A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Preciso Deixar Você Ir



Eu entendi as mensagens, as chamadas não atendidas, a nossa falta de comunicação no instante em que falei sozinha por nós dois. Eu aceitei nosso fim afundada em um sofá preto em baixo de um cobertor ouvindo todas as canções que tocavam na hora errada. Perdi nossos detalhes distraída com os detalhes do mundo. Encolhida no canto aumentei o volume da música para não me concentrar na possibilidade de ter mudado, de ter modificado meu jeito e acreditado mais em você. Não pensei, não raciocinei, não senti. Agora com essa caneca de chá nas mãos sinto a tristeza e penso no sofrimento que causei sem perceber que te afastava durante meu sono enquanto você pensava em me deixar. Eu entendi a última mensagem, foi uma forma de término indigno, mas aplaudi o texto pela sinceridade sobre coisas que eu precisava saber. 

Na manha seguinte despertei engolida por lençóis, tinha espaço demais do lado direito da cama, na realidade esse espaço parece sempre ter existido. O café forte descia amargamente pela minha garganta enquanto observava a chuva molhar o vidro da janela, voltei arrastada pra solidão e mais uma vez afundei em mim. Evitei saber o horário porque as horas corriam contra minha decisão de seguir em frente. Evitei qualquer lembrança porque recusava a questionar como pude me perder tanto? O telefone não parava de tocar, do quarto eu podia ouvir inúmeras batidas na porta, mas não me sentia a vontade pra falar sobre você e eu e não mais em nós. Não me sentia confortável pra mentir que já estava tudo bem, nem de esboçar sorrisos assegurando que tudo ia passar. Não passou e eu preciso aceitar o vazio dos passos inexistentes pela casa. Preciso me acostumar com o silêncio aqui dentro. Onde foi que eu desapareci? Coloquei um casaco de capuz e sair pra caminhar sem direção, a rua estava deserta tanto quanto minha vida. A noite chegava e os casais se escondiam da chuva que caia. Um em especial me chamou atenção, de mãos dadas eles sorriam com cumplicidade enquanto ele a protegia do frio com um abraço apertado. O reflexo da minha felicidade de uns tempos atrás. Tristemente sorri. 

“Preciso deixar você ir. Não vou prender você aqui com ataque de histeria ou surtos psicóticos listando por onde posso começar a mudar. Eu estudei cada ponto das suas queixas descritas na mensagem e surpresa: Todas elas são justificáveis. O sofrimento foi um peso que você segurou por dias, meses até, e eu não quero tornar esse peso maior, seria desumano e desonesto. Você fechou seus olhos, seguiu meus passos, sinto tanto por não ter te levado a nenhum lugar, talvez eu não soubesse pra onde estava indo e se me permite admitir, ainda não sei. Eu preciso devolver seus sonhos depositados em mim, preciso deixar você partir com seu amor, ali na frente você precisará dele pra dar a outra pessoa não tão egoísta quanto eu, mas espero que o suficiente pra nunca deixar você ir, porque eu tenho que deixar mesmo sabendo que sua falta vai doer mais que tudo, mais do que está doendo agora e mais do que vou poder suportar”. 

Isso foi tudo que estava escrito em uma folha amarelada que entreguei quando ele abriu a porta surpreso em me ver encharcada e com os olhos vermelhos. Tentou insistentemente me convencer a entrar enquanto eu virava de costas e chorava com os braços em volta do meu corpo segurando toda minha força de vontade em pedir pra ficar. Mas não o fiz. A resposta das perguntas que virão será a confissão de que o amo com toda a força e sentimento que alguém que compôs aquela música “Meu eu em Você” pode amar, mas a decisão de voltar só pode ser tomada por quem decidiu partir. E por ora, eu só preciso de uma noite de sono desmanchada de pensamento pedindo apenas que o tempo me faça feliz.


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