A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 18 de setembro de 2016

Nas Curvas da Estrada



Os anos passaram e os e-mails se perderam. Não ficaram fotos e a memória não foi forte o suficiente pra manter nítida aquela história no coração. Então pergunto: Tem lembranças? A distância percorrida desfez os planos, a despedida inexistente deu a esperança que tão logo seríamos reencontro. Seis anos é o tempo que tem aquele enorme presente de natal, tanta questão em dá-lo antes de partir, não fez sentido se a felicidade por ganhá-lo não pôde ser dividida. O avião que atravessou o país, o carro que cortou a cidade na madrugada pra viver um único dia. Existem inúmeras formas de se confessar o amor, no entanto, cometer loucuras é e sempre será a forma mais bonita. 

Foram palavras de promessas por anos, paixão não sobrevive de frases feitas, não há dúvidas do amor, o amor fez mais do que podia, mas a vida quando quer ser contra, vontades são inúteis. As vozes trêmulas de saudade eram detalhes que insistiam em querer se fazer presente e estar perto chegou ao nível máximo do impossível. Separados pela infinita estrada, longos quilômetros, viagem cansativa demais, era aquele o fim não dito. Foi o eu te amo mais sussurrado, o abraço mais cúmplice e demorado. Era o fim. Falas não eram necessárias. O aeroporto cheio de gente desconhecida testemunhava o ultimo beijo na testa e o se cuida carregado de desejo de se verem outra vez. 

Embora os anos passem e a pasta de e-mails tenha sido excluída é difícil apagar um amor complicado por seus caminhos desiguais. A chegada trouxe a primeira paixão vivida até o limite. Ou mais além. Foi amor demais sem juízo. Pra experimentar o sabor do que é novo aprendemos a ser discrição. A mais perfeita discrição nos manteve ilesos. A partida o levou, mas manteve a promessa de que não saberia quando a separação fosse o melhor para os dois. Mesmo estando ali, ignoramos por completo o clima da despedida, com isso a ponta solta da espera permaneceu, mas desapareceu quando nossos aviões pousaram em lugares totalmente diferentes e eu nunca mais soube qualquer notícia do seu último destino, assim como da sua vida. Há lembranças aqui sim e elas aparecem sempre que algo as despertam. Se cuida só é dito pra quem queremos cuidar e não podemos. E de 2010 pra cá ainda continuo odiando despedidas, elas me lembram o quanto foi difícil não morrer mil vezes sempre que me recordasse do amor que nem sei se um dia vou consegui esquecer. Então só posso evitar.