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O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco - Júlio Dantas

sábado, 13 de junho de 2026

Até Aqui


Embora minhas memórias para o cotidiano tenha ficado mais falhas ao longo dos anos, as únicas lembranças que posso descrever em detalhes são as que eu gostaria de esquecer. Não sei se elas permaneceram porque não houve um horário do meu dia em que eu não as recordasse. Ou se apenas se tornaram a única parte boa dele que ficou. O tempo passou lentamente e eu perdi o momento em que deveria ter deixado tudo no passado, a minha insistência em torcer pela sua felicidade era pra ser algo leve, fácil e simples. Sempre longe, nunca perto. Mas a proximidade me deixou a vontade e me fez feliz por poder construir uma relação de amizade, porque isso era o que mais importava pra mim. Era divertido os pequenos diálogos e a forma como ele sempre tinha uma palavra de encorajamento ou de torcida pelas minhas conquistas, era o suficiente pra ter a certeza que embora nossos caminhos fossem diferentes, sempre poderíamos admirar  o sucesso um do outro. Até aqui. 

Até eu precisar de forma constante e somar uma gratidão infinita que eu jamais conseguiria recompensar nessa vida. Até eu não saber mais o que dizer sem me sentir extremamente culpada justamente por ter que precisar dele várias e várias vezes. Sim, sou consciente de que tudo que ele fez por mim foi de um cuidado imensurável e de uma generosidade inestimável. No entanto, as sutis mudanças foram notadas e me fizeram arrepender do segundo em que eu sabia que não conseguiria retribuir. Então cumpri minhas promessas de dar seguimento aos encaminhamentos e a partir dali cuidar de mim mesma. Não sem antes me questionar se eu havia feito algo de errado ou se os limites claros foram impostos pela correria da vida ocupada ou foram apenas limites claros pra que eu entendesse que a pessoa que eu conheci e tinha abertura pra desejar um simples feliz aniversário, essa pessoa não existia mais ali.

Orgulhosamente, aceitei passivamente por compreender que as pessoas mudam com o passar dos anos, se tornam mais sérios, seja pelas responsabilidades ou pelos relacionamentos. Sabe, eu definitivamente trato o destino com muito cuidado, as atitudes me magoaram e revivi por dia sensações dolorosas que há muito eu já havia superado. Eu deveria ter tido mais respeito e tratado com mais prudência os meus sentimentos sabendo que eles poderiam ser machucados novamente. E agora? Seria o certo excluir qualquer tipo de contato quando ainda tenho uma divida enorme de gratidão? Não seria isso ingratidão? Ao mesmo tempo em que penso que esse limite talvez seja exatamente o que ele quer. E se for exatamente o que ele quer, talvez fazendo isso seja a minha forma de retribuir o tudo. Se não for assim, espero que ele possa me perdoar por sumir uma segunda vez. Por ele. E por mim. 

P.S.: Eu vou sempre infinitamente, enquanto eu viver torcer pelo seu sucesso, pela sua felicidade e desejar mentalmente feliz aniversário ao final de cada ano, desse e dos que virão. Se cuida. Obrigada por tudo. Agradecimentos em palavras jamais serão suficientes.

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