A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 6 de agosto de 2017

Fechos & Desfechos



As chaves, você viu? Essa atmosfera do fim que está sobre nossas cabeças não vai dissipar até um de nós se mover, você sabe disso, não sabe? Nesse caso, me ajuda a procurar. As chaves. Tem duas malas na porta e eu não acho as chaves e nem a razão pra fazer esse ponteiro pequeno girar mais uma vez. Acabou. Você pode notar isso seja pelo sentimento inexistente, os móveis jogados contra a parede ou a bagunça no apartamento e na nossa vida. Olha ao redor, tem palavras jogadas por todos os lados, arrependimentos futuros impregnados nas paredes e ainda que você não veja o amor é essa poeira acumulada nos cantos. Esquece, a imobilidade dos seus passos não farão de você a mais racional de nós dois. Embora você sempre tenha jogado com paixão. Somos um conjunto de peças quebradas em um jogo de tabuleiro sem vencedor. 

Eu não quero tentar consertar, reparar, restaurar, remendar. Já fizemos isso inúmeras vezes. Cansativas vezes. Exaustivas vezes. Devíamos ter ido embora no primeiro desencontro desse enredo embriagado e não ficarmos insistindo em sermos distrações um do outro. As chaves? Onde está? Eu preciso ir. Não sou eu quem vai absolver os erros, os erros também fazem parte de mim, espero que com o fechar desse ciclo eu consiga me perdoar por amar você como um louco. Porque só um amor sendo louco pra destroçar alguém que se esforçou infinitas vezes pra fazer dar certo. Não deu. Não demos. E não há mais o que lamentar aqui, nem os planos, nem os anéis. O sumiço das marcas sejam nos dedos ou no coração precisam de tempo e partir pra outro lugar me faz acreditar que o improviso do destino existe pra virar a página de um capítulo o qual a gente insiste em dizer que não acabou.

Você pode permanecer imóvel se quiser, a escolha é sua. Mas também é escolha minha deixar vazio o espaço que preenchemos de projetos, vida e vinhos. Finais são tristes, só não tanto quanto ver a indiferença por você ganhando força. Essa é consequência da história que você decidiu escrever sozinha. Da história que você viveu com alguém que eu deixei de conhecer. Por falha minha, é o que você diz. Mas a estúpida ironia dos fatos é que o sangue que queima quando você me olha não é o meu. É o seu. Sorte maldita você ser a encarregada do final quando foi a única que me fez começar a aventura corajosa que é se entregar sem medo ou insegurança. Curiosamente a garota de sorriso angelical era quem eu deveria temer. Sensação estranha ir embora sabendo que o descanso dos seus braços já não é meu lar. Você tem que soltar. As chaves. Não vou tirar de você, mas se essa é sua forma de impedir que eu vá, eu declino, eu rejeito, me recuso a entender e faço uma última coisa por nós: Chamo um táxi.