A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 7 de setembro de 2014

Recaídas

 
Mesa de bar, boteco, botequim, é sempre uma cerveja com o sal e limão – Indispensáveis. Tem pra relaxar uma boa música, uns músicos gatos, gente que sorrir, que dança, gente só e acompanhado, gente que flerta, uns que fogem da solidão e aqueles como eu que no fundo do copo guardam a saudade e a vontade de estar com você – o que geralmente acontece quando o relógio crava duas da manhã – vai ver que por isso não deixo meu copo secar! 
Pra completar tem o tal do sertanejo universitário que te faz querer encher a cara e dançar a noite inteira sem deixar o copo cair, uns drinks a mais e você se sente uma Power Girl, a sedutora, os amigos dão força e tudo é só o que vejo. Por outro lado, também não dá pra ser só diversão, não quando o carinha bonito que toca viola solta “uma para os apaixonados”. Lascou a vida, o sorriso, a sedução e ainda por cima não perguntou se tem gente com o celular na mão lutando com a emoção e a razão? E as lembranças. Sim, todas aquelas em que eu te ligava a qualquer hora, perturbava seu sono e com voz de apaixonada levemente alterada pedia pra me buscar. Você sempre ia. 
O clima de azaração bateu em retirada enquanto essas músicas rolam. Melhor sentar despercebida no canto, sabe como é? Nessas horas é uma boa opção sumir e buscar mais cerveja, diz que o álcool causa amnésia então melhor testar a teoria porque ou isso funciona ou vou beber até um gênio da lâmpada me dar o poder de te apagar, rabiscar, te pintar de transparente e se não for pedir muito me dar também à segurança necessária para arrumar essa minha cara de garota machucada de quem não superou o fim. 
Dou um olhar e um sorriso irônico para o moço quando reconheço minha vida na letra que ele canta, a saudade dói tanto que nem o orgulho ferido amanhã poderá doer mais. Eu ligo. Você está a caminho. Eu saio escondida das amigas e da minha consciência. No chão reconheço minhas pegadas em sua direção.  Em seus braços esqueço de tudo mais uma vez e a mesma história se repete. Você em sussurro apressado diz que não aprende a dizer não, enquanto eu sigo de coração feliz e dedos cruzados prometendo ao gênio da lâmpada que esta será a última noite em que irei te amar por uma vida inteira. 
Ou pelo menos até sexta que vem quando os bares já estão de portas abertas para uma nova recaída. 

Têm semanas que às vezes sofro e vêm as recaídas