A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Amor em Quatro Atos


Na primeira vez foi um sentimento platônico bonitinho que tinha cara de amor. Foi encanto pelo ombro prestativo do meu melhor amigo e seus olhos verdes fascinantes. Foi tanta imaginação. Tanta criação. Tanta fantasia. Tanta invenção. Foi nós e o mundo de possibilidades desfeitas pelo adeus que empurrou meio que ladeira a baixo nossa confissão. Na primeira vez foi saudade não dita, mas doída. Foi a tristeza de vê-lo partir me deixando numa pequena bolha onde aprendi a conviver com o "e se...". Escrevi bem mais que 365 páginas de um diário que ainda guardo no fundo de uma caixa qualquer. Ele foi a primeira inspiração de ensaios textuais sobre a espera de um amor que quando retornou já havia deixado de ser amor. Ironicamente, como disse, nem era amor. Amor sobrevive, paixão não. Na primeira fez achei que fosse me desfazer em lágrimas. Mas continuei inteira, sem cicatrizes. 

Na segunda vez foi atenção conquistada pela insistência do moço que me fez entender que as vezes em um coração pode caber mais de um sentimento. Ele foi amor. Eterno amor do encontro a despedida. Foi o inesquecível. Do seu jeito, com suas limitações de tempo e distância foi capaz de proporcionar uma felicidade inquestionável. Eu desejei que essa fosse a última vez por saber que já não havia mais nada que eu quisesse encontrar ou viver quando tudo o que eu queria em um parceiro estava ali, embora eu jamais pudesse fazer planos com ele. Ele foi o céu e o inferno. O doce e o amargo de uma relação sem alicerces ou futuro. Ainda assim ele foi a sinceridade, a verdade, a lealdade, cumpriu cada palavra, cada frase, cada promessa até o fim mesmo o nosso amor sendo infinito. Na segunda vez eu achei que não suportaria a dor e os pesadelos. Mas a dor me fez mais forte. Passou. Assim como a insônia.

Na terceira vez eu quase morri. Eu quase enlouqueci. Eu quase me perdi pra sempre. Na terceira vez eu pintei como amor. Eu acreditei que era amor. Eu detalhei em explicações que era amor. Na terceira vez nunca, nunca, nunca foi amor. Foi só um capricho, uma conquista, um passatempo, uma distração pra alguém entendiado com sua própria vida. Dele não sobrou nada. Ele fudeu com todas as memórias, foi a pior motivação dos textos que escrevi. Sendo ele minha maior decepção, minhas mais tristes lágrimas, minha mais profunda dor é que se tornou a pessoa que me ensinou a abandonar o barco antes de me comprometer, antes de me envolver, antes de desenvolver qualquer afeto, qualquer apego, qualquer sentimento que sei que pode me lançar no limbo. De lá já ressurgir. Pra lá não pretendo voltar. Na terceira vez eu achei que fosse morrer. Mas descobri que ninguém morre de amor. Nem quando não é amor. Não se morre por excesso. Nem por exagero.

Na quarta vez foi rabisco, rascunho, esboço de qualquer sentimento que não progrediu. Não foi amor porque amor exige uma história. Não foi paixão, pois precisaria de toques, contato, arrepios e querer intenso, irresistível, incontrolável. Na quarta vez foi a conversa mais agradável, psicológica e engraçada. Ele foi o ser humano especial que aprendi a admirar pelos olhos dos outros e de como estes o definiam. Ele foi surpreendente em tudo. Ele foi o cuidado que minha personalidade construída por três tentativas não soube agradecer. Ele foi a voz do outro lado, a voz calma, serena e por vezes preocupada que eu nunca quis perder. E perdi. Na quarta vez foi desencontro, contrário, oposto que poderia ser qualquer coisa. Desde uma noite esquecível até simplesmente nada. E adivinha só? Foi nada. Mesmo que se queira muito não há como querer por dois.  Doeu, sempre dói. Costume é uma droga. Entretanto, idas e vindas, partidas e chegadas, finais e recomeços nesse histórico de relações catastróficas ensinam que tudo passa. É só fechar os olhos, não dar atenção aos pensamentos, não fazer a vontade dos dedos na madrugada. E o mais importante, nunca olhar pra trás e nem pra ultima visualização do WhatsApp quando se decide seguir em frente.