A Autora
- D. Lima
- Manaus, Amazonas, Brazil
- O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco - Júlio Dantas
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Era Pra Sempre
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Quem Vai Dizer Tchau?
Nunca é sobre começos por aqui. É sobre finais e se eles foram importantes, ou me marcaram o suficiente pra eu escrever sobre arrependimentos - não nesse caso. Essa definitivamente foi a segunda vez que eu me permiti abrir espaço pra alguém insistente o suficiente pra me fazer sorrir e ficar, me permiti abrir os braços e oferecer o mais reconfortável abraço em todas as conversas no tempo infinito que escolhemos nos doar sempre que estávamos juntos. E foram incríveis dois anos e dez meses desde a paixão pelo cabelo rosa até meu último elogio aos olhos mais azuis que eu já vi.
Enquanto eu contar sobre nós dois vou repetir sobre o amor que me devolveu a vida e curou meus machucados sem que eu percebesse, você terá o lugar mais cativo por me devolver com sorriso todas as vezes que eu ameaçava sair pela porta e nunca mais voltar - "quando um não quer, dois não brigam" - e mesmo no fim, sequer brigamos, porque eu me calei quando você entrou naquele avião sem olhar pra trás. Quando percebeu que eu não havia tirado o anel, já era tarde demais, há uma linha que se cruzada, duas pessoas se tornam estranhas da noite pro dia, os créditos desse fim, não vieram na primeira semana de março, mas quando eu acordei no dia nove de abril. Ao final do dia dez, só já havia a marca no dedo médio de um anel que pela minha superstição nunca deveria ser usado no anelar.
Uma vez, o teu beijo na testa seguiu o ciúme brincalhão dizendo que os donos dos textos aqui tinham sorte de terem sido amados pela minha forma de vê-los. Viver ao seu lado sem os olhos do mundo, foi a forma que escolhi de proteger a minha forma de ter ver dormir e pensar como eu era a mulher mais sortuda do universo ao dizer sim pela segunda vez e ter a certeza que dessa vez o luto não seria meu destino e mesmo que houvesse separação seria pela física, nunca pelas linhas de tempo espirituais, só essa certeza tinha a capacidade de reconectar a parte de mim que deixei desaparecer. Mesmo no meio da multidão, encontrar seu olhar em mim em silêncio, era a promessa cumprida que me deu a sensação de reconexão e eu amaria você somente por isso, mas você me deu tudo no presente e em mais um dia, todos os dias.
Em retribuição, esse texto embora seja sobre o fim, não fala sobre arrependimentos, mas sobre como através da minha confiança em você, me declarei de olhos fechados, te dei de presente uma das minhas músicas favoritas, fui abrigo nas noites em que acolhi o seu dia cansativo, te contei em carta sobre o os livros da Jane Austen e sobre como eu adoraria cantar as músicas do Roberto Carlos - E cantei em um karaokê fazendo todos ao redor aplaudirem porque era dedicada - outra vez - pra você. Meu lado mais feliz, alegre e romântico foi meu presente especial. E eu faria igual em todas as frações de segundo dessas memórias.
Os finais são imperfeitos, dolorosos, e tristes, ainda assim, também são necessários, pois não há relações sem ensinamentos, escolhemos portanto aprender e seguir.
D.
domingo, 18 de janeiro de 2026
Antes Mesmo de Começar
Primeiro, o play no vídeo. Boa leitura!
É Janeiro, dessa vez, de 2026. Sobre os fogos de artifícios? Sim, foram lindos, como sempre eu fechei os olhos e rezei por um ano incrível - mesmo que na verdade meu ano novo comece na primeira semana de fevereiro. Mas tinha brilho no céu e intensidade nos sorrisos, amo a sensação de recomeço nos olhos das pessoas especiais ao meu redor, esse frio na barriga que faz parecer que tudo é possível não só pela astrologia que alinham os planetas no número um, mas porque depois de muito tempo, eu acredito verdadeiramente que até o impossível pode ser conquistado se houver coragem e coração nas nossas ações.
Dito isso, gostaria que esse texto tivesse um breve começo sobre como me sinto - ênfase no parágrafo anterior e na expressão de serenidade de um chá gelado e uma tela em branco que na verdade é pra ser preenchida com a história que quero falar sobre. Agora, em um janeiro de um novo ano.
Um casal de protagonistas me fez pensar em você, embora eu não faça mais isso com frequência, não é mais incomodo quando algo me remete a uma lembrança. As cenas as quais eu assistia fascinada, despertou em mim inevitáveis flashs aleatórios do passado, como fotografias, eram momentos perfeitamente congelados pela minha memória, do começo ao fim, se fosse um álbum, diria que havia legendas em cada foto: "encontro", "reencontro", "o primeiro beijo", "o primeiro abraço", "o último beijo", etc.
Na história, havia tanto sentimento não dito e a princípio até uma cômica falta de comunicação entre duas pessoas - mesmo que uma destas fosse extremamente extrovertida. No silêncio entre eles, havia um poema que definia um medo existente - dela - e o meu também: "a tua gentileza pode matar devagar". Nos meus dias com você eu me permitir o vício de aceitar o cuidado, a bondade e cada gesto gentil os quais eu afirmava que jamais perderia - mesmo que nada mais houvesse no futuro. Eu perdi. E essa foi parte do fim que mais doeu, tuas gentilezas que me fizeram amar você antes mesmo de começar não permaneceram, elas se foram juntamente quando você simplesmente saiu por aquela porta enquanto na cozinha havia somente um pedaço de bolo que você me deu (se pensar bem, escrito dessa forma, também parece uma comédias) [risos].
Eu entendi há muito tempo o quanto sentimentos não ditos podem nos ferir e que as vezes mesmo dito há barreiras linguísticas que precisam de tradução mesmo que falemos a mesma língua. A interpretação também se não feita de forma correta pode arruinar uma relação. Ainda assim, no passado eu também tinha certeza que você sabia, mas acho que foi uma falha também, meus sinais óbvios de afeto pareciam não ser suficientes se não acompanhados de uma declaração - extrovertida sim, expressar sentimentos que não era meu forte mesmo. Na história, é claro, eles superaram todas as barreiras quer fossem elas linguísticas ou sinais de afeto antes não compreendidos, a diferença é que por haver um roteiro eles se encontravam em situações mais inesperadas. Na minha história, o destino preferiu não colocar no roteiro a cena que eu teria a oportunidade de contar a verdade a você.
Está tudo bem também. A minha vida é real e ambos seguimos em frente. No entanto, admito que foi bom te rever nas memórias que não visito mais, foi nostálgico te encontrar nos meus olhos fechados e foi, como posso dizer, não triste, mas aliviante sentir as lágrimas. A história terminou. E esse texto também. Assim, do nada - como foi do nada a Netflix me recomendar "O amor pode ser traduzido?". Você deveria assistir.
Feliz ano novo!