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Manaus, Amazonas, Brazil
O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco - Júlio Dantas

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Era Pra Sempre


Eu nunca disse que ia te amar pra sempre
Pois pra sempre vou te decepcionar
Nada é eterno, nem mesmo o tempo
Exceto a minha gana de recomeçar de novo e melhor
Mais calmo, sábio, consciente de que tudo pode se acabar
Mas se depender de mim, eu sei que vou te amar
Pra sempre


Você perguntou e eu respondi diretamente, sinceramente e sem rodeios. Um erro de principiante, no intuito de ser transparente, de me permitir ser vulnerável, você me pegou, é, a razão de usar o que foi dito contra mim, embora de forma covarde não deixou de ser fato, mas seis anos é suficiente pra evoluir, é seu direito acusar, assim como é meu direito confessar que sim, há uma linha unilateral que permanece inquebrável além do tempo, um sentimento tão antigo que se tornou parte de mim e com o qual por cansar de lutar contra, aprendi a conviver de forma pacífica, o qual insisto por proteção me manter longe, porque de perto é uma atração que ainda me consome e a qual eu ainda sinto pertencer. Mas se eu fecho os os olhos com a mente sã e o coração sábio, sei que merecemos ser felizes cada um em seu caminho com nossas próprias escolhas que devem acima de tudo ser respeitadas.

E o quanto você pode estar disposto pra manter o respeito por alguém? Esse final de semana assisti a uma série que me fez refletir sobre os anos que passamos em uma relação: dois ou três, ou até sete anos que podem dar muito certo - como os meus avós deram - ou podem dar muito errado. Então quanto tempo podemos continuar com alguém por comodidade sabendo que sentimento não é mais o mesmo? Ou por quanto tempo é possível manter um relacionamento sem conseguir dormir pensando que se terminar pode magoar o outro por não cumprir as promessas que fez? São tantas as perguntas e infinitas possibilidades de respostas que tornam alguns relacionamentos longos e infelizes. 

Pensando assim, admito com orgulho que não foram as traições que fizeram meus relacionamentos não darem certo. Não deram certo porque eu nunca permiti me fazer ou fazer o outro infeliz. Ao primeiro sinal de desconexão, eu girava a maçaneta da porta sem olhar pra trás, com o passar dos anos - e após um tempo considerável em uma terapia que muito me ensinou e ainda ensina - hoje, eu converso se quiser conversar, deixo ir se quiser ir e aceito o que tiver de aceitar, mas mantenho sempre a responsabilidade afetiva de respeitar os sentimentos, meus em primeiro lugar e o do outro. No entanto, não me entenda errado, não ouso dizer que o fim não dói - embora você diga que doeu mais em você - a dor permanece por um tempo, o suficiente pra rezar e acreditar que esse é o melhor pra nós, ser sincero no fim tem seu valor, mesmo que você tenha evitado a despedida a quinze mil pés, espero que de lá seu recomeço seja feliz. Deixar o outro livre pra ser feliz quando você já não pode mais fazer isso é a maior prova que aquilo que um dia você sentiu foi amor.

Eu amei você pela força com a qual você foi capaz de me curar, mas eu nunca disse que o sentimento era um doença, você fingiu não ouvir, mas foi o amor por ele que me tornou uma pessoa melhor.


D.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Quem Vai Dizer Tchau?


I can make tonight forever 
Or I can make it disappear by the dawn [...]

Nunca é sobre começos por aqui. É sobre finais e se eles foram importantes, ou me marcaram o suficiente pra eu escrever sobre arrependimentos - não nesse caso. Essa definitivamente foi a segunda vez que eu me permiti abrir espaço pra alguém insistente o suficiente pra me fazer sorrir e ficar, me permiti abrir os braços e oferecer o mais reconfortável abraço em todas as conversas no tempo infinito que escolhemos nos doar sempre que estávamos juntos. E foram incríveis dois anos e dez meses desde a paixão pelo cabelo rosa até meu último elogio aos olhos mais azuis que eu já vi.

Enquanto eu contar sobre nós dois vou repetir sobre o amor que me devolveu a vida e curou meus machucados sem que eu percebesse, você terá o lugar mais cativo por me devolver com sorriso todas as vezes que eu ameaçava sair pela porta e nunca mais voltar - "quando um não quer, dois não brigam" - e mesmo no fim, sequer brigamos, porque eu me calei quando você entrou naquele avião sem olhar pra trás. Quando percebeu que eu não havia tirado o anel, já era tarde demais, há uma linha que se cruzada, duas pessoas se tornam estranhas da noite pro dia, os créditos desse fim, não vieram na primeira semana de março, mas quando eu acordei no dia nove de abril. Ao final do dia dez, só já havia a marca no dedo médio de um anel que pela minha superstição nunca deveria ser usado no anelar.  

Uma vez, o teu beijo na testa seguiu o ciúme brincalhão dizendo que os donos dos textos aqui tinham sorte de terem sido amados pela minha forma de vê-los. Viver ao seu lado sem os olhos do mundo, foi a forma que escolhi de proteger a minha forma de ter ver dormir e pensar como eu era a mulher mais sortuda do universo ao dizer sim pela segunda vez e ter a certeza que dessa vez o luto não seria meu destino e mesmo que houvesse separação seria pela física, nunca pelas linhas de tempo espirituais, só essa certeza tinha a capacidade de reconectar a parte de mim que deixei desaparecer. Mesmo no meio da multidão, encontrar seu olhar em mim em silêncio, era a promessa cumprida que me deu a sensação de reconexão e eu amaria você somente por isso, mas você me deu tudo no presente e em mais um dia, todos os dias. 

Em retribuição, esse texto embora seja sobre o fim, não fala sobre arrependimentos, mas sobre como através da minha confiança em você, me declarei de olhos fechados, te dei de presente uma das minhas músicas favoritas, fui abrigo nas noites em que acolhi o seu dia cansativo, te contei em carta sobre o os livros da Jane Austen e sobre como eu adoraria cantar as músicas do Roberto Carlos - E cantei em um karaokê fazendo todos ao redor aplaudirem porque era dedicada - outra vez - pra você. Meu lado mais feliz, alegre e romântico foi meu presente especial. E eu faria igual em todas as frações de segundo dessas memórias. 

Os finais são imperfeitos, dolorosos, e tristes, ainda assim, também são necessários, pois não há relações sem ensinamentos, escolhemos portanto aprender e seguir. 

D.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Antes Mesmo de Começar


Primeiro, o play no vídeo. Boa leitura!

É Janeiro, dessa vez, de 2026. Sobre os fogos de artifícios? Sim, foram lindos, como sempre eu fechei os olhos e rezei por um ano incrível - mesmo que na verdade meu ano novo comece na primeira semana de fevereiro. Mas tinha brilho no céu e intensidade nos sorrisos, amo a sensação de recomeço nos olhos das pessoas especiais ao meu redor, esse frio na barriga que faz parecer que tudo é possível não só pela astrologia que alinham os planetas no número um, mas porque depois de muito tempo, eu acredito verdadeiramente que até o impossível pode ser conquistado se houver coragem e coração nas nossas ações. 

Dito isso, gostaria que esse texto tivesse um breve começo sobre como me sinto - ênfase no parágrafo anterior e na expressão de serenidade de um chá gelado e uma tela em branco que na verdade é pra ser preenchida com a história que quero falar sobre. Agora, em um janeiro de um novo ano.

Um casal de protagonistas me fez pensar em você, embora eu não faça mais isso com frequência, não é mais incomodo quando algo me remete a uma lembrança. As cenas as quais eu assistia fascinada, despertou em mim inevitáveis flashs aleatórios do passado, como fotografias, eram momentos perfeitamente congelados pela minha memória, do começo ao fim, se fosse um álbum, diria que havia legendas em cada foto: "encontro", "reencontro", "o primeiro beijo", "o primeiro abraço", "o último beijo", etc. 

Na história, havia tanto sentimento não dito e a princípio até uma cômica falta de comunicação entre duas pessoas - mesmo que uma destas fosse extremamente extrovertida. No silêncio entre eles, havia um poema que definia um medo existente - dela - e o meu também: "a tua gentileza pode matar devagar". Nos meus dias com você eu me permitir o vício de aceitar o cuidado, a bondade e cada gesto gentil os quais eu afirmava que jamais perderia - mesmo que nada mais houvesse no futuro. Eu perdi. E essa foi  parte do fim que mais doeu, tuas gentilezas que me fizeram amar você antes mesmo de começar não permaneceram, elas se foram juntamente quando você simplesmente saiu por aquela porta enquanto na cozinha havia somente um pedaço de bolo que você me deu (se pensar bem, escrito dessa forma, também parece uma comédias) [risos].

Eu entendi há muito tempo o quanto sentimentos não ditos podem nos ferir e que as vezes mesmo dito há barreiras linguísticas que precisam de tradução mesmo que falemos a mesma língua. A interpretação também se não feita de forma correta pode arruinar uma relação. Ainda assim, no passado eu também tinha certeza que você sabia, mas acho que foi uma falha também, meus sinais óbvios de afeto pareciam não ser suficientes se não acompanhados de uma declaração - extrovertida sim, expressar sentimentos que não era meu forte mesmo. Na história, é claro, eles superaram todas as barreiras quer fossem elas linguísticas ou sinais de afeto antes não compreendidos, a diferença é que por haver um roteiro eles se encontravam em situações mais inesperadas. Na minha história, o destino preferiu não colocar no roteiro  a cena que eu teria a oportunidade de contar a verdade a você.

Está tudo bem também. A minha vida é real e ambos seguimos em frente. No entanto, admito que foi bom te rever nas memórias que não visito mais, foi nostálgico te encontrar nos meus olhos fechados e foi, como posso dizer, não triste, mas aliviante sentir as lágrimas. A história terminou. E esse texto também. Assim, do nada - como foi do nada a Netflix me recomendar "O amor pode ser traduzido?". Você deveria assistir.

Feliz ano novo!