A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

domingo, 27 de maio de 2018


Fiquei observando a areia da ampulheta dissolvendo o tempo. Meu tempo. O tempo que eu já não tinha. Eu costumava encher o peito de orgulho jurando de pés juntos que não abriria meu coração novamente. Da última vez o fim me rendeu uma ressaca quase que infinita, achei que não sobreviveria. E pra falar a verdade foi por um quase mesmo. É por essas e outras que estou aqui, sentada sem saber o que fazer ou dizer, o que não é tão comum visto que palavras nunca foram meu problema. Parece que pra cada ocasião sempre me finjo de louca pra dizer o que realmente penso. Mas não dessa vez. Dessa vez eu tô tomada pela esperança fofa de que será diferente, de que talvez haja pessoas no mundo capazes de não ferir da mesma forma mortal com a qual já fomos feridos. Perto dele a sensação é justamente essa, a incapacidade de machucar alguém. O que não me causa um medo menor visto que é preciso apenas faíscas de sentimentos pra estarmos expostos a decepção. 
Não vou brigar com o coração, detestaria entrar em guerra contra algo que já está aqui, porém saber disso me aterroriza de tal modo que tudo que procuro são rotas de fuga por todos os lados. No entanto, me questiono se alguém já conseguiu ir embora sem olhar pra trás? Deixar sentimentos inacabados não me parece uma forma feliz de viver. Meu orgulho porém discorda, o sentimento só se torna inacabado quando um dos lados precisa insistir e insistir em algo que nem o futuro consegue prevê é uma forma bem digna de desistir. Mesmo que eu ande por aí com o sorriso meio bobo, um frio na barriga assustador e saiba melhor que ninguém o quanto a paixão tem uma força mágica de ampliar sentimentos, eu tô confrontando essa sensação, pesando o que é melhor. Sigo falando em silêncio. Por ele e principalmente por mim. Tenho consciência de que ultrapassei o limite sério imposto pelo fracasso da última relação. Isso me fez parar. Apesar de querer muito, de querer com alma. Não tenho fichas nenhuma pra apostar em alguém novamente.
Enquanto amanhece eu esqueço, em um ano é o terceiro cara que deixo ir embora sem que eu me mova ou faça algo pra impedir. A diferença entre eles é que esse último eu realmente queria que ficasse. Por esse o interesse partiu de mim e foi novidade, mas não o suficiente pra dar certo. Se no meio do caminho ele tivesse segurado a chance, eu teria me perdido pra tanta atração. Atração tamanha que quase me fez insistir. Quase. O medo foi maior, uma parte de mim, a que o desejava, mais que qualquer outro homem teria agido impulsivamente, mas a outra, a que é coberta de cicatrizes não suportaria ser machucada outra vez. E essa parte de mim fez a escolha certa. Ele jamais saberia lidar com as histórias inacabadas, trágicas e infelizes que carrego comigo. Por isso mantenho minha mente ocupada sem dar atenção e espaços para as travessuras do coração. Tudo de mim pertence a construção da minha carreira porque no passado isso foi tudo que me restou. 

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