A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Era Uma Vez


Era uma vez eu estava me apaixonando pelo cara ingênuo, inteligente e sarcástico. Os signos combinavam, a atração nos conectava. Não questionem se ele era o cara certo. Não era. Nem certo, nem perfeito. Perfeição é chata e aqueles que cometem erros sempre são os mais divertidos. A diversão era o maior vício dessa paixão cega, insana e dolorosa. Fui me perdendo lentamente em cada parte de um corpo que não me pertencia, me tornei refém do desejo, me desconheci quando o calor de todos aqueles beijos aqueceram meu coração. Então silenciei todos os avisos da razão e fui viver o que não era permitido pra nós: Cenas de romance com partes destrutivas. Éramos o contrário de qualquer casal. Nada de flores, cartões, bombões, cinema, nosso contrato não consentia declarações ou revelações sobre o que sentíamos. Essa forma de paixão é a pior, o engano ocupa cada espaço, nada é real, porque o real não pode ser dito, se for dito é o fim.


Era uma vez e como a busca desesperadora pelo ar na sua insuficiência me apaixonei. Dividi meus dias em horas de espera, emudeci pra processar doces frases feitas, ampliei as intenções de gestos simples, moldei as mentiras e as transformei nas verdades que eu queria ouvir por não querer perder, por não querer me desfazer, muito menos me render quando a saudade torturava meu corpo. Pra cada pensamento racional sobre a urgência de deixá-lo ir eu inventava mil e umas desculpas pra continuar me envolvendo. O que me faria enlouquecer mais rápido? Estar com ele ou não estar? Menti. A vantagem do silêncio é que podemos guardar a verdade. E se dizer a verdade era sentenciar o fim. Havia chegado a hora. Como um filme em retrocesso visualizei uma vida, os erros me julgaram e apontaram a direção certa a seguir. Fiz minha escolha, a dor da consequência chegou, assim como a chuva nos meus olhos. Quando a paixão se reparte em três almas, quando compartilhar um amor clandestino provoca em nós a indecisão entre  loucura e sensatez, quanto de dor podemos suportar?