A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 8 de novembro de 2015

Opostos



É que tem um mundo de palavras aqui dentro, entende? Meus dias passam devagar buscando em cada espaço de tempo desocupado interpretações pra inúmeras atitudes opostas – Ora abraços, ora beijos, ora silêncio e distância. Acontece que somos tão iguais que não sei se estou me descrevendo ou definindo você. Temos a mania enlouquecedora de invertermos nosso humor sempre que a conveniência nos exige, parece mais uma luta constante entre duas personalidades parecidas em ser diferentes. Há dois pólos, um positivo e um negativo. Esses vivem oscilando, surtando e se divertindo em longas noites de manipulação sentimental em que desisto, abro mão e deixo você ir. Essa determinação é tão momentânea quanto minha vontade de ficar. 

Sei tão pouco de você quanto você de mim, mas o que sei de nós é que pra levantar a bandeira branca alguém precisa admitir o que sente e é aí que decido continuar sem saber pra onde to indo. Prefiro tatear as cegas a ter que olhar pra mim e confessar que toda essa admiração e desejo infinito viraram frio na barriga e uma vontade de colocar você no meu colo com a intenção de dividir e solucionar os teus problemas os quais conheço tão bem. Contudo, não tenho jeito e nem pressa pra declaração. Não tenho habilidade pra demonstrar tanto sentimento. Uns chamam de timidez, mas eu apresento a minha impassibilidade como uma forma de proteção. Nego qualquer acusação de afeto por você. Tenho aversão à idéia de parecer ridícula por estar apegada a saudade que você causa quando não está sob minha visão. Não existe saudade mais cortante do que a ausência de quem não pode ser seu. E você definitivamente não pode. 

É difícil decifrar modos contrários, é como se existisse múltiplas personalidades ali dentro enquanto eu vou me moldando a cada uma delas. Se você abraça, eu seguro. Se me beija, correspondo. Se silencia eu respeito. Se mantém distância sigo em frente fingindo apatia e desconcertando a certeza que você tem. No fim do dia sorrio ironicamente pela minha falta de coragem. Essa audácia de pagar pra ver não tem nada haver comigo, me sinto melhor dando de ombros do que insistindo em ser mais um problema que você não quer pra si embora essa certeza não exista de verdade.