A Lunática

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Belém, Pará, Brazil
Nutricionista. Canta por aí. Escreve sobre o que vë, ouve e imagina. Ela é aquariana, rapaz uma eterna colecionadoras de momentos e de pessoas. Inconstante e com uma personalidade gigante assim como o mar. A diferença é que ela vai, mas não volta.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

E-mails


Datados de 2011. Os e-mails, sabe? Encontrei, certeza de que não são nem 1% de todos as mensagens que trocamos desde 2009. Mas alguns surpreendentemente estavam lá, esquecidos pelo tempo. Quem verifica a pasta "enviados"? Eu pelo menos não. Cinco, dez, quinze, vinte minutos encarando o seu nome no destinatário. Anos se passaram sem que eu pronunciasse seu nome ou falasse em você. Não falo sobre você. Não procuro saber, não questiono o destino e os seus porquês. É só que as palavras, elas eternizam, se escritas não se perdem, é como se o sentimento que existiu naquele momento envolvesse as frases e fincasse em pedra ali. Foi o que senti quando corajosamente abri o primeiro e-mail. Se eu fechasse os olhos poderia até ouvir o som da sua voz. Ser a princesa dos anos com você foi especial demais, foi uma paixão ardente, avassaladora, louca e imatura, imatura sim, nós contra o mundo. O mundo que nos venceu. Triste fim sem despedida o nosso. 

Segundo, terceiro, vigésimo quinto e-mail, o seu último também encontrei, outubro de 2011, você escreveu no final "manda beijo vai". Depois desse dia nunca mais tive notícias de você. Não investiguei, não remexi, não busquei, não pesquisei os motivos. Deixei você ir. Partir. O tempo correu enquanto me mantive ocupada, sempre ocupada, sem espaços pra imaginações ou lágrimas. Não chorei, olhava pro espelho e obrigava o meu corpo a não desmoronar. Obrigava a minha mente a não voltar a todas as memórias que contruí durante quase 1000 dias com você. Se você tinha se permitido seguir por que eu teria desculpas pra não fazer o mesmo? Eu apaguei cada detalhe, eu excluí cada papel, palavra, texto. Eu rasguei fotos. Adormeci os sentimentos e assim sobrevivi. Se sua vida é perfeita eu não sei, se os filhos que você queria ter tornaram sua felicidade maior eu desconheço. Ainda me recuso a ter qualquer informação da vida que você construiu sem mim. 

Pra quem ama o tempo passa, o tempo dissolve as lembranças, se não há memórias gravadas em algo físico que podemos tocar ou ver então o tempo dissipa a realidade e desfaz lentamente a nossa faculdade de guardar e conservar fotografias mentais. Foi o que o tempo fez comigo e o sentimento único raro que eu já senti por outra pessoa. Por você. No entanto, o tempo em seu sábio silêncio quando lhe concedemos algo importante como a escrita de e-mails antigos, tudo vem à tona, o nosso primeiro aperto de mão como se tivesse acontecido ontem, os batimentos acelerados e a sensação de que o dono daquele sorriso se tornaria um amor inviolável. Nós fomos do céu ao inferno juntos. Nós fomos juras e planos futuros. Nós fomos a espera reciproca por cada reencontro. Nós fomos compromisso e discrição dos segredos que levaremos para o túmulo. Nós fomos o desejo e admiração mútua que nos uniu. A distância não suportou a separação imposta por nossas responsabilidades. No fim você fez o que eu disse pra fazer: "Quando você tiver que me deixar, não quero despedidas, só não me mande mais nenhuma notícia". O tempo assentiu e seis anos depois eu finalmente me permitir chorar.