A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 2 de outubro de 2016

No Fim Todo Mundo Mente



Fui contratada como antiga cortesã, o objetivo era fazer de seis meses o tempo necessário pra você me amar. Eu deveria fazer você passar por todas as etapas de um relacionamento: A magia da conquista. O inevitável desejo. A insana paixão. A loucura do ciúme. O confesso amor. A dor da traição e o sofrimento por não ter mais o que um dia lhe pertenceu. A descrença no amor por minha parte foi o que fez de mim a pessoa qualificada para realizar o que me foi pedido. A contratante sabia melhor do que qualquer um sobre meus passos sem rastros por lados que eu jamais admitiria. Ela sabia do meu histórico pesaroso de desencontros e sumiços. Ela não revelou suas intenções o que não me causou desconfiança alguma, faz parte das minhas regras nunca fazer perguntas. 

Fui designada para fingir, mentir, omitir e fazer o que estivesse ao meu alcance para você acreditar na sua enorme importância em minha vida. Fui orientada a implorar, pedir por favor, por nós ou mesmo por mim até te convencer que o amor existe, que coragem é preciso e que eu poderia amá-lo sem limites. Eu sorri falsamente, eu rir das piadas sem graça, eu beijei de olhos abertos, eu abracei sem sentir, eu baguncei tua cama, teu armário, tua cozinha. Eu desarrumei toda tua vida enquanto lá fora eu permitia que alguém arruinasse a minha. Eu revirei tuas crenças sobre a definição de sentimento puro, eu te fiz querer mais da garota divertida, da garota de tinta no cabelo e unhas coloridas. Foi fácil demais despertar teu interesse quando você era um infinito de carência e romantismo. Eu disse não só pra induzir teu sim. Eu fui embora tantas vezes só pra ver você ser capaz de voltar pra mim. 

As pessoas ao redor pensam que me conhece, acham mesmo que o amor é inexistente e inalcançável para o meu coração, acreditam que aquela que seduz por divertimento ou por apostas seja realmente o que sou. Não sou. Sou a garota insegura, de lágrimas reais, de coração aberto e simples. Sou a garota que abriu espaço pra alguém vir e fazer diferente, mas ele não fez. Coloquei nas mãos dele a oportunidade de me fazer feliz e ele desistiu. Me contou mentiras, me fez crer que eu tinha feito tudo errado. Me deixou no silêncio. Ele foi a vida real enquanto eu fazia teatro da sua. Mas você passou a ser meu alicerce quando ele fez o chão desaparecer sob meus pés. Enquanto ele bagunçava meus pensamentos você me acalmava sem saber. Chorei em seu colo por outro enquanto você acreditava ser por você. Fiz você amar minha carência quando a mesma era consequência da minha imprudência em aceitar ser a meretriz de luxo paga por quem queria ver você sofrer. 

Eu sinto muito. Mas é o quinto mês. Já fui tantas personagens que não consigo mais diferenciar fingimento de veracidade. Não sei se fui eu mesma com você e atriz com ele ou vice e versa. Me perdi. Quando ele foi embora eu me apeguei a tua companhia, de repente me interessei por teus gostos, sorri com teu sorriso, pedi por teus abraços e fechei os olhos pra sentir teu beijo. Você ingenuamente se permitiu viver a traição. Ainda que você me segure, ainda que você me ofereça um porto seguro e lençóis limpos. Honestamente, não posso mudar. Não posso ficar. Ele me tem nos dedos e na pele e até que não seja mais assim eu não vou consegui amar. É a sétima e última etapa. Junto as malas, me refaço inteira, esqueço de você e dele. Me despeço e abandono o que me conecta ao passado. Você não merecia ter o coração quebrado. E ele não deveria ter quebrado o meu. Mas não se preocupe, o amor é um ciclo de acertos e consertos. Entre desculpas e culpas no fim todo mundo mente.

Eu menti.