu não gosto de abraços. Eu gostava do seu abraço porque parecia seguro morar ali. 

No fim, foi o seu toque o qual não consegui substituir e que ficou morando em mim e a forma como me entreguei sem limites que me fez construir muros altos. Depois de você não houve quem ultrapassasse cada limite que eu defini. Entrar em uma cafeteria e te encontrar quebraria um ciclo ao me deixar livre dos " e se", a cor do seu olho provavelmente continua encantadora e você ainda deve ter o mesmo sorriso que eu imaginava nas suas histórias de adolescência. Foi verdadeiro pra mim e essa verdade é o suficiente pra não querer saber se pra você também foi verdadeiro, pois os fins justificam os meios e você recomeçou. Talvez se um dia ao entrar em uma cafeteria eu te encontrasse eu cumprimentaria com um aceno em um silêncio digno de alguém que sempre teve a certeza de que tudo que escrevi aqui eu não precisaria contar porque não há nada escrito aqui que você já não soubesse.  

 

D. 

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Agora Julho é Você...


Como pode alguém ser tão desenvolta em falas profissionais e ter uma barreira comunicativa quando se trata de expor sentimentos? Olhar e saber exatamente a causa do nervosismo e do sorriso. Eu definitivamente reconheci aquela sensação e queria pedir pra fechar os olhos por 60 segundos e contar que toda vez que o destino resolve brincar eu fico feliz por ser a personagem principal quando o outro é você. Mas não contei, de alguma forma perto de você as palavras sempre ficam perdidas nas minhas cordas vocais e eu processo com rapidez uma desculpa boba por medo de ter que encarar novamente as situações das quais há muito tempo eu decidi ir embora quando  sentimento se tornou tão intenso e indefinido que o medo me consumiu. E aqui 1332 dias depois me questiono se a certeza de ter me desfeito de tudo ainda é uma certeza, esses reencontros instáveis descontroem o ponto final que eu coloquei pra poder seguir em frente e agora esses reencontros instáveis estão me mantendo no mesmo lugar e eu não consigo decidir o quanto isso é bom ou ruim. 

Você sempre foi um ponto de interrogação brilhante, eu que leio facilmente as pessoas e prevejo ações e reações nunca consegui ler você e por não saber quais seriam suas ações e reações, eu nem sequer tentei descobrir. Eu tinha tanto medo de você ir embora e não voltar que fiquei em silêncio culposo quando você saiu e não voltou. A partir de então a lua já não era tão bonita porque não tinha pra quem contar, mas sentada na varanda eu pedi gentilmente pra mesma lua que você fosse genuinamente feliz e que se um dia nos reencontrássemos eu não lembraria de nenhum único mês daquele ano e olha só a ironia da entidade superior ao organizar um alinhamento milenar somente pra aquele encontro testar minha decisão e me ver travando uma batalha comigo mesma depois que não consegui pensar em mais nada a não ser no quanto o seu abraço ainda me protege e me faz forte - e eu odiei ter que admitir isso e o quanto aqueles meses ainda permaneciam na minha memória assim como cada toque,  o primeiro beijo e como você despreocupadamente me perdeu sem se importar.

Sou plenamente consciente de que desde o início tinha tudo pra dar errado e essa certeza me fez imergir por meses em confusão racional versus sentimental, era como se eu soubesse que ao deixar você entrar eu viveria em uma eterna espera pelo fim e na minha memória foi exatamente numa segunda-feira a noite. A verdade é que eu desliguei cada sensação de saudade e só me permitia sentir a sua falta em um único dia do ano de dezembro, era como se eu me fizesse presente pra checar se você estaria bem e feliz. Você bem e feliz era o suficiente - há muitas formas de amar alguém e querer a sua felicidade. Sua felicidade mesmo que não fosse comigo foi a forma que encontrei de amar você do jeito que eu sabia. O destino pode me testar quantas vezes quiser, mas as escolhas ainda me pertence pelo livre arbítrio que me foi dado. Reencontrar você bem e feliz ainda é o suficiente. O seu abraço ainda é o único lugar que me deixa calma. E tudo que eu gostaria de contar a você ainda se perde no meu silêncio. O meu silêncio é o meu descanso. 

D.

domingo, 25 de junho de 2023

REconstrução

De acordo com o astros e todas as constelações em que eu acredito, há sempre algo que deve ser mantido, eu particularmente achava que deveria ser o orgulho, mas tempo depois descobri que o mais importante em manter inquebrável deve ser a nossa alma. Na escuridão de um tempo estranho a alma é a luz de esperança que significa que pode demorar anos, mas a reconstrução acontecerá. Eu vi. Costumava contar os dias e na época eu só queria virar a chave, queria pra ontem, pra já, queria acordar e não sentir. Ou lembrar. Ou ao menos não passar pelos dias esperando a cada segundo que a letra de All To Well não fizesse tanto sentido a ponto de me deixar muda, sentada no canto repetindo as frases e assistindo o filme dos últimos meses daquele ano repetir a sessão na minha mente. 

Pra ser sincera, foi quando eu deixei de contar os dias que o recomeço aconteceu, as peças se encaixaram aos poucos, lentamente, uma por uma. Um céu sombrio que ganhou claridade conforme eu me permitia viver e sem freios não parei pra olhar pra trás, a sensação da reconstrução me devolveu um sorriso genuíno pelas conquistas fruto de muito trabalho. Assim, meses e logo os anos também se foram e com o tempo, meditação e reflexão desenvolvi o altruísmo sobre o sentimento que me feriu e entendi o suficiente pra saber que os clichês existem por uma razão. Hora certa. Momento errado. Pessoas entram em nossas vidas por uma motivo e se vão quando cumprem sua missão, seja qual for. Tempos diferentes, escolhas diferentes. Ao menos um clichê eu pratiquei: Quando a reciprocidade não estiver mais sendo servida, levante-se da mesa e vá embora. Eu definitivamente fui - e em cada passo pra longe, a dor me consumiu.

Entende a importância agora? A alma intacta foi minha salvação que me permitiu me reconectar e evoluir. E o sentimento foi ressignificado em outras relações as quais independente do vínculo foram saudáveis mesmo após o fim. Na minha própria companhia em dias que o silêncio é tudo que preciso, tem sempre a tranquilidade, alegria e um sorriso - de lá até aqui há uma completa satisfação com a pessoa que reflete a minha visão no espelho. E claro, não há perfeição, há noites em que me questiono sobre escolhas, as vezes duvido de mim mesma e me torno pequena sob o cobertor, mas os astros, as constelações e a lua vista da varanda em sua melhor forma me lembram bem sobre o que deve ser mantido cada vez que eu resolver recomeçar algo. Foi sentada na varanda olhando o céu que eu tive a certeza que além do meu céu estrelado naquele mundo totalmente perdido anos atrás, Ele continuava ali sem soltar minha mão, sussurrando incansavelmente "Você é mais forte tendo fé".

E pra finalizar, você viu, sabe? O clipe de All To Well, eu sempre sorrio com emoções indefinidas porque se houvesse um filme daquele ano seria retratado naquele video de exatamente 10 minutos. Se você me perguntar, sim, há um sentimento guardado com proteção de inúmeras portas trancadas, mas não se engane, isso não significa que é algo, difícil, tóxico ou doloroso, pelo contrário, é fácil, verdadeiro, simples e bonito, existe pra que ao vê-lo feliz com outra pessoa eu sinta felicidade também. Afinal, quando um sentimento é verdadeiro e não se desfaz com o tempo, entenda, aceite e respeite o que de fato o amor é então. Independente da forma que este se apresentar a você.

D. Lima

sábado, 8 de abril de 2023

Separação

Por que a vida fez isso pra sempre com nós dois?
Encontros, destinos sem razão
E os finais felizes vem e vão...
| Quando Acabou - Quimica |




- Já pegou as chaves? 
E eu digo pra mim mesma que esse é o certo a fazer, apago as luzes, sei que hoje o lugar tão caloroso que me acolhia em dias de inverno só ficará cada vez mais frio. Nosso relacionamento tão leve se encheu de indiferença, desamor e discussões.

- Peguei.
Ela precisa de tempo, de mais tempo. E não importa qualquer coisa que eu diga, ela está decidida. Não há lágrimas, não há vestígios de que essa vez será só mais uma vez. Ela só precisa de tempo. As horas que eu pedi por um jantar, as horas que a convidei pra um cinema, as horas a chamava pra comemorar nosso terceiro ano de namoro. E ela sempre ocupada com o trabalho e os estudos.

- Posso mandar amanhã o que você deixar aqui?
Por que ele não fala nada? Fica andando de um lado pro outro arrumando as malas aceitando o fim. Antes todas as nossas brigas de casal terminavam com nossos sorrisos sabendo o quanto éramos bobos. Ainda lembro do dia que o conheci, um boa tarde seguido de um prazer em conhecê-la. A partir daquele momento eu sabia que tinha encontrado o dono dos meus sonhos. 

- Não é necessário, vou levar tudo que preciso.
Me pergunto se a fiz feliz. Ela ainda me tem com seus imãs nos dedos, olhar pra ela faz sentir com que todo meu corpo fosse puxado por suas mãos, eu me seguro por sua fortaleza. Não quis chegar até aqui andando de um lado pro outro, escolhendo quais objetos não levar pra não ter que lembrar a felicidades dos dias guardados por toda a parte.

- Quando sair pode fechar a porta?

Eu sinto minha vida saindo por aquela porta. Eu sinto, mas já não posso impedi-lo, ele parado olhando pra mim como se eu pudesse mudar os últimos meses insuportáveis me deixa inquieta, eu me sinto insegura, eu seguraria ele se isso fosse o que ele realmente quisesse. Mas seria apenas um adiamento do fim. Já não somos opostos que se atraem, somos iguais. Me vejo nele.

- Você faz isso. Eu só preciso ir agora.
Em silêncio olho pra ela, não há nada ali, Nenhuma emoção. Nem vida. Nada que a fizesse levantar e segurar meus braços, não precisaria me implorar pra ficar, nada disso, apenas que me desse tempo, seu tempo precioso, perdido e tão preenchido.

Apesar de tudo quando a observo paralisado do jeito que estou, com a mão segurando a porta é quando mais me vejo nela, é quando mais me sinto ali... E sei, tenho certeza. Ainda a amaria por toda uma vida. Ainda seria toda a sua felicidade. Ela me pergunta se posso fechar a porta ao sair, mas não posso. Dessa vez me recuso a encenar o nosso fim.

Dheysse Lima



Era ruim com ela, era pior sem ela. Um paradoxo que gritava decibéis tão baixos que me perfurava os tímpanos. Não tinha salvação mais, então me rendi. Porque perto dela era como se meu coração fosse penetrado por mil agulhas molhadas no álcool, mas longe dela era como se tivesse arrancando tudo, só o buraco. Longe dela eu não era mais nada.

— Jorge, 01 de Outubro

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

The Moment I Knew


20 segundos. Não cronometrei, mas a chave virou em algum lugar. Eu poderia ter ficado assustada com tamanha revelação sobre mim mesma, mas eu só sentei em um cantinho e sorri. Era exatamente a sensação de algo que há praticamente dois anos eu não sentia. Um nervosismo bonitinho e irritante. Já estive ali naquele lugar inúmeras vezes pra ouvi-lo, mas não me pergunte o que aconteceu entre o espaço do tempo. Não se explica sentimento - Quaisquer que sejam eles. E jurei pra eles - os sentimentos - que nunca nada seria dito. Há magia em vê-lo de longe e saber que aos meus olhos ele parece ser um cara legal, daqueles que se hoje eu fosse jogar uma moeda em um poço ou assoprasse uma vela por aí seria ele o meu desejo. Mas em minha defesa não tenho um poço pra jogar moedas e não tive velas em bolo pra assoprá-las. No entanto, teria sido uma surpresa incrível se fosse assim tão simples realizar desejos. Mas não é.

Eu não sou. A garota que luta, você sabe. Não sou a garota que ouve as amigas dizerem "você deveria ir lá" - risos! Meus pés nunca se movem. Ser a única expectadora da minha expectativa é algo com o que já estou familiarizada. Mas e se eu dissesse? Ali. Enquanto me encontro naqueles abraços aleatórios que eu sempre fecho os olhos. E se eu dissesse o quanto eu gostaria de permanecer ali por mais tempo. Guardo meus pensamentos e sorrio mais uma vez. O medo sempre está perto me fazendo relembrar o quanto sentimentos indefinidos podem evoluir se a eles dermos atenção demais. Eu já experimentei o desejo e fui consumida por ele há dois anos. De lá até aqui não restou muito. Não se faz alguém feliz quando não se tem nada pra doar de si.

Há ideias e percepções de cada um sobre o que é o amor. Seria construir uma vida juntos? Acho que não. Há muitas pessoas que vivem juntos sem amor. Ou pelo menos perdem o sentido desse sentimento depois de um tempo e acabam o resto da vida infelizes por comodidade e pra evitar a série de problemas que vem com a separação. Há aqueles que também por medo de ficarem sozinhos aceitam pequenas doses de afeto e acreditam que isso é amor o suficiente pra mantê-los juntos. Eu tenho certo medo disso, de olhar pro lado e me contentar com o suficiente. Não quero o suficiente. Eu já vi o amor e senti também. Dizem que quanto mais forte o sentimento maior é a dor que ele nos causa. Porém o fato de sentir dor não anula o que de fato era há dois anos: Amor. Eu não quero me perder uma outra vez. Nunca mais. 

E foi por isso que em 20 segundo quando aquela chave virou, eu sorri. Eu senti. E sei o quanto isso representa uma luz bem quentinha que iluminou um exílio de dois anos me imposto pelo fim mais doloroso que vi passar por mim - isso soa tão brega e ao mesmo tempo é o mais perto da descrição que tenho do que ele se tornou. Embora eu nunca vá pedir que ele fique no abraço aleatório que gentilmente recebo, como poderia deixá-lo ir sem contar que foi ele quem me fez sentir alguma coisa quando eu tinha certeza que nada seria capaz de fazer isso acontecer? Na verdade, vou deixá-lo ir sim sem saber. É reconfortante a sensação de entender que aquele momento em que me encantei será sempre uma lembrança feliz em agradecimento por ele me devolver a esperança de o fim de um período escuro e doloroso demais pra achar que eu fosse superar. Aqui estou olhando pro presente e não mais pro passado.

Por agora eu quero muito manter o sorriso genuíno desse lado enquanto eu sento pra ouvi-lo cantar outra vez aquela música que eu tanto gosto "Never say goodbye". Não escreverei novamente sobre ele. Nesse adeus no presente me pergunto se no fim ele sabia. Que naquele dia eu fiquei encantada em conhecê-lo. Naquele momento eu soube o quanto Living In Sin ficaria perfeito na voz dele. Sorri outra vez. Meu coração havia parado em 2020, em uma segunda-feira. E não havia mais muito pra sentir. Até hoje.

Até ele.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Último Grão



Redigi. Apaguei. Redigi. E duvidei que ainda soubesse colocar alguma coisa em linhas. Novembro de 2021 foi o último texto e a última relação que iniciou um bloqueio de anos e enterrou minha criatividade de escrita - e a escrita já havia me salvado inúmeras vezes. No entanto, não daquela vez. Talvez porque naquele tempo eu não sabia mais o que dizer e silenciei por quase sempre. Até agora. E se você me contasse o que vou descrever agora provavelmente eu omitiria o pensamento de "não pode ser verdade". Mas é. Porque vários anos depois, era ele. O reencontro que eu duvidava muito que o destino se preocupasse em deixar acontecer e isso soa engraçado quando penso que o destino não deixou que acontecesse muito no passado. Nos perdemos no tempo - literalmente. E vê-lo cruzando um espaço enquanto simplesmente eu permanecia muda me fez crer que se o "o mundo dá voltas" o ponto antigo inicial era bem ali: Em um abraço.

Em 05 segundos o abraço me trouxe paz por recordações que não lembrava que ainda estavam comigo - depois que arrumei as malas e deixei o que quer que existisse lá, não parei pra voltar. Não parei pra lembrar. Mas naquele abraço ele nunca deixou de ser a melhor lembrança do meu maior desencontro e de algo sentido, não definido que nunca aconteceu - e gosto particularmente que tenha sido assim. Sempre houve nele algo especial, calma, serenidade, não sei dizer, mas que me fazia um bem apenas em ouvi-lo. Em abraçá-lo. E anos depois nos 05 segundos em que permaneci ali foi o que senti e na verdade a saudade pra qual eu não retornei durante anos estava em todas as linhas que escrevi quando segui em frente. E ao retornar aos textos percebi que por ele a saudade sempre foi a mais bonita. E a mais simples por não ter sido paixão - pois pra ser precisaria de intensidade; Não ter sido amor - pois pra ser não havia o suficiente. Nós atraímos o que fomos - e somos. E nós sempre fomos assim. 

E foi você.
Embora eu tenha mudado. Foi a sua pergunta "você parou de escrever?" que segurou minha mão até aqui. Quando eu respondi que sim. Me disse que eu havia de superar o que quer que tinha me feito parar.  E foi você que me trouxe de volta através da vontade de escrever sobre a sensação de reencontrar você em um lugar que pra nós dois não seria nada improvável. Você me salvou de uma invernia uma vez. Anos depois está me salvando outra vez, dessa vez me devolvendo algo que nem eu sabia o quanto sentia falta: Escrever. Então, obrigada. Por reaparecer. O tempo, o divertido tempo vai mudar nossa direção e mais uma vez não sei até quando, se houve algum questionamento do porquê em um instante, no cenário em que 1 segundo faria diferença eu te encontrei, não questiono mais. Em forma de gratidão, pra você - sobre você. 

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

O Que Dizer de Você


É leve. É fácil. É consistente. É tranquilo. A lista do das sensações que ele me causa é longa, quase interminável. Eu que imaginava não poder existir algo assim, hoje acredito que um encontro de duas pessoas que só querem se fazer bem pode acontecer em lugar inesperado, como naquela música "na fila de um cinema, numa esquina ou - numa mesa de bar".  Em um dia ruim e cansativo, lembrar da facilidade de estar com ele me faz sorrir por saber que não preciso da intensidade diária, mas que se eu precisar o colo dele estará disponível. Essa certeza é que me permite ver o sorriso que não via há algum tempo no meu rosto e devagar me vejo descobrindo o quanto cada abraço me faz querer ficar pelo tempo que isso for possível. 

Através dos meus olhos o que vejo nele é calma de quem se permite viver o presente, de quem sabe que não precisa ficar se não quiser, mas que fica porque quando eu acordo ele ainda está lá me puxando pra mais perto e deixando o silêncio falar que é confortável se perder quando estamos juntos. Eu que sempre corri antes de andar, tenho aprendido não só a andar, mas a observar a paisagem enquanto caminho. Eu que sempre guardei o que sinto, que sempre deixei ir por não falar e que sempre me afastei quando esperavam proximidade tenho descansado com meu coração em trinco aberto fazendo o oposto do que sempre fiz. E se você me perguntar como é a sensação? É libertadora. Tão libertadora a ponto de um dia se eu vê-lo partir ficará em mim a gratidão por ele ter me feito simplesmente viver sem cordas manipuladoras  de uma relação doente. 

Então deito e encosto minha cabeça no ombro dele as vezes falando sem parar e as vezes ficando quieta, apreciando o sossego de ver ele saltitando os botões do controle remoto enquanto escolhe um filme que eu nunca termino de assistir porque ou fico roubando beijos dele ou durmo pelo cansaço da semana. Ele rir, diz que gosta da minha voz, do meu sotaque estranho e da cor do meu cabelo. Ele enrola meus cabelos nos dedos e eu também gosto especialmente disso. Com ele fico cantarolando canções que quase ninguém conhece e o tempo passa apressadamente. O tempo é inimigo das pessoas felizes (risos). E pra brincar com o tempo recebo todos os dias um bom dia e um boa noite pra que na distância - de uma forma bonita - a gente se mantenha perto. 

D.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Mais uma vez. Pela Última Vez

É possível amar, deixar de amar e re-amar? É possível amar, deixar de amar, amar outro alguém, voltar e aprender a re-amar aquele que você amou antes? Te encontro e reencontro em idas, vindas, distância, espera e finais. Nós recomeçamos vezes e vezes acreditando em nada mais além do sentimento que temos um pelo outro que vira e mexe nos pega distraídos quando achamos que seguimos em frente. 

Foi sempre assim. 

Mesmo nos nossos finais inesperados continuamos torcendo um pelo outro, continuamos conectados pela importância que temos um na vida do outro. Em todas as minhas conquistas você estava lá em pé na porta com um sorriso enorme, o seu abraço e o "Parabéns, baby". Em todas as suas conquistas eu estava na primeira fila sentindo orgulho de ver você fazendo o que tanto ama. Eu me sentia a garota mais sortuda por amar você embora não dissesse isso tanto quanto você queria de ouvir.

A gente se perdeu novamente, era raro, mas eu estava lá vendo você duvidar da nossa história. Como de costume silenciei e te deixei ir. Mais uma vez. Mais uma vez dobrei as suas camisas e organizei suas coisas tirando do lugar que você tem a mania de preencher. A gente se perdeu novamente e mais uma vez fico com a sensação que parti você ao meio e machucar você dói em cada parte de mim, cada parte de mim que você melhor que todos entende e compreende. A confusão que eu sou e causo, o meu jeito de silenciar em uma discussão, a minha forma de sumir e aparecer duas semanas depois, as ligações que não atendo por estar distraída e principalmente como minha vida profissional vem em primeiro lugar.

Era raro, mas você estava lá quando o trabalho foi tudo que me restou porque foi o teu colo que me abrigou como meu melhor amigo quando o mundo desabou porque não ouvi teus conselhos preocupados que diziam que assim que eu baixasse a guarda me apaixonaria por outro alguém. Eu nunca acreditei nisso até baixar a guarda e me apaixonar. Você acolheu a minha bagunça e me ajudou a arrumar o caos do qual eu não consegui sair sozinha. Obrigada por segurar minha mão. Obrigada por ficar. Por nunca ir e ainda assim voltar. 

É possível amar. É possível deixar de amar. Amar outro alguém. Voltar e re-amar. Mas o sentimento embora o mesmo é mutável. O amor é nobre e generoso demais. E no meu silêncio ao te deixar ir não posso ser egoísta. E egoísta o amor não é. E eu não sou. Não posso impedir que vá. Na verdade, nunca impeço ninguém de ir, acho digno aceitar o fim - mesmo que essa consciência não impeça cada segundo de sofrimento ao ver alguém que a gente ama seguir nos deixando pra trás. O fim sempre vai afetar uma das duas partes que precisará reaprender a viver sem mágoas. Ontem fui eu. Hoje você.

Você disse que não sabe o que a última pessoa fez pra me machucar tanto, que antes você via esperança em mim, mas que agora não sobrou nada. Você tem razão. A sensação com essa pessoa foi te ter ido ao inferno e mesmo assim ter insistido naquilo por pura diversão. Eu gostaria de ser a garota que você conheceu há quase cinco anos, mas não sou mais. E dessa vez não pretendo ir mais longe do que acho que posso. Porque foi exatamente o que me quebrou. Por isso sou eu quem estou indo. O amor não é egoísta. E você fez a melhor escolha ao me deixar ir. Mais uma vez. Pela última vez.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Fechos & Desfechos



Outubro de 2020

As chaves, você viu? Essa atmosfera do fim que está sobre nossas cabeças não vai dissipar até um de nós se mover, você sabe disso, não sabe? Nesse caso, me ajuda a procurar. As chaves. Tem duas malas na porta e eu não acho as chaves e nem a razão pra fazer esse ponteiro pequeno girar mais uma vez. Acabou. Você pode notar isso seja pelo sentimento inexistente, os móveis jogados contra a parede ou a bagunça no apartamento e na nossa vida. Olha ao redor, tem palavras jogadas por todos os lados, arrependimentos futuros impregnados nas paredes e ainda que você não veja o amor é essa poeira acumulada nos cantos. Esquece, a imobilidade dos seus passos não farão de você a mais racional de nós dois. Embora você sempre tenha jogado com paixão. Somos um conjunto de peças quebradas em um jogo de tabuleiro sem vencedor. 

Eu não quero tentar consertar, reparar, restaurar, remendar. Já fizemos isso inúmeras vezes. Cansativas vezes. Exaustivas vezes. Devíamos ter ido embora no primeiro desencontro desse enredo embriagado e não ficarmos insistindo em sermos distrações um do outro. As chaves? Onde está? Eu preciso ir. Não sou eu quem vai absolver os erros, os erros também fazem parte de mim, espero que com o fechar desse ciclo eu consiga me perdoar por amar você como um louco. Porque só um amor sendo louco pra destroçar alguém que se esforçou infinitas vezes pra fazer dar certo. Não deu. Não demos. E não há mais o que lamentar aqui, nem os planos, nem os anéis. O sumiço das marcas sejam nos dedos ou no coração precisam de tempo e partir pra outro lugar me faz acreditar que o improviso do destino existe pra virar a página de um capítulo o qual a gente insiste em dizer que não acabou.

Você pode permanecer imóvel se quiser, a escolha é sua. Mas também é escolha minha deixar vazio o espaço que preenchemos de projetos, vida e vinhos. Finais são tristes, só não tanto quanto ver a indiferença por você ganhando força. Essa é consequência da história que você decidiu escrever sozinha. Da história que você viveu com alguém que eu deixei de conhecer. Por falha minha, é o que você diz. Mas a estúpida ironia dos fatos é que o sangue que queima quando você me olha não é o meu. É o seu. Sorte maldita você ser a encarregada do final quando foi a única que me fez começar a aventura corajosa que é se entregar sem medo ou insegurança. Curiosamente a garota de sorriso angelical era quem eu deveria temer. Sensação estranha ir embora sabendo que o descanso dos seus braços já não é meu lar. Você tem que soltar. As chaves. Não vou tirar de você, mas se essa é sua forma de impedir que eu vá, eu declino, eu rejeito, me recuso a entender e faço uma última coisa por nós: Vou embora.


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Você Me Achou


Você me achou. E insiste dizer que foi o contrário. Não foi. Você me achou. Entre todas, você me escolheu. Eu vi. Sei que vi e o que vi. O sentimento, a sensação e o sentido que as coisas ganharam desde que entendi o que havia nos seus olhos quando me via. Eu sabia que só haviam medo e insegurança de que o que vi pudesse me atravessar e arrebentar em partes incontáveis porque o amor, o amor nunca vem em linha reta, o amor vem em curvas com subidas extraordinárias e descidas demasiadamente íngremes. Confia em mim, já despenquei de lá. Redenção ao que vi estava fora de consideração mesmo sendo tão brilhante, tão quente, calorosamente convidativo e com prometimentos tão sinceros quanto o que havia em seu coração. Mas não nas minhas escolhas. Ainda que eu quisesse tocar o que vi, minhas mãos jamais alcançaria a felicidade que você oferecia. Essa abertura, essa exposição, essa esperança e essa vulnerabilidade não viriam à tona com a mesma facilidade que veio pra você quando me permitiu ver o que inevitavelmente eu vi.

Então. Eu as deixei lá em um vaso na janela. A luz do sol se arrastava e as estrelas já não me faziam adormecer. As rosas. Tinham um vermelho tão intenso, não conseguia parar de observar. Assisti morrerem dia após dia, o mesmo tempo que esperava ser capaz de tomar uma decisão. De me desfazer dos assombros. Eu esperava pela coragem de correr, correr e correr. De voltar. Mas o meus pés não se moviam, embora eu tivesse certeza do caminho, o que me impedia era a total falta de convicção no meu estar pronta. E o que vi? Ainda estaria lá aguardando o tempo das belas rosas morrerem? Acreditava que a insônia me faria abandonar a hesitação, respirava fundo, mas comigo nada acontecia. Diferente do meu tempo. Meu tempo estava acabando. Se havia libertação das prisões do passado eu jamais iria saber se não tivesse me arriscado. Se não tivesse me jogado em seus braços quando você apareceu e me segurou. Você me achou. Esperou as inúmeras fases da lua porque sabia que a paz do meu coração estaria guardada com você. Eu pude ver.

De tempos em tempos, pessoas importantes cruzam o caminho uma das outras. Almas se reconhecem. Há quem deixe passar por confiar que na vida já amou o suficiente. Raro presente do destino quando permite que você volte antes que sua oportunidade se vá. Toque e alcance a felicidade que lhe oferecem porque o amor, o amor não é o lugar que podemos ir e vir quando quisermos. Não se perca por desamores. Quando a doação do amor que você tiver for insuficiente você deve se permitir ser amada por quem tem nos olhos a espera infinita pelo seu amor. Você saberá quando ver. Apenas almas enxergam a forma plena do que é maior que a esperança e a fé. O amor não é uma luta. Mas quando você o ver saberá que vale a pena lutar por ele e antes que você perceba estará novamente exposta e vulnerável e isso não será mais assustador porque o amor nunca perece. O amor não desiste porque suporta o que vier até o fim. No entanto, você já sabia do sentimento, da sensação e dos sentidos. Você sabia que o que sentia era amor em sua mais verdadeira forma. Porque isso foi tudo o que vi em seus olhos mesmo você insistindo dizer que foi o contrário: Foi tudo que você viu em meus olhos quando me achou.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

2020



Das melhores coisas de se começar um novo ano é a expectativa de fazer tudo diferente ou ao menos boa parte das nossas decisões a gente espera que não seja igual o ano anterior. Tudo bem que no fundo a gente insiste em carregar uma ou duas bagagens desnecessárias, desapego total ainda é difícil. Mas a fé é que com o passar do tempo possamos aprender a deixar ir o que não nos acrescenta e guardar no coração só o que nos faz bem e nos deixa leve. Te digo que acredito mesmo que esse novo ano será um ano de paz e momentos felizes carregados de vibrações positivas, o simples conhecimento de que somos responsáveis por nossas emoções me enche o peito de orgulho ao dizer que do lado de cá tem muito amor próprio, o suficiente pra andar por aí com o nariz empinado sabendo que é disso que as pessoas precisam, se amar mais talvez seja a chave pra manter a saúde mental em dia. 

É claro, nesse jogo insano da vida existem mil e umas situações que nos derrubam, mas em nenhuma linha aqui eu disse que não devemos nos entristecer de vez em quando, é certo que em 366 dias existirão aqueles que nos farão sentir pequena e impotente, precisamos desses dias, precisamos pra entender que somos fortes e persistentes, que apesar do cansaço não podemos e nem devemos recuar. Ou desistir. Somos capazes de realizar sonhos e acordar em mais uma manhã dispostos a tentar novamente. E mais uma vez sempre que a vida exigir. Há em nós uma vontade de viver e devemos nos agarrar a essa vontade. Por nós. Pelo que acreditamos. Entende agora porque somos nós os únicos com a responsabilidade de cuidar de nós mesmos? Temos a capacidade pra isso. Enfrentar medos e superá-los. Se permitir vencer. Se permitir amar. 

2020 pode ser incrível. Depende de você. Das tuas escolhas. Experimente mudar, seja o que for, seja em detalhes, seja fisicamente ou emocionalmente, mas ainda assim, de todas as escolhas que fizeres, tu com teu amor próprio esteja sempre em primeiro lugar. Tu com teu desejo de ser feliz esteja acima de teus dias tristes. Que tua vontade se sorrir prevaleça. Se aquele objetivo não for concluído tudo bem. Se aquela expectativa não puder ser atendida tudo bem também. Respire fundo e recomece, manhãs novas são como acordar em um novo ano. Você pode tudo no dia seguinte. Então viva. Um dia de cada vez. Pra 2020 que tuas bagagens dos anos anteriores se transformem em desapego. Que tua saúde mental seja prioridade. Aquela frase se tornou um meme nacional, mas tem lá seu fundo de verdade: Pra 2020, você que lute! Por você e por tudo que deseja. Ninguém melhor que você mesmo pra lutar por si. 


domingo, 13 de outubro de 2019

Não Me Conta


Um espaço minimo, sufocante que me pressionava a encolher quando sentia sua respiração, o exagero nos sentimentos, o exagero no cuidado, eram pequenos detalhes escolhidos com tanto cuidado pra que eu não percebesse. Eu era a garota substituta. Do meu lado entre meus dedos, você. Você com seu pensamento perdido tentando encontrar alguém no futuro ou passado, difícil dizer sob o céu de felicidade que me fez acreditar viver. As inúmeras vezes que segurou minha mão, o olhar distante, o coração também, não ouso perguntar se algum dia eu consegui alcançar você. Seu sorriso sempre me pareceu triste no fim, como meu sorriso agora meio aliviada por ter te visto partir quando brincou de ir embora e eu não tentei impedir. Como meu olhar distante enquanto abraço a mim mesma ou como meu coração inalcançável. Eu me tornei você. Então essa é a sensação? Não me conta.

A última noite com sua risada alta, com tuas piadas prontas, com tua mania tonta de me oferecer músicas que ninguém mais ouve, com teu jeito despreocupado de me ver vestida em suas blusas de bandas e super-heróis.  Teu beijo tinha gosto de mais, teu colo um abrigo inseguro, apesar disso não consegui ficar longe, apesar disso puxava você sorrindo e dançava sob as estrelas entre minha alegria e sua cara de satisfação ao me ver tão feliz.  De perto não dava pra ver o quanto éramos distantes. De perto eu tinha cada parte de você. De perto eu acreditava que o que vivíamos era tão bonito quanto a paz que ao teu lado eu me permitia sentir. De perto dentro do seu olhar aberto eu fechava o meu e no entusiasmo escalei até o topo e o horizonte era extasiante. 

O último abraço me fez tão pequena, sua respiração me sufocou, me encolhi envergonhada tentando secar as lágrimas ao repetir baixinho "por que a gente deu errado?". Não havia lugar pra nós. Não havia lugar pra mim. Na sua brincadeira de dizer que ia embora eu aproveitei e deixei você ir. O abandono ao contrário do que dizem não é libertador, é triste. É doloroso. Fui a garota substituta de um amor que por ter sido intenso não se desfez e nem me deixou ser amada na mesma intensidade. A sensação é incompletude, as vezes parece ser nada, vazio, uma vida em piloto automático arrastando a esperança de proporcionar a outro alguém um céu felicidade que posso dar, mas não posso sentir. Escalar no entusiamo da paixão não foi difícil, difícil foi sentir a minha descida em queda livre enquanto você aprendia a voar.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Meu Eu em Você



Eu entendi a mensagem,  entendi as chamadas não atendidas, entendi a nossa falta de comunicação no instante em que falei sozinha por nós dois. Eu aceitei nosso fim afundada em um sofá preto com listras vermelhas, me vi em longas noites sob um cobertor ouvindo todas as canções que tocavam na hora errada. Perdi nossos detalhes distraída com os detalhes do mundo. Pensei, não senti. Agora com essa caneca de chá quente nas mãos sinto a tristeza e penso no sofrimento que causei, eu te afastei durante meu sono enquanto você desistia de tentar. Eu entendi a mensagem. Foi claramente uma forma de término indigno, mas aplaudi o texto pela sinceridade sobre coisas que eu precisava saber. As verdades só me fizeram encolher um pouco mais em uma cama enorme demais pra mim, aumentei o volume da música pra não me concentrar nos pensamentos  sobre a possibilidade de ter mudado, de ter modificado meu jeito e acreditado mais em nós dois. Por onde andei enquanto você sentia minha falta?

Despertei na manha seguinte engolida por lençóis, tinha espaços preenchidos de saudade do lado direito da cama, na verdade esse espaço parece que sempre esteve aqui. Fiz um café forte, a chuva molhava o vidro da janela, voltei pra cama e mais uma vez afundei-me em mim. Evitei saber o horário porque as horas corriam contra minha decisão de seguir em frente. Evitei lembrar de você porque me recusava a questionar como pude me perder tanto? O telefone não parava de tocar, ouvia do quarto algumas batidas na porta, não senti vontade de falar sobre você e eu e não mais em nós. Não me sentia confortável pra mentir que já estava tudo bem, nem de esboçar sorrisos assegurando que tudo ia passar. Não passou. E eu preciso primeiro aceitar o vazio dos passos inexistentes pela casa e o silêncio da tua voz. Onde foi que eu perdi você? Coloquei o casaco e saí pra caminhar sem direção, a rua estava tão deserta quanto minha vida. A noite caia e os casais começavam aparecer, um em especial me chamou atenção, eles sorriam com cumplicidade, caminhavam de mãos dadas, ela apoiava a cabeça no ombro dele. O reflexo da minha felicidade de uns tempos atrás. Eu sorri. 
Eu preciso deixar você ir. Não vou prender você aqui com ataque de histeria ou um surto psicótico listando por onde posso começar a mudar. Eu estudei cada ponto das suas queixas descritas na mensagem e surpresa, todas elas são justificáveis. O sofrimento foi um peso que você segurou por dias, meses até, e eu não quero tornar esse peso maior, seria desumano e desonesto. Você fechou seus olhos, seguiu meus passos, sinto tanto por não ter te levado a nenhum lugar, talvez eu não soubesse pra onde estava indo e se me permite admitir, ainda não sei. Eu preciso devolver seus sonhos depositados em mim, preciso deixar você partir com seu amor, ali na frente você precisará dele pra dar a outra pessoa não tão egoísta como eu, mas espero que o suficiente pra não deixá-lo ir. Eu tenho que deixar você ir porque sua falta vai doer mais que tudo, mais do que já está doendo e mais do que vou poder suportar. 
E isso foi tudo que estava escrito em um folha amarelada que entreguei quando ele abriu a porta surpreso ao me ver encharcada e com os olhos vermelhos. Não entrei mesmo ele tentando me convencer que uma gripe podia virar pneumonia. Virei de costa e chorei com os braços em volta do meu corpo segurando a força de vontade de voltar e pedir pra ficar. Fiz o que passei dias pensando em fazer e meus ombros estão aliviados. Em casa o vazio ao qual tenho tentado me acostumar ainda me espera, mas tem chocolate quente também. O amo com toda a força e sentimento que alguém que compôs aquela música Meu Eu em Você pode amar, mas a decisão de voltar só pode ser tomada por quem decidiu partir. E por ora, eu só preciso de uma noite de sono desmanchada de pensamento e pedindo apenas que o tempo me faça feliz.