A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 4 de março de 2013

About a Girl


O relógio marca 22:45. Saudades daqui. Ando ocupada com minhas cordas vocais em silêncio, o jeito recluso, e a minha série favorita sobre Lúpus, Sarcoidose, Câncer, Doenças Auto Imunes e Punções Lombares, isso mesmo, falo de Dr. House. Um vicio constante e insano, insano porque mais do que a inteligência e os olhos azuis, admiro sua misantropia e sua sinceridade quando diz com aquele sotaque e irônia: "Everybody Lies". É House, eu concordo cegamente.

No play rola o Radiohead, estranho, eu sei, mas é que terminei de ler um livro recentemente, um Romance com uma trilha sonora incrível, algumas bandas são bem familiares, outras não, então estou atendendo algumas sugestões particulares do livro Ao Norte de Mim Mesmo. Como por exemplo, o Radiohead, tenho a discografia inteira no meu not, mas nunca me dei a chance de ouvi-la, então começei pelo álbum Ok Computer e acho, com entusiasmo, que estou no caminho certo! Pelo menos ainda não pulei nenhuma faixa. 

Tenho me permitido muitas horas desde que decidi colocar minha vida social e ativa um pouco de lado, os livros que comprei e estavam empilhados em um canto qualquer agora estão em minha mente, em minha vida. Adoro leitura e como ela me faz viajar a tantos lugares sem sair do lugar, de um vilarejo em Londres à capital do Rio Grande do Sul. Tinha esquecido dessa paixão por um longo e quase interminável inverno. Sinto que é isso aqui o que  tanto me fazia falta: O silêncio, os livros, a boa música, os diálogos com minha imaginação nada normal, nunca fui normal, mas não me preocupo em ser. Cada um nasce com um DNA exclusivo, não escondo um baita orgulho do meu, fazer o que? Me encontrei. Sabia que em algum momento voltaria, andei perdida tempo demais. 

Alguns dizem que estou depressiva, outros que virei anti-social ou até que sou sozinha agora, mas não é nada disso, é apenas cansaço do repetitivo, das festas, das mesmas pessoas, das mesmas conversas, das mesmas reclamações e nenhuma atitude, das mesmas bandas, das mesmas músicas no repertório que alguém não faz questão de modificar. Sempre me senti como aquela história do patinho feio, sabe? Estranha. Não me encaixo nas pessoas que parecem feitas das mesmas idéias, estagnadas e superficiais, ligadas a aparência e em "quem vou conquistar amanhã". Enquanto elas conversavam sobre a noite anterior e sobre quem ficou com quem eu só queria comentar sobre o livro novo do meu escritor predileto ou a nova música do Nando Reis. Ninguém dava a mínima. 

As pessoas dizem que sentem sua falta até deixar de procurar você por simplesmente você não ser o que elas querem que você seja. Eu confiei demais, eu rir demais, eu escultei todo mundo e contei no dedo quem parou pra me ouvir. Aí choraminguei uns dias, senti falta nos outros, e graças a Deus tenho uma mente decidida e com palavra! Aceito as diferenças de cada um, não discuto, não acuso, não ferro a vida de ninguém pra sentir um pouco de felicidade encomendada. Há muito optei por levar uma vida simples e sem cortes, só não tinha parado pra vivê-la, estava sempre ocupada demais. Mas existe um tempo pra tudo já diz o maior livro de todos. Este é meu tempo. São meus sonhos, minha realidade e nela há o que citei lá pelos primeiros parágrafos com mais um bônus: As viagens que faço pra rever uma grande amiga e uma banda de músicos loucos! É meu lago de Cisnes particular. Ambos falamos a mesma língua e somos todos felizes como só Cazuza sabia ser.

É nessas viagens e aqui com meu mundo a La Radiohead que sorrio como faço agora. 
Um sorriso de uma pequena com uma alma grande e feliz.
Um sorriso de uma pequena como já previa Gabito no autógrafo do meu livro.