A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Onde Fica Seu Norte?


Quando seus sonhos se tornam dispensáveis para o carinha não-tão-legal que ocupa seu coração você sente seu amor-próprio desaparecendo de forma rápida, dolorosa, involuntária e embora isso soe meio dramático, na verdade, não é. Todo ser humano já esteve em algum momento do lado sofredor que fica precisamente no fundo do poço que criativamente é logo ali em baixo das cobertas. O mais legal é que é justamente nesse lugar mágico que fazemos as promessas da mudança ou seja: "Prometo não ser mais quem era, não me envolver, não me entregar e não acreditar, além de me manter sempre a um passo frases bonitas, ensaiadas e vazias". Soa tão sério e fácil de cumprir. 

Mas não é. 

É puta difícil essa guerra. Toda manhã você inventa mil e uma maneiras de superar, mas elaborar mapas mentais não é tão simples. Todas as noites você questiona ao teto se deve desistir, vinte e cinco dias mais tardes entende que é tentando invenções que descobre que você é sua própria bússola e que sair dessa estação fria e sombria só depende de onde fica seu Norte. Os primeiros raios de sol iluminam, a rotina aparece, blocos vão se recolocando no devido lugar e há flores no horizonte. Não há cura previsível ou perfeita para quem sofre uma decepção. Todos enfrentam alguma dor que os mudam. Se ainda não chegou sua vez, espere. É necessário. A vida não ensaia. Ela te prepara sob forma severa e real, te faz sucumbir no limbo, te coloca a beira de um enorme abismo, te testa e transforma para que você aprenda a viver enfrentando seus próprios medos. Você tropeça, cai e pode esperar que alguém lhe dê a mão. Ou você tropeça, cai, se apoia nos próprios joelhos e fica em pé novamente. Manter-se em equilíbrio será sua maior força. Memorize os mapas. Em meio a ventos fortes de desilusão; tempestade, trovões, relâmpagos, raios e gigantes ondas emocionais  não solte a bússola. O barco ainda flutua. Siga viagem. Mantenha o curso e as promessas. São difíceis, mas não impossíveis de cumprir. 

Eu sei, há muito mais palavras não ditas ao fechar de uma porta. 

A vida segue. É involuntário. Independe de nossas vontades. Como em uma correnteza é só se deixar levar. Os olhos vêem apenas o que queremos que vejam e tudo ao redor não passa nem perto da realidade. Brincar com a mente do outro é fácil demais quando esta já é cheia de maldade. Deixe que falem, filmes são criados todos os dias, porém os protagonistas mudam e os figurantes também. Somos metamorfose e ainda por cima ambulantes, o tempo troca as cenas, refaz ensaios, os anos passam e no fim, ninguém mantem a velha opinião formada sobre tudo. Ele sorriu e preencheu os espaços ao meu redor. Tinha algo a mais naquela mão e no famoso “prazer em conhecê-la”. Os olhos tinham luz própria, não precisavam ser correspondidos, mas esperavam ser. Em poucos dias aquele gelo em que eu me encontrava foi derretido, tinha calor demais no jeito do moço. Jeito cuidadoso, protetor, calmo, paciente. Pra cada história ouvidos atentos. Pra cada lágrima sobre o passado um lenço pronto e um abraço confortador. Mesmo o céu cinza é recebido com bom humor, ele sabe que adoro o barulho da chuva. Eu disse sim. E sorri. Tão naturalmente restaurada. A felicidade sorriu de volta. E veio me buscar. A porta fechou. 


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