A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Vá Com Deus - Só Mais Uma Curta Carta

Texto escrito por Iandê Albuquerque


O que me arrebenta é você que não disse se iria voltar pro jantar. Tive que ficar aqui com uma esperança insuportável de te atender batendo em minha porta. Saí por aí procurando os melhores cheiros e os melhores gostos do dia pra pôr na mesa e te servir. Você disse que não gostava mais do meu cheiro e que, eu já estou sem tempero. Você saiu sem dizer se ainda me quer, se ainda me ama. Sussurrou um tchau de cabeça baixa e seguiu levando boa parte de mim embora. Me cortou só de me virar as costas, fechou o meu tempo só em trancar a porta, me tirou tudo só em ir embora. Eu tenho coragem de ainda jogar minha conversa toda fora, de cuspir tudo de mim e pôr em cima da mesa pra você catar o que te mais agrada. E se nada te agrada eu me esvazio e me encho de você. Eu sei que o abandono é isso. É a pior maneira, é a maneira mais baixa, mais fraca, mais roca de dizer que não ama mais o outro. Não é difícil entender, mas dói entender isso.

Você me deixou na mão, não se importou com meu sofrimento, não me ligou, não me atendeu. Você se entortou todo pra me apagar do seu quadro, mas não disse nada. Me deixou sentado te pedindo pra me ajudar resolver os meus problemas e minhas tarefas de casa. Te implorando pra não me deixar sozinho com cálculos que eu não saberia resolver, com equações que não saberia lidar, com a opção de marca X em alternativas corretas sem saber quais seriam as corretas, esqueci tudo. E você não chegou pra bater no ombro do meu desespero, não acalmou minha dor. E quando alguém não acalma a tua dor é dolorosamente uma forma de dizer tudo. De explicar sem falar nada que não te quer mais, que não tá mais afim, que está de saco cheio de você. Deixamos os desentendimentos entre vírgulas e vírgulas tantas vezes e nunca demos um ponto final em nós. Me costurei com tuas desculpas e usei nossas conversas boas como rémedio para aliviar certas dores. Me bordei em você. Te usei como bobina de oxigênio. Mas era você o motivo do ar que me faltava. E você me deixou aqui, sentindo exatamente isso, sem ao menos ter te ouvido dizer.

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Iânde Albuquerque é Recifense, 23 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes de romance, mas ama cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Dramático, intenso e extremamente intuitivo. Confira mais textos do autor em seu blog pessoal iandealbuquerque.com.br

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