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O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco - Júlio Dantas

domingo, 18 de janeiro de 2026

Antes Mesmo de Começar


Primeiro, o play no vídeo. Boa leitura!

É Janeiro, dessa vez, de 2026. Sobre os fogos de artifícios? Sim, foram lindos, como sempre eu fechei os olhos e rezei por um ano incrível - mesmo que na verdade meu ano novo comece na primeira semana de fevereiro. Mas tinha brilho no céu e intensidade nos sorrisos, amo a sensação de recomeço nos olhos das pessoas especiais ao meu redor, esse frio na barriga que faz parecer que tudo é possível não só pela astrologia que alinham os planetas no número um, mas porque depois de muito tempo, eu acredito verdadeiramente que até o impossível pode ser conquistado se houver coragem e coração nas nossas ações. 

Dito isso, gostaria que esse texto tivesse um breve começo sobre como me sinto - ênfase no parágrafo anterior e na expressão de serenidade de um chá gelado e uma tela em branco que na verdade é pra ser preenchida com a história que quero falar sobre. Agora, em um janeiro de um novo ano.

Um casal de protagonistas me fez pensar em você, embora eu não faça mais isso com frequência, não é mais incomodo quando algo me remete a uma lembrança. As cenas as quais eu assistia fascinada, despertou em mim inevitáveis flashs aleatórios do passado, como fotografias, eram momentos perfeitamente congelados pela minha memória, do começo ao fim, se fosse um álbum, diria que havia legendas em cada foto: "encontro", "reencontro", "o primeiro beijo", "o primeiro abraço", "o último beijo", etc. 

Na história, havia tanto sentimento não dito e a princípio até uma cômica falta de comunicação entre duas pessoas - mesmo que uma destas fosse extremamente extrovertida. No silêncio entre eles, havia um poema que definia um medo existente - dela - e o meu também: "a tua gentileza pode matar devagar". Nos meus dias com você eu me permitir o vício de aceitar o cuidado, a bondade e cada gesto gentil os quais eu afirmava que jamais perderia - mesmo que nada mais houvesse no futuro. Eu perdi. E essa foi  parte do fim que mais doeu, tuas gentilezas que me fizeram amar você antes mesmo de começar não permaneceram, elas se foram juntamente quando você simplesmente saiu por aquela porta enquanto na cozinha havia somente um pedaço de bolo que você me deu (se pensar bem, escrito dessa forma, também parece uma comédias) [risos].

Eu entendi há muito tempo o quanto sentimentos não ditos podem nos ferir e que as vezes mesmo dito há barreiras linguísticas que precisam de tradução mesmo que falemos a mesma língua. A interpretação também se não feita de forma correta pode arruinar uma relação. Ainda assim, no passado eu também tinha certeza que você sabia, mas acho que foi uma falha também, meus sinais óbvios de afeto pareciam não ser suficientes se não acompanhados de uma declaração - extrovertida sim, expressar sentimentos que não era meu forte mesmo. Na história, é claro, eles superaram todas as barreiras quer fossem elas linguísticas ou sinais de afeto antes não compreendidos, a diferença é que por haver um roteiro eles se encontravam em situações mais inesperadas. Na minha história, o destino preferiu não colocar no roteiro  a cena que eu teria a oportunidade de contar a verdade a você.

Está tudo bem também. A minha vida é real e ambos seguimos em frente. No entanto, admito que foi bom te rever nas memórias que não visito mais, foi nostálgico te encontrar nos meus olhos fechados e foi, como posso dizer, não triste, mas aliviante sentir as lágrimas. A história terminou. E esse texto também. Assim, do nada - como foi do nada a Netflix me recomendar "O amor pode ser traduzido?". Você deveria assistir.

Feliz ano novo!