É curioso como algumas relações não se perdem por falta de sentimento, mas por excesso de silêncio. Me pergunto se você que está lendo esse texto já observou de perto uma relação fracassar devido os sentimentos não ditos serem guardados por cada um dentro das próprias interpretações.
É curioso como uma conversa que não aconteceu, uma pergunta que não é feita, uma mensagem que não foi enviada, um orgulho que falou mais alto ou simplesmente o tempo errado podem arruinar tudo em um segundo causando desencontros que se perderam no intervalo entre o que se sentia e o que se conseguiu dizer. Enquanto isso, cada um constrói a sua própria versão da história, quase sempre a partir de fragmentos. E é assim que um mal-entendido pode ganhar a dimensão de uma verdade. E talvez seja por isso que algumas distâncias sejam tão difíceis de suportar: porque não sabemos se foram realmente escolhidas ou se foram apenas acontecendo, devagar, enquanto esperávamos que alguém desse o primeiro passo.
Certas histórias podem ter sido importantes e podem ter tido afeto genuíno. Dito isso, é fato que as pessoas podem se encontrar em afinidades, mas com o tempo podem se perder nos diferentes momentos da vida pessoal de cada um, então no fim, mesmo que houvesse coragem para atravessar a distância, a outra parte talvez já tenha aprendido a viver confortavelmente do outro lado. Curioso, não é? Histórias bonitas que se encerram cheias de memórias, dúvidas e orgulho ainda parecem desenvolver a esperança oculta de que alguém compreenda aquilo que nenhum dos dois teve coragem de explicar. Enquanto isso, cada um constrói a sua própria versão da história, quase sempre a partir do que acredita. Talvez exista uma espécie de vaidade no silêncio.
Mas não sejamos carrasco um do outro. A verdade também é construída pela forma como cada pessoa enxerga uma relação a partir do lugar em que está, das próprias inseguranças e experiências. O que para um é cautela, para o outro pode parecer desinteresse. O que foi medo pode ser entendido como rejeição. Assim, duas pessoas podem passar a responder não ao que aconteceu, mas àquilo que imaginaram que aconteceu. - e a vida vai seguir exatamente assim: A distância criará os seus pequenos hábitos diários como não conversar, não saber da rotina e não participar das pequenas coisas. Há um sensação dolorosa no ínicio, mas ficará mais leve com o tempo, mas a lembrança de que houve coisas que mereciam ter sido ditas e talvez não tenham sido, ainda permanecerá com um voz no subconsciente.
Você vai perceber como é curioso que existam silêncios que ensinam. Ensinam que o tempo não é garantia de novas oportunidades, que sentimento nenhum se comunica sozinho e que, entre duas pessoas, às vezes uma única conversa poderia ter poupado anos de distância. No fim, o silêncio ensina que aquilo que não dizemos também produz consequências — e que, entre duas pessoas, às vezes não é a falta de sentimento que determina o fim, mas a falta de coragem para colocá-lo em palavras.
D.
O refrão “Stop, you're losing me” funciona como um último apelo, mas também como a aceitação de que não há mais o que fazer. Assim, a música se destaca como um retrato sensível do desgaste, da dor e da resignação diante do fim.
