A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Em Um Sopro



Passei tempo demais sem me reconhecer, minha mente sempre em outro lugar, fora de órbita, fora de mim. Foram tantas semanas de nervosismo por toda aquela proximidade inesperada e perturbadora que nos últimos dias acordar tranquila por mim, pra mim foi um tanto surpreendente, de repente entendi que meu jeito de querer você foi cego e obsessivo, já sobrevivi a idade de deslumbre pela paixão e mesmo assim fui adolescente outra vez, sua maneira torta de me prender era fascinante demais. Tudo pra me sentir mais viva. Não conseguiria racionalmente escolher entre mim e você, foi pura sorte o coração poupar o trabalho de me tornar mais fria que mármore. Deus sabe como não tenho mais paciência pra desligar as emoções e não sofrer por metade de mais ninguém. Se doar por inteiro é pra poucos meu bem. 

Antes que eu optasse pela solução mais dolorosa, você passou, tão rápido que nem vi. Só senti quando tudo aqui dentro se desfez seja por convívio ou por decepção. Ou simplesmente os dois. Meu otimismo foi insuficiente pra sua imensa covardia em não quebrar a única ligação que se opôs a nós. Todas as manhãs eu depositava minha fé em você, arriscava em erros sem me importar, desacreditava na possibilidade de me render. Tentei segurar o suficiente de tempo, não queria me desapegar por costume, por medo de perder seu sorriso, mas aconteceu. Um momento. O sentimento evaporou, desse jeito mesmo, como água que vira fumaça. Em instantes me dei conta do fim. 

Não há arrependimentos ou lembranças, não há sofrimento ou lágrimas. Também não há sorrisos. Muito menos culpa. Minhas expectativas de ver suas promessas se tornarem reais são nulas assim como a vontade de você. O vazio foi ficando grande demais, porém confortador, aquele frio na barriga as vezes parecia que ia me consumir, foi um alivio quando minha rotina encontrou equilíbrio, quando voltei a ser altruísta e confiante, meu coração descansou e eu sorri com meu reflexo meio livre e só. Não sobrou nada pequeno. Sei disso porque agora é fácil te encarar e cada vez que suas atitudes me questionam sobre como, quando ou onde meu interesse se perdeu, eu viro de costa, eu dou de ombros, eu silencio. Não conseguiria dizer ou explicar que foi em um sopro que tudo desapareceu. 


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