A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Você Me Achou


Você me achou. E insiste dizer que foi o contrário. Não foi. Você me achou. Entre todas, você me escolheu. Eu vi. Sei que vi e o que vi. O sentimento, a sensação e o sentido que as coisas ganharam desde que entendi o que havia nos seus olhos quando me via. Eu sabia que só haviam medo e insegurança de que o que vi pudesse me atravessar e arrebentar em partes incontáveis porque o amor, o amor nunca vem em linha reta, o amor vem em curvas com subidas extraordinárias e descidas demasiadamente íngremes. Confia em mim, já despenquei de lá. Redenção ao que vi estava fora de consideração mesmo sendo tão brilhante, tão quente, calorosamente convidativo e com prometimentos tão sinceros quanto o que havia em seu coração. Mas não nas minhas escolhas. Ainda que eu quisesse tocar o que vi, minhas mãos jamais alcançaria a felicidade que você oferecia. Essa abertura, essa exposição, essa esperança e essa vulnerabilidade não viriam à tona com a mesma facilidade que veio pra você quando me permitiu ver o que inevitavelmente eu vi.

Então. Eu as deixei lá em um vaso na janela. A luz do sol se arrastava e as estrelas já não me faziam adormecer. As rosas. Tinham um vermelho tão intenso, não conseguia parar de observar. Assisti morrerem dia após dia, o mesmo tempo que esperava ser capaz de tomar uma decisão. De me desfazer dos assombros. Eu esperava pela coragem de correr, correr e correr. De voltar. Mas o meus pés não se moviam, embora eu tivesse certeza do caminho, o que me impedia era a total falta de convicção no meu estar pronta. E o que vi? Ainda estaria lá aguardando o tempo das belas rosas morrerem? Acreditava que a insônia me faria abandonar a hesitação, respirava fundo, mas comigo nada acontecia. Diferente do meu tempo. Meu tempo estava acabando. Se havia libertação das prisões do passado eu jamais iria saber se não tivesse me arriscado. Se não tivesse me jogado em seus braços quando você apareceu e me segurou. Você me achou. Esperou as inúmeras fases da lua porque sabia que a paz do meu coração estaria guardada com você. Eu pude ver.

De tempos em tempos, pessoas importantes cruzam o caminho uma das outras. Almas se reconhecem. Há quem deixe passar por confiar que na vida já amou o suficiente. Raro presente do destino quando permite que você volte antes que sua oportunidade se vá. Toque e alcance a felicidade que lhe oferecem porque o amor, o amor não é o lugar que podemos ir e vir quando quisermos. Não se perca por desamores. Quando a doação do amor que você tiver for insuficiente você deve se permitir ser amada por quem tem nos olhos a espera infinita pelo seu amor. Você saberá quando ver. Apenas almas enxergam a forma plena do que é maior que a esperança e a fé. O amor não é uma luta. Mas quando você o ver saberá que vale a pena lutar por ele e antes que você perceba estará novamente exposta e vulnerável e isso não será mais assustador porque o amor nunca perece. O amor não desiste porque suporta o que vier até o fim. No entanto, você já sabia do sentimento, da sensação e dos sentidos. Você sabia que o que sentia era amor em sua mais verdadeira forma. Porque isso foi tudo o que vi em seus olhos mesmo você insistindo dizer que foi o contrário: Foi tudo que você viu em meus olhos quando me achou.